"O presente é a chave para o passado"
James Hutton

29 de agosto de 2022

Notícias em 29/08/2022

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Planalto do Colorado
Este planalto colorido abrange uma área de mais de 380.000 km² na região chamada "Four Corners" ("Quatro Cantos"), onde se encontram os estados de Utah, Colorado, Arizona e Novo México, nos EUA. É uma área drenada pelo Rio Colorado e seus afluentes, os rios Green, San Juan e Little Colorado. No norte e no nordeste, os limites são definidos pelas montanhas Uinta de Utah e pelas Rochosas do Colorado. No leste é limitado pelo vale do rifte do Rio Grande no Novo México. No Sul, faz divisa com a Orla Mogolon, uma cuesta que o separa da Província de Basin and Range (PBR), extensamente falhada. No oeste, há uma zona de transição entre o planalto típico e a PBR. O Planalto do Colorado produz um cenário ermo, que combina desfiladeiros profundos e áreas elevadas, onde as altitudes variam entre 915 m e cerca de 4.000 m. Há predomínio de clima seco e árido, com produção de cobertura vegetal limitada. As altas montanhas de Sierra Nevada na costa oeste impedem que massas de ar com umidade do Pacífico cheguem ao sudoeste. Assim, o intemperismo facilmente deixa para trás rochas nuas, excelentes apenas para a exploração geológica. O Planalto do Colorado é constituído por blocos crustais do Pré-Cambriano, principalmente com gnaisses e xistos altamente metamorfisados, que são sobrepostos por rochas sedimentares. Estas vão do Paleozoico ao Terciário, incluindo algumas de idades intermediárias, como é o caso do Arenito Estrada, do Jurássico. As rochas sedimentares ocorrem em áreas em grande parte planas, compensadas verticalmente por falhas e dobras. Também são características grandes acumulações vulcânicas que tornaram a crosta terrestre local relativamente espessa, com assinaturas graviméticas e magnéticas bastante especiais. A região é subdividida em seis seções: Grand Canyon (a imagem acima mostra sua borda sul), Planaltos Altos, Bacia do Uinta (estruturalmente a parte mais baixa), Canyonlands (com cânions profundos), Navajo (com planaltos escarpados) e Datil (com predomínio de rochas de origem vulcânica). O Planalto do Colorado é, na verdade, composto por uma série de planaltos separados por falhas (principalmente no oeste) ou monoclinais (com predomínio no leste). A formação destas estruturas aconteceram devido ao movimento dos blocos crustais e são responsáveis pelas diferentes altitudes ao longo da região. São encontrados dois tipos de feições ígneas: lacólitos intrusivos do Oligoceno ao Mioceno (exemplos: as cordilheiras Henry, La Sal, Abajo, Ute, La Plata e Carrizo) e vulcanismo, que produziu fluxos de lavas e cones de cinzas. O vulcanismo aconteceu entre 6 milhões e 1.200 anos, sendo andesíticos os mais antigos e predominantemente basálticos os mais jovens. Neste cenário, viveram povos antigos que deixaram para trás artefatos simples, como pontas de lança de 10.500 anos, e sofisticados, como as grandes aldeias de pedra de 1.000 anos da cultura Anasazi. Os primeiros europeus chegarem na seção do Grand Canyon. Foram os espanhóis sob o comando do conquistador espanhol Garcia Lopez de Cárdenas (nascido em 1500). Muitos exploradores norte-americanos se aventuraram no Planalto do Colorado muitas vezes sob o risco da hostilidade do clima e dos nativos. É o caso da expedição liderada pelo explorador norte-americano John Williams Gunnison (1812-1853), massacrado, juntamente com sete comandados seus, por nativos paiutes. Porém, ao longo da última metade do século XIX, garimpeiros, colonos, fazendeiros, missionários, soldados e bandidos invadiram o planalto, para desventura dos indígenas. Hoje, com a rodovia Interstate 70 e inúmeras estradas secundárias, o Planalto do Colorado é uma meca turística de inúmeros parques e monumentos, mas ainda com persistentes regiões selvagens.
(Crédito da imagem: Murray Foubister - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, mercado, fiscalização, energia alternativa, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, asteroides e eventos.

28 de agosto de 2022

Notícias em 28/08/2022

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Caverá e a Cuesta de Haedo
O estado do RS se subdivide em cinco macrozonas: Planalto, Depressão Central, Escudo Sul-Riograndense, Planície Costeira e Cuesta de Haedo. Cuesta é uma forma de relevo assimétrica onde as camadas têm mergulho fraco e intercalam níveis mais e menos resistentes à erosão, produzindo uma topografia praticamente plana, mas gradiente suave de um lado e mais escarpado de outro. A Cuesta de Haedo, antigamente denominada Cuesta Basáltica de Haedo, é uma província geomorfológica, encontrada no sudoeste do RS e no nordeste do Uruguai. No RS, tem divisa ao norte com o Planalto e à leste com a Depressão Central. Caracteriza-se por baixo planalto com leve caimento leste/oeste, em relevo homoclinal, assimétrico, com front voltado para leste e caimento suavemente em direção ao Rio Uruguai. No Brasil, está situado entre as cidades de Uruguaiana, Alegrete, Rosário do Sul, Santana do Livramento e Quaraí. No Uruguai, abrange os departamentos de Artigas, Salto, Paysandú e, em parte, os departamentos de Rivera, Tacuarembó e Durazno. Suas típicas feições tabulares suaves e de dimensões reduzidas, conhecidas localmente como coxilhas, estão associadas fitogeograficamente ao bioma pampa. A Cuesta de Haedo tem sua origem no desenvolvimento do Rio Ibicui, que iniciou um processo de entalhamento e favoreceu a expansão de outros cursos d'água, como o Rio Santa Maria. A partir de uma fase epirogênica (Pós-Cretáceo), houve um soerguimento das rochas que contribuiu, com concomitante processo erosivo, para a formação da depressão central e, com a participação do Rio Ibicuí, para a individualização da Cuesta de Haedo. No total, esta província geomorfológica alcança uma área de 60.000 km² sobre arenitos eólicos avermelhados médios e finos da Formação Botucatu (Jurássico) e rochas basálticas da Formação Serra Geral (Jurássico-Cretáceo). Apresenta altitude média de 100 m, variando de 70 m até cerca de 320 m em áreas isoladas, como no Cerro Palomas, em Santana do Livramento. Há um retrabalhamento contínuo que produz destaques para relevos testemunhos e aspectos de serras, como a Serra do Caverá (imagem acima), nos limites entre Rosário do Sul, Alegrete e Santana do Livramento. Na Revolução de 1923, entre os legalistas chimangos e os revolucionários maragatos, o Caverá foi um santuário para o caudilho maragato Honório Lemes da Silva (1864-1930), conhecido como "o Leão do Caverá". O nome "caverá" tem origem em uma lenda que conta que este era um território dos índios minuanos, entre os quais se destacava o guerreiro Camaco. Este guerreiro tinha uma paixão não correspondida pela princesa Ponaim. Um dia, Ponaim disse que só se casaria com Camaco se ele trouxesse o brilhante pelo do cervo Berá para forrar o leito nupcial. Daí se originou o nome caverá derivado de "caa-berá" ("caa" = "mato" e "berá" = "brilhante"). Para suavizar o suspense ao modo de uma coxilha, porém com um final abrupto como uma cuesta, conto que Camaco saiu destemido atrás de Berá, mas nunca mais voltou.
(Crédito da imagem: Sandro Anhaia - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6)

Assuntos do dia
danos, petróleo, energia alternativa, meio ambiente, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia e ciência espacial.

27 de agosto de 2022

Notícias em 27/08/2022

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Cachoeira Yumbilla
Esta cachoeira está localizada nas proximidades das cidades de Cuispes e Chachapoyas, na província de Bongará, na região norte amazônica do Peru. Situa-se no maciço Cerro Panhuayco, que faz parte da Cordilheira Oriental, no leste dos Andes peruanos. O acesso à cachoeira é difícil. Escondida no Bosque de Cataratas Gigantes de Cuispes, também não é fácil encontrar uma posição de onde se visualize completamente sua queda d'água que acontece em quatro ou cinco etapas. É alimentada pelo córrego Yumbilla que nasce na Caverna San Francisco, de grande extensão, com 250 m de comprimento em sua área já explorada. A água da Cachoeira Yumbilla cai com grande potência devido ao alto desnível, embora flua em relativa pequena quantidade. Nos períodos de seca, pode ser interrompida completamente. É considerada a quinta cachoeira mais alta do mundo com 895,5 m de queda, tendo se tornado conhecida internacionalmente apenas a partir do final de 2007 quando o Instituto Geográfico do Peru realizou um levantamento geográfico na região. A água da Cachoeira Yumbilla cai sobre arentos quartzosos do Grupo Goyllarisquizga (Jurássico Superior-Cretáceo Inferior), cuja resistência permitiu a formação de grandes desníveis topográficos na região. Na porção antes da queda, há uma planície onde ocorrem calcários e margas da Formação Chúlec. A área ao redor da cachoeira é coberta por vegetação de floresta tropical, com bromélias, orquídeas e samambaias arbóreas. São vistos pássaros como o galo-da-rocha andino e o colibri espatuletail, além de mamíferos como o urso de óculos e o macaco lanudo de cauda amarela. A palavra "Yumbillo" vem da língua quíchua e, supostamente, significa "coração apaixonado".
(Crédito da imagem: Paulo Tomaz - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, danos, petróleo, mercado, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo e asteroides.

26 de agosto de 2022

Notícias em 26/08/2022

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Rochas de Queijo
Estas rochas são encontradas nos arredores da aldeia de Malorechenskoye, na região de Alushta da Península da Crimeia, nos penhascos da baía de Tuzlukh, na costa do Mar Negro. Há mais de 50 anos, são protegidas por reserva controlada por autoridades locais, sendo consideradas Monumento Natural. Elas recebem diversos nomes (em ucraniano), como "Сырные скалы" ("Pedras de Queijo", que é o nome que se popularizou a partir dos anos 1960), "Скальный хаос Тузлух" ("Caos rochoso Tuzluh", onde Tuzluh, traduzido do tártaro da Criméia, significa "salina"), "Солонка" ("Saleiro") ou "бухта Любви" ("Baía do Amor"). É atualmente considerada uma região turística, mas há algumas décadas era um conjunto de praias selvagens. Em 1971, foi cenário para filmagens de uma série de televisão chamada "Острів скарбів" ("Ilha do Tesouro"), com três episódios. Uma lenda local conta que, na época dos deuses do Olimpo, em Micropotamos (a atual Malorechenskoye), nasceram um menino e uma menina, batizados como Apolônio e Apolônia. Eles logo se apaixonaram e passaram a viver juntos tranquilos, trabalhando com artesanato em cerâmica. Porém, chegou aos ouvidos de Afrodite e Apolo que a beleza daqueles jovens superava as suas. Foram verificar e os deuses se apaixonaram: Afrodite por Apolônio e Apolo por Apolônia. No entanto, foram amores não correspondidos. Apolo enfurecido sequestrou Apolônia por vários anos. Ela até lhe deu um filho, mas ficava sempre esperando o momento de fugir até que conseguiu. Apolo encontrou Apolônia nas proximidades das Rochas de Queijo da Criméia já nos braços de Apolônio. Então, Apolo, com a ajuda de Afrodite, por vingança, transformou os jovens em rocha e o local em um "caos rochoso" como é hoje conhecido. Os geólogos são céticos e acreditam que isto tudo não passa de uma textura chamada tafone (ou favos de mel), causada pelo intemperismo da água e do vento, ao esculpir caprichosamente um quartzito.
(Crédito da imagem: Маргарита Береговая - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
petróleo, produção, mercado, energia alternativa, meio ambiente, geologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, conhecimento, eventos e outros.

25 de agosto de 2022

Notícias em 25/08/2022

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Bolhas de ar de 2,7 bilhões de anos
Este afloramento de rocha basáltica da Formação Boongal, pertencente ao cráton de Pilbara, está localizado nas proximidades do Rio Beasley, na Austrália Ocidental. Na região, estudos de isótopos de nitrogênio e argônio de inclusões fluídas indicam que a pressão do ar por volta de 2,7 bilhões de anos atrás era menor que a metade da atual. Foram examinadas bolhas de gás atmosférico em fluxos de lava basáltica subaérea da porção superior a Formação Boongal de idade de cerca de 2,7 bilhões de anos. Cinco deste fluxos subaéreos cobrem diretamente brechas hialoclástias que estão sobre espessa pilha de basaltos e hialoclastitos. Indícios sugerem o posicionamento terrestre de um delta de lava pahoehoe em cascalho úmido de praia não consolidado. A extensão lateral, mais de 300 km leste-oeste, e a espessura, cerca de 1 km, da pilha de basalto subaquático sob os depósitos de praia sugerem que os fluxos de basalto subaéreos alcançaram o mar. A paleobarometria se baseou no fato de que o tamanho médio das vesículas no topo dos fluxos é limitado apenas pela pressão atmosférica, enquanto que, na base do fluxo, é preciso considerar o peso da lava acima, adicionado à pressão atmosférica. Simplificadamente, conhecendo-se a densidade do basalto e a espessura do fluxo, deduz-se a pressão atmosférica pela diferença do tamanho das vesículas do topo e da base. Esta técnica diferencial foi verificada nos fluxos modernos que acontecem no Havaí. Na Formação Boongal, as vesículas em fluxos de lava preservam as dimensões originais das bolhas de gás. Durante a alteração anterior à compactação, elas foram preenchidas por quartzo, calcita e clorita. Houve precipitação passiva sem deformação, evidenciada pela ausência de fissuras de expansão ou contração ao redor das amígdalas e pela forma esférica em todas as crostas de fluxo, exceto nas mais superiores, onde são elipsoidais devido ao estiramento viscoso na lava solidificada. O metamorfismo de baixo grau posterior (sub-xisto verde para fácies xisto verde inferior) transformou a matriz de basalto em um conjunto de clorito-albita-epidoto-actinolita com pouca deformação concomitante. Estas informações sobre paleobarometria são importantes porque a pressão do ar restringe a composição atmosférica e o clima, influenciando a evolução biológica. Os dados obtidos contrariam a ideia de uma Terra jovem com atmosfera espessa, sugerindo que a vida microbiana há aproximadamente 2,7 bilhões de anos prosperou apesar da atmosfera rarefeita.
(Crédito da imagem: Roger Buick / University of Washington - fonte1 - fonte2)

Assuntos do dia
petróleo, mercado, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides, ensino, eventos e outros.

24 de agosto de 2022

Notícias em 24/08/2022

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Estromatólitos
Estas estruturas sedimentares, de crescimento recifal, na forma de lentes ou de domos, assumem dimensões decimétricas a métricas. São produtos da ação de bactérias em mares rasos e quentes, desenvolvidos como colônias (especialmente de cinobactérias) dependentes da energia da luz solar para alimentação e crescimento. Recolhem-se à noite para as porções mais internas dos montículos criados e voltam de dia para continuar a processar fotossíntese, liberando uma espécie de cola ao secretar carbonato de cálcio com o objetivo de fixar e cimentar finas partículas dispersas na água. Assim, produzem as lâminas sobrepostas para fazer crescer os montículos que recebem o nome de estromatólito. Este nome tem origem no grego através da junção de "stroma" ("camada, tapete") com "lithos" ("rocha"). Até o Ordoviciano médio, os estromatólitos eram muito presentes nas águas, porém provavelmente com aumento da diversidade no ambiente aquático, novas espécies começaram competir com eles, como é o caso das esponjas e das algas, além de surgirem predadores. Deste modo, a quantidade de novos estromatólitos diminuiu.
Alguns exemplos de estromatólitos podem ser observados nas imagens acima, descritas a seguir
(com links para as imagens originais ampliadas):
(A) Estromatólitos na Formação Pika, no Parque Nacional de Banff, Canadá
(Crédito da imagemA: Wilson44691 - fonteA)
(B) Estromatólitos no Green River Shale, Wyoming, EUA
(Crédito da imagemB: Alicejmichel - fonteB)
(C) Estromatólitos no Lago Thetis, Austrália Ocidental
(Crédito da imagemC: Ruth Ellison - fonteC)
(D) Estromatólito no Grupo Itaiacoca, em Nova Campina, SP
(Crédito da imagemD: mapio - fonteD)
(E) Estromatólito em Lagoa Salgada, no município de Campos, RJ
(Crédito da imagemE: Eurico Zimbres - fonteE)
(F) Estromatólito na Formação Strelley Pool, na Austrália Ocidental. São considerados os estromatólitos mais antigos, datados de cerca de 3,4 bilhões de anos.
(Crédito da imagemF: Didier Descouens - fonteF)

Assuntos do dia
mineração, petróleo, mercado, fiscalização, política, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, conhecimento, eventos e outros.

23 de agosto de 2022

Notícias em 23/08/2022

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Dobras em House of Dragons
A imagem acima mostra dobras em chevron nas falésias da praia de Warren no Cais de Hartland, em North Devon, na Inglaterra. Recentemente, este cenário foi usado nas filmagens da série medieval "House of Dragons", que conta uma história anterior a que se desenrola em "Game of Thrones". A violência destas séries não é nada em comparação à história de 320 milhões de anos destes folhelhos e arenitos alternados pertencentes à Formação Crackington, do Carbonífero. Vou contar. Do final do Devoniano ao início do Permiano, a Orogenia Varisca agiu sobre rochas do sudoeste do Reino Unido. Este evento tectônico resultou da colisão do Gondwana com a Laurásia, fechando o antigo Oceano Rheic e formando o Pangea no início do Permiano, cerca de 290 milhões de anos atrás. Á medida que o Gondwana se moveu para o norte, a bacia do Rheic se comprimiu e se dobrou, formando um cinturão de montanhas. As rochas se flexionaram para baixo devido ao imenso espessamento crustal. No início do Devoniano, bacias extensionais se formaram e se transformaram em bacias foreland à frente da crosta espessa e encurtada. Uma delas foi a Bacia de Culm, cujas rochas agora compõem os atuais Devon e Cornwal. A partir de terras altas no País de Gales, os rios fluíram em direção ao sul para esta bacia. Sedimentos finos se estabeleceram no fundo do mar formando camadas lamacentas, que se transformaram em folhelhos. Sedimentos mais grosseiros foram transportados e se misturaram com a água do fundo do oceano quando avalanches submarinas foram desencadeadas por terremotos. Estas correntes de turbidez depositaram camadas de areia fina nas encostas e no solo da Bacia de Culm. Estes sedimentos se transformaram nos arenitos de Hartland. Marcas de ondulações são encontradas preservadas na parte inferior dos leitos deste arenitos. Com a continuação da Orogenia Varisca, o oceano Rheic se estreitou e as bacias de foreland foram comprimidas à frente do cinturão de montanhas. Folhelhos e arenitos, na Bacia de Culm, foram intensamente dobrados e elevados acima do nível do mar. Então, no ano 101, o Velho Rei Jaehaerys Targaryen, devido a uma tragédia familiar, convocou o Grande Conselho onde os lordes de Westeros iriam escolher seu futuro rei... Mas isto você assiste na "Casa dos Dragões", onde as dobras dos folhelhos e arenitos de Harland também protagonizam como marcas do tempo.
(Crédito da imagem: laura_g_2009 - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, economia, mercado, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, conhecimento, eventos e outros.

22 de agosto de 2022

Notícias em 22/08/2022

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Cabo da Roca
Esta formação rochosa está localizada no Concelho de Sintra, que pertence ao Distrito de Lisboa, em Portugal, no Parque Natural de Sintra-Cascais. No local podem ser observadas rochas como gabro-dioritos, brechas vulcânicas e granitos. Com 140 m de altura, esta falésia abrupta expõe intensa ação erosiva subaérea e um perfil convexo. O Cabo da Roca faz parte no núcleo do Maciço Eruptivo de Sintra, que se formou no Cretáceo Superior. As datações absolutas dão um intervalo de idade de 72-95 milhões de anos. Este cabo, que foi batizado de "Promontorium Magnum" pelos romanos, situa-se no extremo oeste da parte emersa da Serra de Sintra, o ponto mais ocidental da Europa continental. Esta serra resultou de uma intrusão magmática que dobrou e metamorfizou arenitos e calcários sobrejacentes. Deste evento, resultaram xistos e margas que foram sofrendo processo de erosão que acabou revelando o núcleo de rochas magmáticas, principalmente sienitos e granitos. A vegetação envolvente, constituída por matos com características mediterrâneas, é rica em endemismos, incluindo o cravo-romano (Armeria pseudarmeria), o cravo de Sintra (Dianthus cintranus), a cocleária-menor (Ionopsidium acaule) e a cravinha (Silene longicilia). Estes são ameaçados pelo chorão, originário da África do Sul. A região abriga uma fauna diversificada, como o coelho-bravo (Oryctolagus cunniculus), a raposa (Vulpes vulpes), o sardão (Lacerta lepida), a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) e a víbora-cornuda (Vipera latastei). Há ainda aves como a alvéola-branca (Motacilla alba), a felosa-do-mato (Silvia undata) e o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula). No passado (não geológico), apesar de ser relevante ponto de referência para os navegadores, o Cabo da Roca presenciou grandes naufrágios. Um dos maiores perigos é a pedra da Arca, cerca de 900 m a noroeste do cabo, submersa, mas à flor da água. Algumas vítimas foram as seguintes embarcações: a espanhola Nuestra Señora de la Encarnación em 1611, a portuguesa Santa Catarina de Ribamar em 1636, três navios turcos em 1639, a inglesa HMS Medusa em 1798, a inglesa Lunefeld em 1871, a portuguesa Insulano em 1875, a inglesa Anglia em 1907, a turca Elazig em 1981 e a portuguesa Bolama em 1991. Se você for lá, faça geologia ou turismo por terra.
(Crédito da imagem: geoportal.lneg - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
mercado, cooperação, meio ambiente, mineralogia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

21 de agosto de 2022

Notícias em 21/08/2022

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Scarlett Point
Este pequeno promontório está localizado no sul da Ilha de Man, na Escócia, nas proximidades do povoado de Castletown. O Calcário Hodderense predomina em grande parte desta região. É um calcário que já foi muito valorizado na indústria da construção local e como fonte de cal na agricultura da ilha. Sobrejacente a ele, ocorre a Formação Bowland, que aflora na costa de Scarelett Point (imagem acima) em leitos planos ou suavemente dobrados. Ele é principalmente constituído por um argilito hemipelágico escuro, rico em orgânicos, e subordinadamente por wackestones e packstones. São encontrados também leitos detríticos contendo calciturbiditos e olistólitos de calcário biohermal, indicando deposição de deslizamentos de gravidade. Um calcário cinza pálido originado da deposição em ambiente marinho profundo alterna-se com um lamito cinza escuro representando episódios de deposição em condições de falta de oxigênio. Perto dos limites com as camadas de argilito escuro, o calcário torna-se dolomitizado, dando-lhe um aspecto castanho e granulado. A costa rochosa é utilizada como refúgio e área de pesca por aves marinhas, sendo especialmente comuns shags, biguás e gaivotas. Garças ocupam as águas mais rasas e andorinhas sobrevoam a região durante os meses de verão. A flora é típica das charnecas costeiras das ilhas britânicas, com plantas que incluem botões de ouro, campeão do mar e trevo de pássaros.
(Crédito da imagem: Colin Park - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mercado, meio ambiente, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides, eventos e outros.

20 de agosto de 2022

Notícias em 20/08/2022

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Morro Dois Irmãos
Este morro está localizado junto à Favela e à Praia do Vidigal, no RJ, no Parque Nacional da Tijuca. No seu entorno, foi inaugurado em 1992 o Parque Natural Municipal do Penhasco Dois Irmãos. Junto à costa, passa a Av. Niemeyer, que faz ligação entre as praias do Leblon e de São Conrado, no RJ. Este estado, geologicamente, é representado por rochas do embasamento cristalino compreendendo os ciclos orogênicos Transamazônico, do Proterozoico, e Brasiliano, do Proterozoico-Paleozoico. No município do Rio de janeiro, as elevações representam um núcleo de rochas cristalinas, geralmente granito-gnáissicas. O Morro Dois Irmãos é um maciço constituído predominantemente por gnaisse, com granito subordinado. Com uma altura de cerca de 530 m, neste morro fica o mirante Sétimo Céu de onde é possível visualizar as praias de Ipanema, Leblon e São Conrado e também do Arpoador e do Cristo Redentor. Na imagem acima, ao fundo e à esquerda, observa-se a Pedra da Gávea, com o Morro Dois Irmãos em destaque. O nome deste morro vem de sua forma, sendo composto por dois blocos, onde um é chamado Irmão Maior e o outro, Irmão Menor. Outra associação quando à sua forma é feita com as orelhas de Anúbis, o chacal, filho de Nephthys e Osíris, da mitologia grega. Dizem, inclusive, que no outono, em um dia específico, o Sol se põe exatamente atrás do Morro Dois Irmãos, entre as duas orelhas de Anúbis, formando a imagem de uma pirâmide invertida. E, olhando bem, é possível ver uma passagem para o interior da rocha associada a "mundos interiores", onde há túneis ligando diferentes locais do planeta. Bem, talvez seja mais prudente evitar esses túneis e ficar em um mundo de coisas mais sólidas, mas igualmente fantásticas, como ciclos orogênicos, gnaisses e granitos.
(Crédito da imagem: Mcalvet - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, petróleo, mercado, política, justiça, energia alternativa, meio ambiente, terremotos, vulcanismo, arqueologia, ciência espacial, eventos, vagas e outros.

19 de agosto de 2022

Notícias em 19/08/2022

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Quartzito Elba
Este quartzito, também conhecido como Oakley Stone, é um quartzito micáceo de camadas finas encontrado na Cordilheira Albion, em Idaho, EUA. Elba é caracterizado por camadas de quartzito intercaladas com leitos ricos em muscovita. A rocha original foi um arenito rico em quartzo do início do Proterozoico, com sedimentos depositados há 2,5-1,6 bilhões de anos. Cerca de 100-200 milhões de anos atrás, este material sofreu metamorfismo pela pressão dos sedimentos sobrejacentes, assim como pela intrusão do Pluton Almo, ocorrida há 28 milhões de anos. Este pluton está relacionado ao Complexo Metamórfico do Núcleo das Montanhas Albion. Neste processo, camadas de argila intercaladas com o arenito também foram achatadas e metamorfisadas produzindo leitos micáceos. No final do Mioceno, um evento extensional afetou a Cordilheira Albion, deslocou as rochas das Montanhas Jim Sage e Cottrell para leste e formou a bacia do Vale do Rio Raft. A estrutura geral na parte sul da Cordilheira Albion constitui um anticlinal com eixo voltado aproximadamente para o norte. Esta estrutura é refletida nos mergulhos opostos do resistente Quartzito Elba nos lados leste e oeste da Reserva Nacional City of Rocks. Os membros desta dobra têm mais de 3 km de comprimento e mergulham simetricamente cerca de 35 a 40 graus. O anticlinal mergulha para o sul nas proximidades da fronteira sul da Reserva e para o norte perto da extremidade norte do Pluton Almo, antes de se dobrar e subir novamente para o norte. Esta estrutura provavelmente se formou ao longo do Eoceno, antes que o pluton fosse intrudido, já que ele não é deformado. Atualmente, o Quartzito Elba, resistente à erosão, forma um marcador proeminente que se destaca de rochas arqueanas subjacentes, incluindo xistos e quatzitos neoproterozoicos, e delineia a Cordilheira Albion. É um quartzito muito procurado em virtude da espessura de suas camadas que possibilita a extração de lajes finas (imagem menor acima), exceto quanto ele se encontra com dobras como as da imagem maior acima.
(Crédito das imagens: imgur (maior) e nps.gov (menor) - fonte1 - fonte2)

Assuntos do dia
mineração, barragem, petróleo, mercado, gestão pública, água, geologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

18 de agosto de 2022

Notícias em 18/08/2022

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Hierve el Agua
Esta formação rochosa, conhecida como "cachoeiras petrificadas" ou "cachoeiras de sal", tem um desnível de cerca 50 m e está localizada nas proximidades de San Lorenzo Albarradas, em Oaxaca, México, na Serra Madre do Sul. Olhando de longe, parece água congelada em duas cachoeiras, o que seria impossível devido ao clima local. No seu topo, há piscinas naturais que são alimentadas por fontes termais cujas águas são ricas em sulfatos e carbonatos de cálcio, fluindo a cerca de 2 litros/segundo. A medida que esta água escorre pela falésia, vai depositando camadas de travertino que, com o tempo se acumulam em colunas escalonadas. As estalactites que se formam completam a imagem de falsa queda d'água. Seu nome, "a água ferve" em espanhol, justifica-se pela impressão de que a água borbulha nas nascentes e nas piscinas naturais. No estado de Oaxaca, as rochas ígneas mostram efeitos de múltiplos processos tectônicos e as rochas sedimentares do Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico estão presentes com registros paleontológicos. Em Oaxaca, o embasamento cristalino é constituído principalmente por gnaisses e anortositos do Proterozoico, pertencentes ao Complexo Oaxaqueño. São cobertos por rochas sedimentares, vulcânicas e vulcanoclásticas que datam do Cambriano ao Cenozoico. Hierve el Agua é uma área geotérmica de baixa entalpia (conteúdo de calor) que faz parte do cinturão orogênico chamado Província Serra Madre do Sul. Atualmente, as piscinas naturais que abastecem as "cachoeiras", com água entre 21ºC e 25ºC, são visitadas por turistas em busca de banhos com fama de qualidades medicinais. Muito antes, o povo Zapoteca, que viveu na região desde o ano 1300 aC aproximadamente, reverenciava as piscinas e tinha o costume de desviar as águas das nascentes para irrigar suas plantações. Os zapotecas, conhecidos como "la gente de la nube", habitavam o Vale de Oaxaca. Sua capital foi Monte Albán e, posteriormente, Mitla, ambas em Oaxaca. Desenvolveram-se em comunidades agrícolas e suas cidades tinham elevado nível arquitetônico. O local, agora conhecido como "Hierva el Agua", recebeu o nome de "Roaguía", dado pelos zapotecas, tendo o significado de "Boca da montanha de rocha" ("rohua" = "boca" e "guia" = "montanha de rocha").
(Crédito da imagem: Lavintzin - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6 - fonte7)

Assuntos do dia
projeto, mineração, barragem, petróleo, produção, mercado, política, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, eventos e outros.

17 de agosto de 2022

Notícias em 17/08/2022

Imagens em destaque

Lajido de Santa Luzia
O cenário das imagens acima é encontrado na freguesia de Santa Luzia, na Ilha do Pico, a mais jovem do Arquipélago dos Açores, de Portugal. A Ilha do Pico tem aproximadamente 300 mil anos, tendo já sofrido inúmeras erupções vulcânicas. Somente desde que foi povoada, contam-se quatro erupções, incluindo a de Santa Luzia em 1718. São erupções associadas ao Complexo Vulcânico da Montanha do Pico, que produziu diversos campos de lava basáltica bem preservados, produtos de derrames pouco explosivos, com escoamentos do tipo pahoehoe, localmente chamados de "lajes" ou "lajidos". Neles são observadas lavas encordoadas, pahoehoe toes, tumuli, cristas de pressão, tubos de lava e ainda derrames de lava do tipo aa, com sua superfície áspera e cortante, aos quais os locais dão o nome de "biscoito". A intensa atividade vulcânica criou cerca de 130 grutas vulcânicas, sendo a Gruta das Torres a mais conhecida, com mais de 5 mil metros de extensão. É considerada um dos maiores tubos de lava do mundo. O Geossítio Lajido de Santa Luzia faz parte do Geoparque Açores. O Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico integra este geossítio, promovendo a paisagem geocultural local classificada como Património Mundial da UNESCO, em homenagem ao engenho do homem e à sua capacidade de adaptação ao ambiente adverso. Neste cenário, além da produção de aguardente de figo, incluem-se vinhas, adegas, poços de maré (escavados ao longo da costa para captar água doce subterrânea), rola-pipas (rampas talhadas na pedra para facilitar o transporte dos barris até ao porto) e rilheiras (caminhos escavados na rocha). No solo basáltico, em vinhas conhecidas como "currais", são cultivadas as uvas das castas Verdelho, Arinto e Terrantez, com as quais é feito o vinho do Pico. Este vinho chegou à mesa dos czars russos, com primeira referência datada de 1591. Após a ação vulcânica, tudo iniciou quando monges franciscanos e carmelitas improvisaram a engenhosa solução de plantar as videiras nas fendas das rochas.
(Créditos das imagens: José Luís Ávila Silveira e Pedro Noronha e Costa (detalhe da lava) e Vídeo Digital Faria (vista aérea) - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, mercado, cooperação, política, justiça, água, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, conhecimento, eventos e outros.

16 de agosto de 2022

Notícias em 16/08/2022

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Cachoeira da Gruta do Poço Certo
Esta cachoeira está localizada junto à Gruta do Poço Certo, em Lomba Alta, a 16 km do sede do município de Alfredo Wagner, em SC. É abastecida pelas águas do Rio Poço Certo e cai por 42 m em arenitos da Formação Rio Bonito, do Grupo Guatá. A gruta foi criada por erosão diferencial sob a cachoeira. No município afloram rochas da Bacia do Paraná, incluindo os grupos Itararé, Passa Dois e São Bento, além do Guatá, que predomina. Este grupo é representado pelas formações Palermo e Rio Bonito. Esta última é constituída por arenitos, siltitos, argilitos, folhelhos carbonosos, leitos de carvão e conglomerados. Alfredo Wagner está situada em área de serra, na transição entre o planalto e o litoral, estando associada às unidades geomorfológicas Patamares do Alto Rio Itajaí e Planalto de Lages. A primeira predomina com escarpas e patamares que se estabilizam em relevo plano ou ondulado em vales de rios. A vegetação primária é classificada como Floresta Latifoliada da Encosta Atlântica. No passado, Alfredo Wagner foi ocupada por caçadores-coletores e povos Jê meridionais, remontando a presença humana há mais de 9.000 anos.
(Crédito da imagem: turismoalfredowagner - fonte1 - fonte2)

Assuntos do dia
economia, barragem, petróleo, produção, mercado, gestão pública, política, água, energia alternativa, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, asteroides, conhecimento, eventos e outros.

15 de agosto de 2022

Notícias em 15/08/2022

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Nappe de Mondoñedo
Esta estrutura é encontrada na província de Lugo, na Espanha. O nappe de Mondoñedo é uma das principais unidades das zonas internas da Cadeia Hercínica da Península Ibérica. É constituído por metassedimentos do Pré-Cambriano Superior e do Paleozóico. Caracteriza-se por grandes dobras reclinadas, metamorfismo regional de baixo a médio grau e intrusão sincinemática de granitóides A zona de cisalhamento dúctil extensional, desenvolvida na base da folha de empuxo, foi dobrada por dois sistemas de grandes antiformas e sinformas abertas. Há também remanescentes miloníticos que são relíquias da zona de cisalhamento basal. Esta estrutura faz parte do contexto de uma cunha orogênica em evolução dominada pela convergência de placas tectônicas, com importantes heterogeneidades reológicas de grande escala no seu interior. Indícios sugerem que a zona de cisalhamento de Modoñedo estava sendo dobrada na sinforma radial, quando foi cortada pela falha de empurrão desta estrutura. A oeste, o nappe é cortado pela falha de Vivero, datada em 300 milhões de anos. O nappe de Mondoñedo favorece o estudo da evolução de uma grande estrutura alóctone na zona interna de uma cinturão orogênico, incluindo (i) sua geometria, (ii) a relação temporal entre as diferentes estruturas relacionadas, (iii) os mecanismos de deformação das rochas, (iv) as relações entre o desenvolvimento das estruturas, metamorfismo e plutonismo e (v) a ligação entre a história de uma unidade deste tipo e a evolução geral do orógeno. Na imagem acima, observam-se dobras com boudins na nappe de Mondoñedo em Burela, entre Foz e Cadiera, na província de Lugo.
(Crédito da imagem: Jim Talbot - fonte1 - fonte2)

Assuntos do dia
petróleo, mercado, política, energia alternativa, paleontologia, terremotos, vulcanismo, asteroides, eventos e outros.

14 de agosto de 2022

Notícias em 14/08/2022

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Marcas de ondulação
Marcas de ondulação (ripple marks) constituem um conjunto de pequenos sulcos e cristas que produzem superfícies ritmicamente onduladas, com comprimentos de onda centimétricos a decimétricos, principalmente em sedimentos arenosos, mas também nos siltosos. Formam-se em dunas, pela ação do vento, e em ambientes sub-aquáticos, pela ação de ondas e/ou de correntes. Resultam estruturas regulares, transversais à direção do agente que as causou. Quanto à crista, podem ser curtas, intermediárias ou longas e, quanto à forma em geral, podem ser retas, sinuosas, linguóides, catenárias ou em meia-lua, sendo consideradas medidas como altura, comprimento de onda e simetria, entre outras. Quanto à simetria, podem ser simétricas (mais típicas do vai e vem de ondas em lâmina d'água rasa) ou assimétricas (comuns quando a ondulação é formada por fluxo de corrente, eólico, fluvial, de canal de maré ou outros). As assimétricas, além de definir a sequência estratigráfica (pontas mais agudas ou cúspides destas feições apontam para cima na estratigrafia, embora, nos moldes, estas pontas correspondam a reentrâncias apertadas), permitem determinar o rumo preferencial da corrente eólica ou aquática (o lado mais íngreme é o lado contrário ao do fluxo). Marcas de ondulação estão presentes em diversos ambientes, de mares profundos a plataformas continentais, em estuários e praias da costa, em áreas varridas pelo vento, como desertos arenosos áridos, e até mesmo em campos de neve e em depósitos de tsunami. Os mais antigos registros são encontrados em depósitos de maré siliciclásticos formados há 3,2 bilhões de anos. Os mais longínquos foram observados em Marte. As marcas de ondulação da imagem acima são encontradas na Formação Foreknobs, na província de Valley and Ridge, em West Virginia, EUA. Esta formação é uma unidade do Devoniano Superior depositada em condições relativamente rasas próximas à costa, junto ao delta de Catskill, durante a Orogenia Acadiana. A formação tem uma espessura de 400 a 690 m e é constituída por um pacote de siltitos e arenitos com intervalos de lamitos micáceos e folhelhos. Na imagem acima, à esquerda, são observadas marcas simétricas provavelmente representando ondas oscilantes. À direita aparecem marcas onde provavelmente um conjunto interferiu no outro ampliando e cancelando efeitos.
(Crédito da imagem: Callan Bentley - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
petróleo, energia alternativa, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, asteroides e outros.

13 de agosto de 2022

Notícias em 13/08/2022

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Falésias de Yesnaby
Estas falésias são encontradas em Yesnaby, um trecho de Sandwick entre Stromness e Skara Brae, na costa oeste de Orkney Mainland, a principal ilha do Arquipélago Órcades ("Orkney islands"), no norte da Escócia. A região deste arquipélago, há 400 milhões de anos, ficava em latitudes equatoriais onde o clima era seco e quente e onde surgiram desertos ao longo das margens do Lago Orcadie, um lago de água doce. Um material constituído por lama e areia se depositou oriundo da erosão em regiões próximas mais elevadas. Assim, os já existentes granitos, gnaisses e xistos do embasamento foram cobertos e, ao longo de milhões de anos. restos de peixes foram fossilizados no leito daquele lago. Estes sedimentos, 20 milhões de anos depois, já haviam se transformado no Old Red Sandstone (ORS) no norte e leste da Escócia. A atividade tectônica subsequente produziu dobras e falhas nas rochas, gerando cadeias de colinas simultaneamente com extravasamento de fluxos de lava. As colinas sofreram, então, milhões de anos de erosão e submersão parcial pelo mar. Os remanescentes destas colinas estão presentes no Arquipélago Órcades. O embasamento ainda aflora no arquipélago no norte e oeste de Stromnes, em Graemsay e mesmo em Yesnaby. Com exceção destes afloramentos, há grande predomínio de rochas sedimentares do Devoniano suavemente inclinadas pertencentes ao ORS. Estas rochas sofreram a ação de várias eras glaciais do Quaternário, tendo a última ocorrido por volta de 18.000 anos atrás. A costa de Yesnaby é conhecida pelo cenário de falésias com pilhas marinhas e pináculos formados pelo Arenito Yesnaby, que faz parte do ORS. Nestas falésias, tem destaque o chamado "Castelo Yesnaby" ("Yesnaby Castle", isolado na imagem acima), uma pilha marinha que enfrenta as ondas do Oceano Atlântico. Órcades também abriga alguns dos sítios neolíticos mais antigos e mais bem preservados da Europa, incluindo o "Heart of Neolithic Orkney", que é Patrimônio Mundial da UNESCO. Durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, um grande número de estações de defesa costeira da Marinha Real britânica foram instaladas ao longo das falésias de Órcades, inclusive nas de Yesnaby. A maioria estava armada com canhões antiaéreos e torres de holofotes para identificação de aeronaves inimigas.
(Crédito da imagem: Julian Paren - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
petróleo, produção, mercado, fiscalização, política, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, asteroides, conhecimento e outros.

12 de agosto de 2022

Notícias em 12/08/2022

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O jaspilito de Carajás
As jazidas de minério de ferro da Província Mineral de Carajás, uma das mais importantes províncias minerais do mundo, estão localizadas na porção leste-sudoeste do PA, na parte leste do craton amazônico. Esta província é dividida em dois blocos tectônicos arqueanos: o terreno granito-greenstone Rio Maria, ao sul, e o cinturão de cisalhamento Itacaiúnas, ao norte. Na província, caracterizada por depósitos de minério de ferro e de outros minerais, o Grupo Grão Pará (do Supergrupo Itacaiúnas) aflora ao longo dos flancos da dobra Carajás, uma estrutura sinclinal. No flanco norte desta dobra são encontrados os depósitos de minério de ferro da Serra Norte e no flanco sul, os depósitos da Serra Sul. Os depósitos da Serra Norte, mais conhecidos, são numerados de N1 a N9. Estes depósitos estão hospedados em sequência metavulcano-sedimentar do Neoarqueanao, pertencente à Formação Ferrífera Carajás do Grupo Grão Pará. Os minérios se caracterizam pelos tipos hematita-martita e hematita, podendo ser bandados, maciços e/ou brechados, estando intercalados em rochas vulcânicas máficas do Grupo Grão Pará. O minério de ferro com alto teor, com idade paleoproterozoica, é encontrado em jaspilitos, principalmente na Serra Norte. Eles constituem um tipo de Formação Ferrífera Bandada (BIF - Banded Iron Formation) com alternâncias de quartzo microcristalino e jaspe vermelho com hematita esferulítica, maghemita, martita e magnetita subordinada. Vários graus de alteração hidrotermal afetaram o jaspilito, produzindo o minério de ferro. Esta mineralização envolveu fluidos hidrotermais provavelmente em condições epizonais, preservados em condições crustais rasas e de baixa temperatura. A permissão de manejo dos recursos naturais é amparada por programas de Plano Diretor elaborado pelo Ibama na área da Reserva Florestal de Carajás, criada 1998. Nesta Unidade de Conservação, a principal cobertura vegetal é a "Floresta Ombrófila Aberta". Nas áreas escarpadas predomina a "Floresta com cipó", que se caracteriza por uma biomassa mediana com baixa densidade. Nos platôs a floresta é mais densa. São identificadas mais de 230 espécies pertencentes a avifauna, 6 espécies de primatas, mais de 30 espécies de ofídios e 37 espécies de morcegos. A densidade populacional dos insetos é da ordem de cem mil indivíduos por km². Por outro lado, o lado da mineração, o teor do minério de ferro mais rico na Província Mineral de Carajás é de mais de 65% Fe. Na imagem acima, observa-se um detalhe do jaspilito da cava da Mina N4E, da Serra Norte.
(Crédito da imagem (figura 3c, Artigo 1 da fonte1): Ana Paula Justo - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
projeto, mineração, barragem, petróleo, produção, mercado, gestão pública, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, asteroides, eventos e outros.

11 de agosto de 2022

Notícias em 11/08/2022

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Complexo Santa Quitéria
O complexo granitoide Santa Quitéria representa um arco magmático continental localizado no noroeste da Província de Borborema, no CE. Este arco neoproterozoico possui forma sinuosa, com eixo maior na direção NNE-SSW e comprimento de cerca de 220 km. Ele se instalou, por subducção, na placa cavalgante representada pelo Domínio Ceará Central. O arco magmático está inserido em um contexto de convergência e colisão resultantes de sucessivos episódios tectometamórficos, com formação de granitos de subducção e colisão, embricamento tectônico e metamorfismo reverso, transcorrências, anetexia, magmatismo granítico pós-tectônico e depósitos vulcano-sedimentares molássicos. É produto de evolução de vários arcos magmáticos, desde um arco juvenil (há 870-800 milhões de anos) até a colisão continental (há 625-600 milhões de anos). O arco magmático Santa Quitéria é composto por uma série de corpos com composição de sienogranitos a quartzos monzodioritos, com diferentes intensidades de migmatização (diatexitos e metatexitos) e deformações. A presença de magmatismo com afinidade mantélica e diatexitos sugerem que a manifestação magmática evoluiu em ambiente colisional, associada ao processo de rompimento da placa tectônica durante a amalgamação da porção oeste do supercontinente Gondwana. Na imagem acima, observa-se um biotita gnaisse migmatizado com granada e bandas dobradas encontrado na borda leste do arco magmático Santa Quitéria, no município de Apuiarés, CE. Aliás, o nome desta cidade tem origem nos indígenas Tapuaias, que habitavam a região, e significa "raiz com gosto de fruta" ("apu" = "raiz, origem" e "are" = "gosto de fruta"). Uma origem bem diferente tem o substantivo "gnaisse". Ele vem do inglês "gneiss", que deriva do alemão "gneis", que já era usado por Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). A palavra alemã deriva do termo de mineração "Geneuß", possivelmente vindo do tcheco "hniso" e do russo "gnisdo", significando "ninho", fazendo referência aos agregados minerais em forma de ninho na rocha.
(Crédito da imagem: Alexis Lourenço e Ticiano Santos - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

Assuntos do dia
mineração, petróleo, mercado, fiscalização, infraestrutura, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides, conhecimento, eventos e outros.

10 de agosto de 2022

Notícias em 10/08/2022

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Parque Nacional Kennedy Range
O Parque Nacional Kennedy Range está localizado a cerca de 830 km ao norte de Perth e cerca de 150 km a leste de Carnarvon, na Austrália Ocidental. Cobre uma área de aproximadamente 1.400 km², estendendo-se ao norte do rio Gascoyne por cerca de 100 km, com uma largura entre 20 e 30 km de leste a oeste. A escarpa oriental da Cordilheira Kennedy tem até 100 m de altura com numerosos desfiladeiros não muito longos. Por outro lado, a margem ocidental foi mais dissecada apresentando riachos que se estendem por cerca de 15 km a partir da dela. Os afloramentos rochosos da Cordilheira Kennedy mostram evidências de muitas fases de mudanças climáticas, desde a glaciação de 300 milhões de anos (quando a Austrália estava mais próxima do Polo Sul, fazendo parte do Gondwana) até climas mais quentes e úmidos recentes, quando grande parte dos "ironstones" (lâminas e nódulos duros, pretos e marrons, criados por precipitação de óxido de ferro) e dos "mookaites" (pedras ornamentais encontradas a oeste da cordilheira) se formaram. Há 275-265 milhões de anos (no Permiano médio), camadas sucessivas de areia, lodo e lama começaram a ser depositadas em uma estreita via marítima que se abria para o norte e que se estendia ao longo da borda ocidental do oeste da Austrália, na época, provavelmente até o sul da atual posição de Perth. Fósseis marinhos confirmam que esta área já esteve sob o mar. Aquelas camadas começaram a se solidificar logo após serem depositadas quando novos sedimentos foram sendo acrescentados, um processo que continuou por vários milhões de anos. A cordilheira começou a se desenvolver há 240-130 milhões de anos (do Triássico ao Cretáceo Inferior), quando as rochas da área foram dobradas, inclinadas, soerguidas e erodidas, especialmente quando o Gondwana começou a se fragmentar. A elevação inicial foi suave, com pouca dobra associada, mas os movimentos se intensificaram quando a Austrália e a Índia finalmente se separaram, há cerca de 130 milhões de anos. Uma última fase de erosão que criou o platô atual teve início antes de 25 milhões de anos atrás. Neste local acidentado e remoto, o vento e a água esculpiram e continuam a modelar as rochas, fazendo cair pedregulhos nas trilhas a partir das falésias de arenito. Na imagem acima aparece um detalhe da Desfiladeiro Honeycomb, pertencente ao parque, com a textura em favo de mel que lhe dá nome. O intemperismo em favo de mel se desenvolveu a partir da ação do sal e do vento em ambiente costeiro e semiárido. A umidade e espaços porosos permitiram que o sal penetrasse na rocha e, depois de muitos ciclos de umedecimento e secagem, houve cristalização de fluidos salgados e grãos de rocha foram retirados pelo vento produzindo as concavidades que caracterizam esta textura.
(Crédito da imagem: Governo da Austrália Ocidental - fonte)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, produção, mercado, gestão pública, política, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides, eventos e outros.

9 de agosto de 2022

Notícias em 09/08/2022

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A Falha do Ponsul
Na imagem acima, a Falha do Ponsul é visualizada no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, em Portugal. Seu nome tem origem no Rio Ponsul que corre na região e que, em longo trecho, segue lado a lado com a escarpa que produz significativo degrau na paisagem. Dois terços do percurso desta falha acontecem em território português, onde, em certos pontos, alcança desníveis de mais 150 m do sopé ao topo. Estende-se desde a Serrinha, no Arneiro, junto a Vila Velha de Ródão, e segue para nordeste até Monfortinho, no município de Idanha-a-Nova. Mas não termina aí, continua em território espanhol. No trecho português, com 4 segmentos, estende-se por 82 km. O 5º segmento (Segmento Moraleja) está localizado na Espanha, onde continua por mais 36 km. A Falha do Ponsul constitui um evento tectônico do Maciço Ibérico, sendo uma das mais importantes estruturas geológicas que atravessa o território do Geoparque Naturtejo. Tem direção geral N60°E e mergulho médio de 55ºNW (com variação entre 80ºNW e 25ºNW). Esta falha movimentou algumas regiões, na horizontal, em até cerca de 1,5 km a partir de suas origens, como é o caso do monte de São Martinho, em Castelo Branco. Teve movimentação inversa e esquerda, o que pode ser comprovado pelo rejeito das cristas quartzíticas da sinclinal de Penha Garcia e dos metaconglomerados do Grupo das Beiras. Sua profundidade máxima é de 25 km, inferida a partir de sismicidade regional e de modelos reológicos da litosfera. Seu plano é ondulado e algumas porções apresentam grande sinuosidade, separando segmentos escalonados em degraus. Falhas de transferência estão associadas e normalmente são direitas. Ao longo de quase toda esta falha, há o contato entre terrenos do maciço rochoso varisco e depósitos cenozoicos. Sua escarpa está melhor preservada nos terrenos graníticos, como acontece em Idanha-a-Nova, onde há uma diferença de cotas de pelo menos 170 m, entre os dois blocos. A origem da Falha do Ponsul remonta há cerca de 300 milhões de anos, quando placas tectônicas colidiram para formar o supercontinente Pangea, já em fase tardia da Orogenia Varisca. O degrau que separa a superfície de Castelo Branco e a do Alto Alentejo foi produzido apenas há 10 milhões de anos. Foi uma reativação que ocorreu em movimento vertical inverso. A escarpa desta falha, elemento dominante no relevo regional, fez surgir um desnível na topografia que foi adotado como defesa natural para o Castelo de Idanha-a-Nova, assim como para outras estruturas defensivas ao longo de toda a sua escarpa. Ela esboça a primeira elevação do planalto da Meseta em direção à Cordilheira Central da Península Ibérica, distinguindo a superfície de aplanação do Alto Alentejo, ao Sul, em relação à Plataforma de Castelo Branco, mais alta, ao Norte. A Falha do Ponsul desnivela antigas províncias portuguesas, evidenciando diferenças de solo e, consequentemente, o que se consegue obter de proveito dele. Ela demarca o trecho a partir do qual começa um outro Portugal, ausente de planícies e repleto de vales e montanhas, transformando por exemplo Idanha-a-Nova em um conjunto de múltiplos miradouros.
(Crédito da imagem: A. J. D. Sequeira / LNEG - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

Assuntos do dia
mineração, produção, mercado, fiscalização, justiça, energia alternativa, geologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, asteroides, eventos e outros.

8 de agosto de 2022

Notícias em 08/08/2022

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Varves e terremotos
Varve é um conjunto de finas camadas sedimentares clásticas alternadas, sendo uma depositada no inverno, mais fina, constituída de silte e/ou argila, e outra depositada no verão, mais grossa, formada por silte, areia fina a média ou até grossa. Desta forma, este conjunto, com suas camadas claras e escuras, funciona como registro anual de deposição de sedimentos. Assim, em casos ideais, é possível contar anos de deposição, como se faz com a contagem dos anos de crescimento dos anéis das árvores. As varves podem estar presentes em corpos de água salgada, como no Mar Morto. Este icônico mar está localizado ao longo da Falha Transformante do Mar Morto (FTMM), que separa as placas tectônicas da Arábia e do Sinai. Atividade sísmica ao longo da FTMM tem sido detectada e também registrada histórica e arqueologicamente nos últimos 4.000 anos. Um problema de longa data na reconstrução tectônica da FTMM é a aparente lacuna entre a taxa de movimento das placas tectônicas de longo prazo ao longo das principais falhas e a liberação do momento sísmico. Há, no entanto, indícios que podem ser estudados. Em camadas de sedimentos do Mar Morto, encontram-se subintervalos deformados, presumivelmente devido a terremotos gerados por movimentos ao longo da FTMM. Sedimentos lacustres laminados da bacia do Mar Morto fornecem registros da variabilidade climática na região leste do Mediterrâneo, que podem sugerir se o clima foi seco ou não, se houve inundações ou não. Além de estudos de séries temporais de mudanças climáticas, é possível estudar a ocorrência de terremotos. Por exemplo, a abundância de depósitos de transporte de massa, como turbiditos e estruturas em queda, são registros importantes. No caso do Mar Morto (e de outros locais), algumas varves podem ser ambíguas, não permitindo a contagem do tempo e, em consequência, não favorecem a determinação do ano exato em que algum evento aconteceu. Às vezes, elas viabilizam apenas a estimativa de um período de vários anos da ocorrência do evento. Em outros casos, não há ambiguidade. Varvitos coletados nas proximidades da praia de Ein Gedi, no lado ocidental do Mar Morto, dão indícios de terremotos a partir de duas principais suposições: (i) os sedimentos são varridos e padrões sazonais de laminação de precipitados esbranquiçados de verão (principalmente aragonita, mas também em alguns casos gesso e halita) e detritos cinzas de inundações de inverno e primavera em wadis (leitos secos de rios) podem ser contados como um varve, ou seja, um ano de deposição; e (ii) camadas brechadas, também conhecidas como brechas intraclastos e camadas mistas, ou sismites, são interpretadas como geradas pela deformação de camadas de varve devido à agitação sísmica. Assim, uma história sísmica do Holoceno na região da FTMM é estabelecida através da datação por radiocarbono e da contagem anual de lâminas. Os dados fornecem excelente concordância entre estruturas sedimentares perturbadas (identificadas como relacionadas a sismos) e o registro histórico de terremotos. Eventos fortes recentes e históricos da área foram identificados, incluindo os principais terremotos registrados nos anos 31aC, 749, 1033, 1212, 1837 e 1927. Na imagem acima, observa-se um afloramento da região do Mar Morto com uma camada de varve perturbada por terremoto.
(Crédito da imagem: Daki - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, mercado, energia alternativa, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, asteroides e eventos.

7 de agosto de 2022

Notícias em 07/08/2022

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Serra de Itabaiana
O Parque Nacional da Serra de Itabaiana, criado em 2005 em uma área de 7.966 ha, abrange os municípios sergipanos de Areia Branca, Itabaiana, Laranjeiras, Itaporanga D`ajuda e Campo do Brito. Composto por biomas da Mata Atlântica e da Caatinga, é a região mais elevada da topografia de SE, alcançando 659 m de altitude. A Serra de Itabaiana faz parte do domo de mesmo nome, que configura uma das feições mais marcantes na geomorfologia sergipana. O Domo de Itabaiana, na porção central de SE e na maior parte localizado na Província de Borborema, é constituído por seguimentos de cinturão orogênico inserido na Faixa de Dobramentos Sergipana. Este domo tem em sua composição um complexo de rochas plutônicas e estruturas de cisalhantes referentes ao Ciclo Brasiliano. Na Serra de Itabaiana são identificadas as seguintes formas de relevo: Serra Residual, Crista Residual, Encosta com Cobertura Coluvial, Pedimento Estruturado a 250 m, Pedimento Estrturado a 200 m e Relevo Dissecado de Topo Convexo. Na porção residual, com morfologias alongadas em cristas, são encontradas rochas da Formação Itabaiana, incluindo quartizitos e metarenitos e metaconglomerados. Na serra, a leste da cidade de Itabaiana, é encontrada uma não-conformidade caracterizando o contato entre rochas ortognáissicas do embasamento (aflorante na parte central do Domo de Itabaiana) e metarenitos conglomeráticos com corpos lenticulares de metaconglomerados, que fazem parte da Formação Itabaiana. Em tupi, o nome compartilhado por esta formação, pela cidade, pela serra e pelo domo, significa "naquela pedra mora alguém", sendo "ita" = "pedra", "taba" = "aldeia" e "oane" = "alguém". Fica, assim, comprovado geográfica e etimologicamente que a sergipana Itabaiana não tem nada a ver com a Bahia. Esta, por sinal, tem origem na forma arcaica de "baía", em referência à "Bahia de Todos-os-Santos", que hoje é "Baía de Todos-os-Santos". Já, a palavra "baía" vem de "ribaia" do idioma quimbundo, mas este já é outro assunto e bem diferente.
(Crédito da imagem: Demóstenes Pereira - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, produção, mercado, fiscalização, energia alternativa, meio ambiente, geologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia e ciência espacial.

6 de agosto de 2022

Notícias em 06/08/2022

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Dobras no Cânion Kings
Este cânion faz parte do Parque Nacional Kings Canyon, fundado em 1940. Este parque oferece uma ótima visão da geologia de Sierra Nevada, nos EUA. Outra atração o mármore com dobras intrincadas (da imagem acima) que pertence ao Terreno Kings (ou Kaweah), em cujas rochas se desenvolveram também as cavernas encontradas no cânion, como a Caverna Boiden. O Cânion Kings, com seus desfiladeiros de mármore e quartzito, além de lamitos e argilitos de uma mar há muito desaparecido, é um dos cânions mais profundos da América do Norte. As rochas da região foram enterradas, aquecidas e torcidas em uma série de dobras, que se destacam no mármore da imagem acima. O Terreno Kings foi varrido para uma zona de subducção que existiu ao largo da Califórnia Central nos tempos triássico-jurássicos. Ele inclui, além das rochas já citadas, outras como arcósias, margas, calcarenitos, xistos e filitos. Ocorrem fósseis esparsos, principalmente crinóides e amonites. O Parque Nacional Kings Canyon tem outra atração, ele abriga a maior árvore da Terra, a General Grant.
(Crédito da imagem: callanbentley - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, danos, petróleo, mercado, justiça, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides, ensino e outros.

5 de agosto de 2022

Notícias em 05/08/2022

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Tefras do Chimborazo
A imagem acima mostra um corte, de cerca de 12 m de altura, na estrada entre Guaranda e Riobamba, no Equador. Observa-se uma discordância angular erosiva resultante de um avanço glacial há cerca de 20.000-18.000 anos. Ela separa duas sequências de camadas de tefras do Pleistoceno do vulcão Chimorazo. Este estratovulcão, que teve sua última erupção por volta do ano de 550, está localizado na província de mesmo nome, no Equador, 30 km a noroeste de Riobamba e 150 km ao sul de Quito. Compondo uma estrutura predominantemente andesítica-dacítica, seu cume é o mais elevado da região norte dos Andes, alcançando a altitude de 6.261 m. Na verdade, Chimborazo é o ponto mais distante entre o centro da Terra e a superfície do nosso planeta, já que está localizado em uma protuberância equatorial. Este vulcão produziu uma sequência de tefras no Planalto Ocidental, no Equador, desde o vale do Rio Colorado, no norte, até a Quebrada Chorrera e o Rio Chimborazo, no sul. Esta sequência cobriu uma área de 120-140 km², correspondendo a um volume de 1,8-2,1 km³ de material. Estas medidas, porém, não são precisas devido ao retrabalhamento que aconteceu durante as glaciações do Pleistoceno. As sequências de tefras são constituídas por pelo menos 46 camadas, cada uma com no mínimo 10 cm de espessura (23 delas com mais de 25 cm de espessura). Elas compreendem quatro subunidades delimitadas por três discordâncias erosivas produzidas por avanços glaciais entre cerca de 33.000 e 14.000 anos atrás. O conjunto todo inclui escórias andesíticas, além de líticos vítreos, cinzas e bombas de escória vesiculadas. Há uma lenda local que conta que os vulcões (masculinos) Chimborazo e Carihuairazo amavam o vulcão (feminino) Tungurahua. Para resolver a questão, os vulcões (masculinos) passaram a brigar entre si atirando pedras um no outro. Chimborazo venceu. Esta lenda é coerente com a cronologia de eventos dos dois vulcões (masculinos). Realmente, as lavas do Chimborazo cobriram as do Carihuairazo, que são mais antigas. De qualquer forma, o vulcão (masculino ou não) Chimborazo faz parte da Reserva de Produção Faunística Chimborazo que forma um ecossistema protegido para preservar o habitat dos camelídeos nativos dos Andes, incluindo vicunhas, lhamas e alpacas.
(Crédito da imagem: The Writer in Black - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, barragem, petróleo, produção, mercado, fiscalização, cooperação, política, água, energia alternativa, meio ambiente, paleontologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, eventos e outros.

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