"O presente é a chave para o passado"
James Hutton

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24 de dezembro de 2020

Pálido ponto azul

Compilado por Marco

Imagem com o título "Pale blue dot" ("Pálido ponto azul") que mostra uma região do Universo, onde é possível ver um ponto mais claro aproximadamente no centro da faixa mais à direita (Fonte: Wikipedia). Esta foto, obtida em 1990 pela Voyager 1, foi montada a partir de 60 fotogramas. A distância entre a Voyager e a Terra era de 6 bilhões de quilômetros, que é 40,5 vezes maior que a distância entre a Terra e o Sol. A Terra aparece com o tamanho de 0,12 pixel. As faixas visíveis são produzidas por difração dos raios de luz solar capturados pela lente da câmera. 

A expressão "pálido ponto azul" refere-se à insignificância da Terra, quando vista do espaço ou quando estamos conscientes disto.

Considerando a insignificância de tudo, trato de definições e etimologia, da origem da expressão, de Carl Sagan e da Voyager 1.

18 de fevereiro de 2020

Amazônia Legal: a geologia e a mineração e seus impactos

Por Marco Gonzalez

Localização da Amazônia Legal, em verde escuro (Fonte do mapa-mundi: NASA)

A seguir, são apresentadas as diversas Amazônias, especialmente a Amazônia Legal, e sobre esta são relatados dados referentes aos seguintes temas:
  • áreas protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas);
  • geologia (províncias estruturais e predomínio de tipos de rochas em superfície);
  • recursos minerais (principais depósitos e ocorrências minerais, reservas, minas, produção de principais substâncias metálicas e produção de óleo e gás);
  • impactos negativos e positivos e
  • potencial mineral, com densidade de requerimentos de pesquisa e lavra e notícias sobre o setor na Amazônia Legal.

18 de novembro de 2019

As três primeiras minas brasileiras de cobre nos séculos XIX e XX: geologia e mineralização

Por Marco Gonzalez

As ocorrências encontradas no século XIX se transformaram nas primeiras jazidas brasileiras de cobre no Brasil:
  • Mina de Pedra Verde, no Ceará;
  • Minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul; e
  • Mina da Caraíba, na Bahia.
Amostras de calcopirita (9 cm x 3 cm), à esquerda, e de Calcosina (8 cm x 4 cm), à direita, das Minas do Camaquã (fonte: Gonzalez)

Por suas importâncias econômicas, a geologia e a mineralização de cada uma foram objetos de intensos estudos. Segue um resumo dos resultados obtidos.

As três primeiras minas brasileiras de cobre nos séculos XIX e XX: reservas e produções

Por Marco Gonzalez

Tiveram significativa importância as reservas e as produções das primeiras minas brasileiras de cobre:
  • Mina de Pedra Verde, no Ceará;
  • Minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul,  e
  • Mina da Caraíba, na Bahia.
Carregador Eimco Rocker Shovel (incompleto) e vagonetas Granby-Car, maquinário para transporte do minério utilizado antes da expansão das Minas do Camaquã (cortesia do blog diegoelaisaporaidemoto)

Seguem algumas considerações sobre as reservas e as produções destas minas.

As três primeiras minas brasileiras de cobre nos séculos XIX e XX: impactos ambientais

Por Marco Gonzalez

A mineração deve buscar a minimização do custo/benefício em todos os aspectos, inclusive os relacionados aos impactos ambientais, que são inerentes a ela. Não fogem deste contexto as primeiras minas brasileiras de cobre no Brasil:
  • Mina de Pedra Verde, no Ceará;
  • Minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul; e
  • Mina da Caraíba, na Bahia.
Instalações da Mineração Caraíba na década de 1990 (cortesia da Mineração Caraíba)

Seguem algumas considerações sobre impactos ambientais relacionados a estas três minas.

As três primeiras minas brasileiras de cobre nos séculos XIX e XX: suas histórias

Por Marco Gonzalez

Datam do século XIX as primeiras ocorrências de cobre encontradas no Brasil:
  • Mina de Pedra Verde, no Ceará, em 1833;
  • Minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul, em 1865; e
  • Mina da Caraíba, na Bahia, em 1874.
A Mina de Pedra Verde está localizada na base da Serra da Ibiapaba, no distrito de General Tibúrcio do município de Viçosa do Ceará, no estado cearense. Esta mina foi explorada com algumas interrupções por 107 anos, de 1880 a 1987.

As Minas do Camaquã estão localizadas no 3° distrito de Caçapava do Sul, a 70 km da sede do município. A jazida fica a 300 km do porto de Rio Grande, por onde o concentrado de cobre produzido era enviado para a metalurgia da Caraíba Metais, em Camaçari, na Bahia. As Minas do Camaquã foram exploradas também com algumas interrupções por 126 anos, de 1870 a 1996.

Vista da Vila São Luiz, nas Minas do Camaquã, em 1977. Em primeiro plano, mais à esquerda e abaixo, é possível ver o silo e o viaduto utilizado para transporte do minério por vagonetas, construídos pelos belgas por volta do ano 1900 (fonte: Gonzalez)

A terceira mina, constituída pelo depósito de cobre da Mineração Caraíba, está localizada no Distrito de Pilar, município de Jaguarari, no norte da Bahia, no Vale do Curaçá. Este depósito é explorado desde 1974.

21 de setembro de 2019

Cobre: aplicações, reservas e produção

Por Marco Gonzalez

Amostra de cobre de 26,4x13,4x4,4 cm de Keweenaw, Michigan, EUA, com raros cristais cúbicos (de 2 cm), aglomerados reticulados de cristais retilíneos alongados e cristais retorcidos de outros hábitos (fonte: Lavinsky)

Entre 7 e 10 mil anos atrás, nossos ancestrais descobriram que o cobre era maleável e permitia peças afiadas, sendo trabalhado mais facilmente que as pedras na elaboração de ferramentas, ornamentos e armas. Provavelmente, o primeiro metal manipulado pelos seres humanos tenha sido o cobre, com seu brilho avermelhado. Esta preferência talvez se explique porque, além do ouro, ele é o único metal que possui cor natural diferente do cinza ou do branco dos outros metais. Um pequeno furador de cobre de 5100 aC, descoberto no Oriente Médio, é o objeto de metal mais antigo já encontrado.

Idade do Cobre (também conhecida como período calcolítico) iniciou no 5º milênio aC (embora não se saiba com precisão) e se caracterizou por grande evolução da civilização, marcando o surgimento das sociedades agrometalúrgicas. Acredita-se que os sumérios, por volta de 3.300 aC, passaram a misturar cobre com estanho produzindo a liga que daria nome ao período que se seguiu: a Idade do Bronze.

O nome do metal vem do latim "cuprum" que deriva da expressão "aes Cyprium" ("um metal de Chipre"). Justifica-se esta origem porque, durante a era romana, Chipre foi o principal fornecedor de cobre para o mundo.

Na América do Sul, as civilizações pré-colombianas maias, astecas e incas, também exploravam o cobre. Na China, Índia e Japão, obras de cobre e bronze tiveram grande aceitação na Idade Média. O cobre teve um papel muito importante no desenvolvimento da civilização. Tornou-se um metal industrial devido às suas propriedades (isoladas ou combinadas) de alta ductilidade, maleabilidade e condutividade térmica e elétrica, além da resistência à corrosão.

O cobre é o terceiro metal mais utilizado no mundo, atrás do ferro e do alumínio. Ele maximiza o desempenho dos produtos que o contêm, ajudando a economizar energia, CO₂, dinheiro e vidas.

Informações úteis podem ser conseguidas no guia para cobre de commodity.com.

6 de setembro de 2019

Sol e Terra: um relacionamento de vida e morte - Parte I

Por Marco Gonzalez(Atualização em 17/08/2026)

O Sol com a ejeção de massa coronal de 31/08/2012 em foto captura pelo Solar Dynamics Observatory, instalado em satélite do programa "Living With a Star" da Nasa. A Terra, que talvez tenha passado desapercebida, encontra-se no canto inferior esquerdo da imagem, em montagem com tamanho da Terra e do Sol em escala, mas, para nosso planeta aparecer na foto, a uma distância do Sol aproximadamente 320 vezes menor que a real.
(Imagem adaptada de: nasa).

O relacionamento entre o Sol e a Terra é muito antigo. Conhecendo-se cada um dos dois e o que se passa entre eles, constata-se que pode ser um caso de vida e morte. Ou não?

Sol e Terra: um relacionamento de vida e morte - Parte II

Por Marco Gonzalez(Atualização em 21/08/2026)

Fluxo de gás ionizado Sol que passa pela Terra a partir de uma ejeção de massa coronal, com as partículas em linhas amarelas conectando o Polo Norte e as azuis, o Polo Sul da Terra. Imagem do filme "Dynamic Earth: Exploring Earth's Climate Engine", que utiliza dados de modelos do clima espacial baseados em evento real de ejeção de massa coronal dezembro de 2003.
(Crédito: NASA)

Visto da Terra, o Sol parece uma estrela média bastante estável, com variações regulares através de um ciclo de manchas solares que aparecem e desaparecem a cada onze anos. Observado do espaço, o Sol revela outros fenômenos, como a luz ultravioleta, os raios X e os raios gama, radiações muito sensíveis às erupções e a outras atividades solares. Estudado mais de perto, percebe-se que o Sol é um lugar de violentos distúrbios, com movimentos imprevisíveis acima e abaixo de sua superfície visível. Além disto, séries e registros históricos têm revelado que o Sol se comportou no passado de modos estranhos e inexplicáveis. São verdades que podem abalar um relacionamento [ntrs_nasa, 2013; bhp_intro, 2026].

23 de junho de 2019

O mineralogista José Bonifácio de Andrada e Silva

Por Marco Gonzalez

Devido à sua carreira política, José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) é mais conhecido como o Patriarca da Independência do Brasil, porém merece ser também lembrado por suas contribuições na área das ciências, mais especificamente na mineralogia. Ele é considerado o primeiro geólogo das Américas e pode-se dizer que também foi o primeiro geólogo e mineralogista português.

Um único cristal de andradita da região de Kayes, Mali (Wikimedia)
O mineralogista americano James Dwight Dana, em reconhecimento ao trabalho de José Bonifácio, na área da mineralogia, batizou em 1868 como andradita esta espécie de granada de ferro e cálcio.

Filho de Bonifácio José Ribeiro de Andrada e Maria Bárbara da Silva, José Bonifácio nasceu em 13 de junho de 1763 na vila de Santos, no litoral da Capitania de São Paulo, e faleceu em 1838 deixando poucos bens além de uma biblioteca com 6 mil volumes. Foi notável homem público, mas também estudioso e pesquisador do mundo natural.

6 de junho de 2019

A Terra pulsante - Parte V: o ciclo geomorfológico

Por Marco Gonzalez(Atualização em 06/08/2026)

O Grand Canyon, no Arizona, EUA, e o rio Colorado, um dos agentes responsáveis pela evolução daquela paisagem.
(Crédito: Doc Searls).

Nesta série de textos sobre a Terra pulsante ainda cabe a análise de outro tipo de ciclo da natureza, desta vez relacionado à evolução das paisagens: o Ciclo da Erosão (com ênfase fluvial). Ele pode ser encontrado no estágio final do Ciclo de Wilson.

A construção e o aprimoramento dos modelos de evolução das paisagens são objetivos centrais da geomorfologia. Neste sentido, o geógrafo, geólogo e meteorologista americano William Morris Davis (1850-1934) introduziu o fator tempo neste contexto, estabelecendo uma sistemática de transformações das formas de relevo passando pelos estágios de juventude, maturidade e senilidade. Em 1889, ele propôs o "Ciclo Completo da Vida de um Rio" e, em 1899, apresentou o "Ciclo Geográfico da Erosão" considerando a superfície da Terra sendo esculpida por dois tipos de forças: as endógenas e as exógenas (sendo estas predominantemente fluviais) [Davis, 1899; Tucker, 2009; Klein, 2012; digitalcracy, 2017; Chowdhury, 2018; appxcontent, 2024].

O Ciclo Geográfico da Erosão de Davis foi o primeiro modelo de evolução de paisagem a ganhar aceitação, sendo ainda eficiente ferramenta de ensino. Apesar das críticas sofridas, forneceu a noção de estágio de evolução e um "código prático para decifrar a linguagem das formas" [Klein, 2012; Sauchyn, 2000].

O modelo de Davis continua demonstrando influência por dois motivos: (i) há certo apego dos geomorfólogos aos modelos cíclicos e (ii) as abordagens alternativas (e mesmo as mais recentes modelagens matemáticas) não deram respostas satisfatórias principalmente porque os dados ambientais encontram limites no tempo e no espaço e os sistemas geomorfológicos enfrentam problemas de escala e de complexidade [Sauchyn, 2000; Schmidt, 2001].

11 de maio de 2019

Uniformitarismo e evolução: o tempo e o ritmo do jovem geólogo Charles Darwin

Por Marco Gonzalez

Um martelo na mão e uma ideia na cabeça

O inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), autor de "A Origens das Espécies", especialmente quando jovem se reconhecia como geólogo, tanto quanto qualquer outra categoria das Ciências Naturais. O contato que teve com o pensamento geológico da sua época influenciou a abordagem dos fenômenos que encontrou durante os cinco anos da viagem de circunavegação no veleiro Beagle. Seu olhar atento aos processos que atuam na Terra e os fósseis coletados naquela viagem aperfeiçoaram suas intuições e amadureceram seu pensamento sobre a evolução das espécies.

Charles Darwin (provavelmente com pouco menos de 30 anos) em aquarela pintada por George Richmond, no final dos anos 1830, após o retorno da viagem do Beagle (Wikipedia)

Darwin confessou em carta a suas irmãs: "literalmente não consigo dormir por pensar na minha geologia". Ele acreditava que esta era uma área que viabilizava um campo de pensamento muito maior do que os outros ramos da história natural.

Sua paixão pelo detalhe, evidenciada na viagem do Beagle, viabilizou a obtenção das informações necessárias para seus estudos posteriores, fez com que ele visse o que outros não viram e possibilitou a construção de uma abrangente e consistente teoria.

Em geral, pensa-se na evolução das espécies como um tema relacionado à biologia, mas ele é mais abrangente e alcança outras áreas da ciência como, por exemplo, o estudo dos fósseis. Através deles é possível comparar as idades das rochas e investigar ambientes passados. A evolução das espécies, neste sentido, é a estrutura que apóia pesquisas como estas.

16 de abril de 2019

Atualizando as viagens ao centro da Terra

Por Marco Gonzalez

Como sabemos o que sabemos sobre o núcleo da Terra? Como é possível estimar sua densidade, seu tamanho, sua constituição, suas subdivisões e uma série de outras características e propriedades? Felizmente, sendo possível este conhecimento, podemos entender uma série de processos que ocorrem aos nossos pés, além de nos permitir imaginar como a Terra foi formada, como evoluiu e como evoluirá.

Imagem esquemática mostrando a estrutura da Terra
Imagem esquemática mostrando a estrutura da Terra com o núcleo interno (no centro, em amarelo) e as demais subdivisões em direção ao exterior: núcleo externo (em amarelo mais claro), manto inferior, manto superior e crosta terrestre (fonte: CharlesC)

Acredita-se que o núcleo da Terra seja subdividido em duas partes: uma líquida fundida (o núcleo externo) e outra sólida (o núcleo interno), com uma transição entre elas a 5.156 km de profundidade. Recentemente, estudos indicaram haver ainda uma outra subdivisão. Lançando mão de todos os recursos científicos e tecnológicos disponíveis, o conhecimento sobre a porção mais interna do nosso planeta vai se ampliando.

1 de março de 2019

Minério de Ferro: produção em crise

Por Marco Gonzalez

O mercado global de minério de ferro está sob pressão devido a um choque na oferta, depois do rompimento da barragem de Brumadinho em 25 de janeiro de 2019, que colocou em risco uma quantidade que pode chegar a 70 milhões de toneladas no fornecimento anual.

A crise afeta a produção de minério de ferro não apenas na quantidade, mas também na qualidade. A produção da Vale de finos e pelotas de minério de ferro de alta qualidade supera a de seus principais concorrentes australianos, Rio Tinto e BHP.

Mineração de minério de ferro a céu aberto em Itabira, MG, da Vale, com previsão de exaustão em 2028, embora esta data possa ser prorrogada com a mineração de minério de menor qualidade (Foto: Josue Marinho)

7 de fevereiro de 2019

Barragens de rejeitos: aprendendo do jeito mais doloroso

Por Marco Gonzalez

A indústria de mineração, essencial para o funcionamento da sociedade moderna, produz enormes volumes de resíduos. O principal fluxo desses resíduos formam rejeitos cuja armazenagem pode acarretar condições de riscos, com consequentes impactos para as pessoas e para o meio-ambiente.

Parte de prédio no distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, atingida pelo rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, da mineradora Samarco, em 05/11/2015 (Foto: Rogério Alvez / TVSenado, de 19/11/2015)

Os rejeitos de mineração produzidos no mundo, na maior parte, são colocados em grandes depósitos de superfície conhecidos como barragens de rejeitos. Existem mais de 3.500 destas estruturas, estando algumas entre as maiores obras construídas pelo homem. São encontradas no mundo todo e constituem uma experiência relativamente nova para a sociedade e para a mineração. A experiência mostra que seus rompimentos podem ser catastróficos e esta é uma boa razão para lembrar que os limites da tecnologia e da ciência exigem condutas e posturas que construam outro tipo de barragem, aquela que represa incentivos econômicos que podem distorcer as estimativas sobre a magnitude dos riscos.

31 de janeiro de 2019

Extinções em massa: nunca o mesmo mundo

Por Marco Gonzalez

Um tardigrado visto em microscópio eletrônico de varredura (Fonte da imagem: Schokraie et al.). Este é um invertebrado aquático, com cerca de 0,5 mm de comprimento, encontrado em quase toda a Terra. Também conhecido como "urso da água", ele sobreviveu a todas as extinções em massa.
Os humanos terão a mesma sorte daqui para a frente?

Desde cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, quando existia uma única espécie unicelular na Terra, a biodiversidade cresceu, ganhou complexidade e milhões de outras espécies foram surgindo em uma curva de crescimento que poderia ser imaginada exponencial. Entretanto, freios são observados e, ao olharmos a história real nos registros fósseis, encontramos freios bastante drásticos conhecidos como extinções em massa.

São fenômenos naturais e comuns que fizeram com que, das 4 bilhões de espécies que a Terra já acolheu, cerca de 99% estejam extintas. Principalmente nos últimos 500 milhões de anos, alguns destes eventos fizeram desaparecer do nosso planeta, em um piscar geológico de olhos, quantidades expressivas de espécies de plantas e animais.

Estaríamos nos encaminhando para mais um destes eventos?

12 de dezembro de 2018

A participação da geologia na história e no sabor da cerveja

Por Marco Gonzalez

A água que se transformou na principal suspeita de ter fortalecido o compartilhamento de "uma longa história rica em descobertas científicas e conexões culturais" entre a geologia e a cerveja, numa associação tal que pode ter superado aquela encontrada entre a geologia e o vinho.


Quadro em papelão "Paysans fribourgeois au bistrot" (Camponeses de Friburgo no Bistrô), de François Louis Jaques, de 1923 (Foto: Beurret & Bailly)

Assim como não falta cerveja em bares e restaurantes de todo o mundo, dizem que não faltou cerveja também nas provisões da Arca de Noé. É compreensível, pois o prestígio da cerveja, na antiguidade, era medido pelo seu valor nutricional e também por ser uma alternativa segura à água dificilmente potável.

O vínculo com a geologia teria deixado marcas na história da cerveja desde o Crescente Fértil, região conhecida como Berço da Civilização? Seria possível encontrar raízes desta ligação tão profundas quanto a tectônica de placas? E, a partir daí, teria a geologia continuado a influenciar a doçura do malte e o amargor do lúpulo?

4 de dezembro de 2018

Geomitologia: alguns outros mitos

Por Marco Gonzalez


O Monte Roraima, visto da estrada que leva à comunidade Pemón de Paraitepuy, na Venezuela (por Paolo Costa Baldi)

No campo da geomitologia, fenômenos geológicos podem contextualizar a metáfora poética e o imaginário mitológico. Neste sentido e dando continuidade a esta série, além do Monte Roraima, mais alguns casos são analisados: 
  • uma intrusão ígnea
  • uma elevação do nível dos oceanos e 
  • um continente perdido.
E outros casos são relatados brevemente: 
  • a interpretação de ossos fósseis, 
  • um forte terremoto,
  • uma cratera de impacto, 
  • um processo de desertificação e 
  • os rugidos de um vulcão.

26 de novembro de 2018

A geologia e o vinho: legados

Por Marco Gonzalez(Atualização em 04/09/2026)

Vinhedos em uma aldeia da região vinícola de Champagne, na França.
(Crédito: Phillip Capper).

Normalmente as cartas de vinhos, em bons restaurantes, são organizadas por tipo de uva, estilo de vinho ou país de origem, mas já é possível encontrá-las classificadas pela geologia dos vinhedos. Parece compreensível, pois não há vinha sem solo, nem solo sem rocha, e é a partir daí que os vinhos constroem aromas e sabores [Maltman, 2018; usgs_solo, 2015; xaviervignon_taste, 2025; ecoterreno_soil, 2026].

19 de novembro de 2018

Geomitologia: Pelé e o vulcanismo do Havaí

Por Marco Gonzalez


A formação das ilhas havaianas através da fúria do fogo de Pelé em luta contra o poder da água de Namakaokahai, demonstrada em erupção do Kilauea em 2017 (por Jay Huang)

A lenda

Diz a lenda que Pelé, a deusa do fogo e dos vulcões, nasceu em Honua-Mea, no Taiti. Tinha cinco irmãs e sete irmãos, filhos de Haumea, a deusa da Terra, e Kane Milohai, o criador da Terra e dos céus. Em sua versão mais conhecida, a lenda (que aqui terá sua complexidade bastante resumida) explica que, por causa do seu temperamento esquentado e também por ter seduzido o marido de Namakaokahai, sua irmã e deusa da água, Pelé foi expulsa de sua terra natal por seu pai.

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