"O presente é a chave para o passado"
James Hutton

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14 de dezembro de 2022

Notícias em 14/12/2022

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Pedra Furada de Banzaê
Esta geoforma está localizada 4 km a nordeste da sede municipal de Banzaê, na BA.
Ela foi esculpida em rochas da Formação Marizal, que é representada por platôs, mesas, mesetas, pilares, pináculos e arcos, geoformas bastante expressivas na região entre Banzaê e São João da Fortaleza, na BA
Na região de Banzaê, as coberturas residuais estão associadas às rochas sedimentares daquela unidade estratigráfica, que assumem posição topográfica mais elevada. São arenitos alaranjados, rosados e bege-amarelados, subarcoseanos médios a grossos e arenitos finos, com pouca participação da fração argila. São encontrados níveis conglomeráticos subordinados, intercalados com folhelhos castanhos-avermelhados e róseos, além de siltitos e conglomerados polimíticos clasto-sustentados com matriz areno-argilosa e seixos com alta esfericidade e arredondamento provenientes do embasamento e de rochas da bacia do Tucano.
Estratificações cruzadas acanaladas, plano-paralelas e cruzadas planar são frequentes na Formação Marizal. Normalmente, a estratificação dos arenitos é marcada pela variação granulométrica. Muitas vezes se observa granodecrescência ascendente nas camadas, com níveis conglomeráticos na base das estruturas acanaladas e arenito médio no topo. Marcas onduladas ocorrem localmente.
As rochas da Formação Marizal foram depositadas há cerca de 100 milhões de anos, em ambiente de clima árido com ocorrência de dunas e sistema de drenagem amplamente ramificado formando lagos. Estas rochas representam a fase final do preenchimento da bacia sedimentar Recôncavo-Tucano-Jatobá, formada no processo de fragmentação do Pangea com a abertura do Atlântico Sul. Toda a parte central da Bacia de Tucano é coberta por rochas da Formação Marizal, cujo nome tem origem nos arenitos e conglomerados que ocorrem na Serra do Marizal. Suas rochas são consideradas uns dos melhores reservatórios para água subterrânea do estado da BA.
A Pedra Furada resulta de distintos processos de desgaste associado às fraturas da Formação Marizal. Assim também são modelados os paredões, bem como a variedade de sedimentos finos e grossos determinam diferentes resistências às ações do vento e da chuva permitindo a erosão diferencial.
Lendas, registros históricos e achados arqueológicos indicam que a região foi ocupada desde os tempos pré-históricos. Documentos do século XVI comprovam a ocupação indígena na área e outros documentos atestam a passagem de Lampião e seu bando por este território. Antônio Conselheiro, com seu movimento religioso que culminou na Guerra de Canudos, também passou pela região.
O município de Banzaé, localizado em faixa de transição entre o agreste e a caatinga, tem seu nome originado do Tupi e significa "Terra de Valentes". Sua história teve início no século XVIII, com os indígenas Kiriris e se tornou vila na segunda metade do século XIX. Por volta de 1910, o povoamento foi intensificado por viajantes vindos do estado do SE.
(Crédito da imagem: Núcleo de Turismo, Banzaê - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, mercado, gestão pública, fiscalização, cooperação, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, ciência espacial, eventos e outros.

13 de dezembro de 2022

Notícias em 13/12/2022

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Boca do Inferno
A Boca do Inferno é uma antiga gruta que teve desmoronamento do teto. Está localizada na costa oeste da vila de Cascais, em Portugal. Faz parte de um lapiaz que se estende desde o Farol de Santa Marta até o Forte da Cresmina, no distrito de Lisboa, no Parque Natural de Sintra-Cascais.
 Há evidências de estalactites e estalagmites que foram quebradas. Este geossítio foi esculpido em camadas maciças e espessas de calcários dolomíticos e dolomitos do Cretáceo Inferior (Hauteriviano), tendo carstificação intensa ocorrida no Quaternário. Algumas cavidades abertas são preenchidas por um material chamado "terra rossa", que supostamente teria sido depositado no chão da gruta como resultado da erosão do calcário. Há cavidades que correspondem a veios que foram completamente erodidos. Observam-se também, níveis ferruginosos com seixos rolados de pequenas dimensões, que correspondem a antigas praias quaternárias com evidências de oscilações do nível do mar.
Além dos aspetos cársticos, ao longo desta porção do litoral de Cascais, é possível observar uma sequência estratigráfica que vai do Valanginiano superior ao Barremiano. Encontra-se conteúdo fossilífero, destacando-se raros amonites, além de ostreídeos, dentes de peixes e gastrópodes.
O nome "Boca do Inferno" tem origem no som forte produzido pela água do mar ao golpear a rocha violentamente no local. Foi cenário do primeiro filme português ao estilo "lumiére", com o título "A Boca do Inferno", de 1896, produzido pelo inglês Henry W. Short. Também é cenário da lenda que conta a história de um feiticeiro que mandou buscar uma bela jovem para ser sua esposa. Naturalmente, o desejo da jovem não era o mesmo do feiticeiro, que, por isto, a prendeu em uma torre e colocou lá um guardião. O problema é que a beleza e a juventude do guardião não eram as mesmas do feiticeiro. Então, os jovens fugiram em direção ao litoral no cavalo branco do feiticeiro. Este, sabendo da fuga, fez os rochedos se abrirem e o cavalo, o guardião e a jovem foram engolidos pelo mar. Era a Boca do Inferno que se abria para nunca mais fechar. Em dias de tempestade, o próprio local parece lamentar a tragédia que testemunhou.
(Crédito da imagem: Beatriznog10 - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, danos, petróleo, mercado, energia alternativa, meio ambiente, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

8 de dezembro de 2022

Notícias em 08/12/2022

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Parque Estadual da Pedra da Boca
Este parque está localizado na porção norte do município de Araruna, na PB, nos contrafortes da Serra da Confusão. É uma unidade de conservação da mesorregião do agreste paraibano e da  microrregião do Curimataú Oriental. 
As serras de Araruna e da Confusão, com altitudes máximas de cerca de 570 m, correspondem ao horst associado ao graben da depressão do Curimataú (ou vale do Rio Curimataú). Na região, os terrenos do Pré-Cambriano sofreram reativações epirogênicas entre o Paleozoico e o Terciário e, como resultado, formaram-se grabens como o do Curimataú.
O Parque Estadual da Pedra da Boca, que faz parte da Província da Borborema, está inserido na Suíte calcialcalina de médio a alto potássio, constituída por granitos e granodioritos e pelo Complexo Santa Cruz, com augen-gnaisses graníticos e leuco-ortognaisses quartzo manzoníticos a graníticos. São formações rochosas que apresentam faces arredondadas, superfícies desgastadas, sendo comum extensas caneluras do cume à base, devido a intemperismo de origens química, física e biológica.
A região é considerada uma das ramificações mais elevadas do Planalto da Borborema, com escarpas amplas e aplainadas, onde as serras representam maciços residuais. Devido ao pouco desenvolvimento da superfície pediplanizada, o espaçamento entre as serras é pequeno, não caracterizando inselbergs isolados, que são, no entanto, comuns no sertão da PB.
As rochas do parque sofreram processos de erosão por atividade hídrica e eólica e por variação de temperatura. São geradas cavidades com profundidades e larguras consideráveis. Estas cavidades são tafoni que, no parque, podem ser observados, por exemplo, na Pedra da Boca e na Pedra da Caveira.
O Parque Estadual da Pedra da Boca foi criado pelo decreto estadual de 2000, com área de 157,3 ha e com o objetivo de preservar o conjunto rochoso que abriga espécies da flora e fauna endêmicas e representativas do bioma caatinga.
A Serra da Confusão tem seu nome devido à distribuição de diversas serras que escondem grutas e cavernas praticamente inexploradas. Algumas possuem importantes sítios paleontológicos e arqueológicos com pinturas rupestres
A chamada Pedra da Boca é uma formação rochosa de aproximadamente 336 metros de altura, com um tafone semelhante a uma boca. A Pedra da Caveira, também encontrada no parque, assemelha-se a um crânio humano, da mesma forma devido a alguns tafoni.
Em zona fisiográfica de caatinga, no parque, além da flora característica desta zona, podem também ser observadas espécies de mata serrana, vegetação do tipo subcaducifólia que aparece nas áreas mais úmidas, próximas às vertentes. Cactáceas baixas e bromeliáceas, como a coroa de frade e a macambira, são encontradas frequentemente em áreas restritas rochosas. Quanto à flora, nas cavernas, abrigam-se animais, como gatos-do-mato, raposas, tejus, morcegos e tatus.
(Crédito da imagem: Carla Belke - fonte1 - fonte2)

Assuntos do dia
projeto, petróleo, produção, mercado, gestão pública, fiscalização, política, energia alternativa, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, conhecimento, eventos, vagas e outros.

24 de novembro de 2022

Notícias em 24/11/2011

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Vale de Núria
Este vale está situado no norte da Catalunha, nas proximidades da cidade de Queralbs, na Espanha, junto à fronteira com a França. É cercado por picos que se elevam a quase 3.000 metros de altitude, com desníveis de cerca de 1.000 m. Destes picos nascem vários rios, inclusive o Rio Núria que percorre o vale.
O Vale de Núria encontra-se na zona axial dos Pireneus, na encosta sul, onde afloram as rochas mais antigas deste sistema montanhoso. São rochas metamórficas da unidade Carançà, predominantemente gnaisses. Estes gnaisses e outras rochas de idade Cambro-ordoviciano constituem o extremo sul do Maciço Canigó-Carançá. Sofreram deformações causadas pela Orogenia Herciniana, incluindo metamorfismo regional e clivagem afetada por várias gerações de dobras de dimensões variadas. Posteriormente, a Orogenia Alpina produziu uma série de sobreposições de estruturas que causaram deslocamentos nas rochas locais. São observadas falhas normais NW-SE com desníveis verticais significativos, provavelmente do Neógeno.
As características destas rochas metamórficas e as descontinuidades do maciço rochoso condicionam a morfologia do relevo do Vale de Núria. Degraus estruturais são típicos na região, com a formação de terraços e patamares de ordem métrica.
Risco de queda de rochas também é uma característica presente. Este fenômeno resulta de processo evolutivo no qual participam diversos fatores, incluindo litológicos, de descontinuidades e geodinâmicos externos, como quebras causadas por variação de temperatura e crescimento de raízes. A orientação de alguns taludes verticais e certos conjuntos de descontinuidades produzem movimentação de blocos individualizados de variadas dimensões.
A região é visitada frequentemente com objetivos didáticos por alunos e professores de geologia da Universidade de Barcelona.
O trem de cremalheira azul de histórica ferrovia da região é o único meio de transporte para acessar o vale, além, é claro, de uma trilha para caminhada.
(Crédito da imagem: Pere López - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, danos, petróleo, mercado, energia alternativa, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, eventos e outros.

22 de novembro de 2022

Notícias em 22/11/2022

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Pontal de Sernambetiba
Também conhecido como Pedra do Pontal ou Pontal do Recreio, esta formação rochosa está localizada na Baixada de Jacarepaguá, nas proximidades do Posto 12 da Praia do Recreio dos Bandeirantes (ou Praia da Macumba), no Bairro do Recreio dos Bandeirantes do Rio de Janeiro, no RJ. Foi tombado pelo município em 1983.
Está ligado ao continente através de um tômbolo, ou seja, uma feição deposicional provocada por erosão causada pelas ondas do mar. Tômbolos ficam visíveis durante a maré baixa. Na maré alta, o Portal de Sernambetiba se converte em uma ilha com suas paredes quase verticais. Seu cume, no entanto, pode ser alcançado com menor dificuldade a partir da praia, na maré baixa.
O Pontal de Sernambetiba é constituído por ortognaisse da unidade Granito Pedra Branca da Suíte Suruí. É uma rocha essencialmente granítica que evoluiu ao longo de tendência calcioalcalina. Está relacionado a faixas orogênicas de maior deformação e faz parte de grande corpo localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, o Maciço da Pedra Branca. Seus minerais máficos incluem biotita, hornblenda, allanita e titanita.
Do seu topo, com altitude de 125 m, é possível avistar a Pedra Bonita, a Pedra da Gávea, o Parque Ecológico Chico Mendes, a Floresta da Tijuca e a Ilha das Palmas, além da Praia do Recreio, da Barra da Tijuca e da Baixada de Jacarepaguá.
Este pontal também é conhecido como "Pontal Tim Maia" porque este artista escreveu e cantou a música "Do Leme ao Pontal", como um tributo à beleza das praias cariocas
O nome "sernambetiba" (em tupi) significa coletivo de "sernambi", que é a contração de "seruru-nambi" (também em tupi), isto é, um mexilhão que tem forma de orelha.
(Crédito da imagem: Filipo Tardim - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6 - fonte7)

Assuntos do dia
projeto, barragem, petróleo, mercado, energia alternativa, geologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

21 de novembro de 2022

Notícias em 21/11/2022

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Falésias Fósseis da Ilha Maria
Esta ilha fica na costa leste da Tasmânia, na Austrália. Suas falésias se elevam a mais de 100 m acima do nível do mar e permitem que a erosão marinha exponha fósseis variados e bem preservados.
Seus leitos de calcário foram formados no início do Permiano, há pouco menos de 300 milhões de anos. Quando a Tasmania ainda fazia parte do Gondwana, ocorreu uma transgressão do mar e vales profundos semelhantes a fiordes foram esculpidos. Mares rasos penetraram em grande parte do interior da Austrália e, neles, camadas de lamito e siltito começaram a se acumular. Enquanto isto, a vida marinha florescia com predomínio de moluscos bivalves. Com a regressão marinha, estes animais morreram e suas conchas se acumularam e se comprimiram nas camadas de calcário. Estas falésias são um local especial pelo fato de que a vida marinha nesta parte do mundo conseguiu prosperar em um ambiente polar.
Erodidas por correntes de água e gelo, muitas rochas, geralmente arredondadas e lisas, na região, atualmente são indícios da época de glaciação do Permiano. São encontrados tilitos de cor cinza escuro em camadas basais e lamitos com dropstones (fragmentos isolados de rochas). Estes foram carregados pelas geleiras e, quanto o gelo derreteu, foram depositados e incorporados no fundo do mar raso local.
O Supergrupo Parmeener, do Permiano, está exposto nas Falésias Fósseis. Ele é dividido em uma sequência inferior totalmente marinha e uma sequência superior de água doce. A sequência inferior é predominantemente composta por calcário fossilífero e arenito de granulação grossa. 
A deposição de estratos na porção inferior do Supergrupo Parmeener ocorreu dentro da Bacia intracratônica da Tasmânia. Estes estratos, acumulados nas proximidades de um alto paleogeográfico, são subdivididos em Zona Errática Inferior, Calcário Darlington e Zona Errática Superior. 
As Falésias Fósseis têm relevância também histórica para a Ilha Maria. No início da década de 1920, uma fábrica de cimento foi aberta e transformou brevemente a ilha em um centro industrial, mas também, com a extração do Calcário Darlington, muitos registros fósseis foram perdidos.
Na imagem acima, as Falésias Fósseis são vistas ao fundo e, em primeiro plano, observa-se uma região de pradaria da Ilha Maria.
(Crédito da imagem: BlueDoors - fonte1 - fonte2 - fonte3)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, mercado, cooperação, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, ciência espacial, asteroides, conhecimento, eventos e outros.

9 de novembro de 2022

Notícias em 09/11/2022

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Malin Head
Este promontório é o ponto mais setentrional da Irlanda. Está localizado na Península de Inishowen, 15,3 km ao norte da Vila de Malin, no condado de Donegal. 
Donegal possui as rochas mais antigas da Irlanda, com cerca de 1,78 bilhão de anos, que estão expostas principalmente na Ilha de Inishtrahull, a nordeste de Malin Head.
Há 1 bilhão de anos, no atual condado de Donegal, sedimentos foram depositados em ambiente marinho e os efeitos da Idade do Gelo alcançaram a região. Entre 470 milhões e 395 milhões de anos, toda a área foi submetida à Orogenia Caledoniana e suas rochas foram metamorfizadas, sendo transformadas em gnaisses, xistos e quartzitos pertencente ao Grupo Dalradiano. Na fase tardia daquela orogenia, uma colisão continental foi responsável pela orientação NE-SE que se verifica nas rochas e estruturas de Donegal.
Neste contexto, Malin Head é composto principalmente por rochas metamórficas, predominando rochas quartzíticas do Dalradiano, com metadoleritos em menor proporção. São quartzitos de grãos fino com estratificação cruzada e intercalações de xistos. Também há algumas áreas onde afloram granitos do Devoniano, com 412 milhões de anos. São rochas mais antigas que a Falha Leannan, de 397 milhões de anos, que corta promontório. Diques de lamprófiros seguem a orientação geral NE-SW, paralelos à tendência intrusiva dos granitos e da Falha de Leannan.
A costa de Malin Head está repleta de uma grande variedade de seixos, que incluem opala, jaspe, ametista e topázio, e que eram (e ainda são) usados para confecção de joias. Fizeram inclusive parte de selos do início do século XIX.
Na região, evidências de povos mesolíticos incluem implementos de pederneira (sílex que produz centelhas, usado em armas de fogo) e sambaquis. Em 1960, foram desenterradas três urnas funerárias da Idade do Bronze, juntamente com uma ferramenta de bronze, um pedaço de cristal de rocha e uma taça de bronze.
Durante a Primeira Guerra Mundial, muitos navios foram destruídos em Malin Head. Alguns foram vítimas de minas, enquanto outros não conseguiram ter sucesso ao enfrentar as condições traiçoeiras do inverno local. Durante a Segunda Guerra Mundial, cabanas de vigia foram construídas em Malin Head para proteger a neutralidade irlandesa.
O nome "Malin" tem origem no irlandês "malainn", que significa "cume". "Inishowen" significa "Ilha de Eoghan", em homenagem a Eoghan, que dominou a região. Ele era filho do poderoso e temível rei irlandês Niall dos Nove Reféns. Malin foi um campo de batalhas históricas travadas contra rivais celtas, vikings e ingleses.
(Crédito da imagem: Luca Sartori - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
projeto, economia, petróleo, mercado, energia alternativa, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

7 de novembro de 2022

Notícias em 07/11/2022

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Unicorn Point
Unicorn Point está localizado na parte sul da Ilha Antelope, a maior ilha do Lago Great Salt de Utah, nos EUA.
Este, que é o maior lago de água salgada do Hemisfério Ocidental, é remanescente do grande e antigo Lago Bonneville que, entre 10 mil e 30 mil anos atrás, cobria uma área de cerca de 51 mil km², abrangendo parte dos atuais estados de Utah, Nevada e Idaho. Atualmente, o Lago Great Salt tem 120 km de comprimento, 56 km de largura e profundidade máxima de 10 m.
Dois terços da Ilha Antelope são compostos de rochas do Complexo Cânion Farmington. São rochas, que originalmente eram sedimentares formadas há 2,5 bilhões de anos ou mais. Estas rochas, outrora enterradas na profundeza da Terra, há cerca de 1,7 bilhão de anos foram aquecidas a temperaturas extremas, deformadas, intrudidas, soerguidas e expostas como granitos, gnaisses, xistos, quartzitos, migmatitos, anfibolitos e pegmatitos.
As rochas de Unicorn Point estão entre elas. São gnaisses com quartzo e feldspato, que se distinguem por suas bandas resultantes de processos metamórficos. São desgastadas pela erosão e mostram formas como a da imagem acima, às vezes arredondadas e outras vezes ásperas e afiadas..
As formações geológicas da Ilha Antelope são preservadas através do Parque Estadual de Utah criado em 1981.
Os povos Fremont foram os primeiros a viverem neste ilha, que mais tarde recebeu indígenas da tribo Ute. Eles chamavam a ilha de "Parebina" (que significa "criadouro de antílopes"). A partir de 1843, com a chegada dos primeiros exploradores, o nome atual foi adotado.
Uma das muitas lendas da região conta que os primeiros exploradores pensaram que o Lago Great Salt, com seu elevado teor de sal (12% em média, entre os 5% dos oceanos e os 35% do Mar Morto), era uma extensão do Oceano Pacífico ou que havia um rio ligando o lago ao oceano.
Atualmente na Ilha Antelope, há abundante vida selvagem, incluindo bisões, antílopes, veados, linces, coiotes e alces. Os pântanos do Lago Great Salt abrigam grande número de aves migratórias. Peixes vivem nos pântanos e em enseadas de água doce, mas nenhum sobrevive nas águas salgadas do lago.
(Crédito da imagem: Antelope Island State Park - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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4 de novembro de 2022

Notícias em 04/11/2022

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Morro do Yeye
Também conhecido como Morro do Cabrito, esta geoforma está localizada na fronteira dos municípios de Paverama, Tabaí, Montenegro e Triunfo, no RS.
Na região do Morro do Yeye, há ocorrências de pacotes sedimentares pertencentes à Bacia do Paraná, incluindo as formações Rosário do Sul, Botucatu e Serra Geral. A Formação Rosário do Sul possui arenitos médios e finos a muito finos, de ambiente fluvial, com estratificação cruzada. A Formação Botucatu é composta por arenitos bimodais médios a finos, localmente grosseiros, com grãos de quartzo fosco, arredondados a sub-arredondados e bem selecionados, com estruturas de ambiente eólico. São geralmente róseos com frequente presença de cimento silicoso ou ferrugino. A Formação Serra Geral é constituída predominantemente por rochas de origem vulcânica, principalmente em derrames basálticos.
O Morro do Yeye está localizado na Microrregião Colonial da Encosta da Serra Geral. Tem cerca de 270 m de altitude no topo e cerca de 230 de altura. Possui escarpas íngremes e topo relativamente plano, sendo um morro testemunho típico da Depressão Central do RS. É o resultado de antiga área ocupada pelo planalto atacada pela erosão. É constituído pelo arenito Botucatu com basalto da Formação Serra Geral no topo. O arenito se apresenta fendilhado, com ressaltos e covas.
Devido à sua conformação, o Morro do Yeye abriga rica diversidade da flora e da fauna locais. É um local muito procurado para escaladas, especialmente a partir da década de 1980. Há registros de que o pastor luterano e montanhista alemão Wilhelm Edel teria sido o primeiro a chegar ao cume do Morro do Yeye na década de 1950, acompanhado de Adalberto Schmidt, um morador local.
Os primeiros habitantes da região foram indígenas de etnia tupiguarani, há cerca de dois mil anos atrás. A região foi usada como passagem de guarnições farroupilhas durante a Revolução Farroupilha (1835-1845). Elas utilizavam morros como o Morro do Yeye como pontos de observação.
O nome "Yeye" (e suas variações: "Ye-Ye", "Ieiê" e outras) tem origem no nome de antigo proprietário das terras que circundam o morro. Já, o nome "Morro do Cabrito" se deve a uma lenda que conta que teria existido um cabrito de ouro no topo do morro, pois seria um local propício para esconder este tipo de tesouros, ainda que raramente na forma de cabritos.
(Crédito da imagem: CJ Marchioro - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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27 de outubro de 2022

Notícias em 27/10/2022

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Bow Fiddle Rock
Bow Fiddle Rock, com cerca de 15 m de altura, constitui um arco natural marinho localizado a nordeste da Vila de Portknockie, na costa de Moray, no nordeste da Escócia. É assim chamado ("Rocha Arco de Violino") por causa de sua semelhança com a ponta do arco deste instrumento musical.
Por volta de 500 milhões de anos atrás, a região da Escócia atual ficava próxima à borda do supercontinente Laurentia e a colisão com o Avalonia produziu a Orogenia Caledoniana. Nesta orogenia, os sedimentos originais foram dobrados, achatados, esticados, fraturados, aquecidos e metamorfizados, produzindo xistos, gnaisses, mármores e quartzitos.
A geologia de Moray está associada à Orogenia Caledoniana, com eventos de dobramentos, metamorfismo e soerguimento das Montanhas Grampian. Em Moray, estes eventos afetaram a Formação Cullen, que faz parte do Grupo Grampiano, que por sua vez pertence ao Supergrupo Dalradiano. 
Os quartzitos da Formação Cullen, com cerca de 2.500 metros de espessura, compõem o litoral desde a Vila de Buckpool (no extremo oeste da cidade de Buckie) até Logie Head, o principal promontório a leste da antiga Vila de Cullen. Eles fazem parte do cinturão de dobras Caledoniano, que se estende por toda a Escócia (incluindo Shetland) e a Noruega.
Originados de arenitos depositados em ambiente marinho há cerca de 750 milhões de anos, estes quartzitos foram soerguidos e erodidos por ação marinha e eólica. O resultado pode ser visto, por exemplo, em Bow Fiddle Rock. Neste arco natural, faixas menos resistentes constituídas por mica xisto foram removidas para que fossem modeladas as feições atuais.
Bow Fiddle Rock e as rochas das proximidades acabaram ganhando uma coloração esbranquiçada em certos pontos devido aos excrementos de gaivotas que ao longo dos anos têm nidificado na região. Dizem que, antigamente, havia um ritual em que os nativos mais jovens, na passagem da primavera, iam até estas rochas para procurar ovos destas aves.
(Crédito da imagem: Giuseppe Milo - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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26 de outubro de 2022

Notícias em 26/10/2022

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Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido
Este parque está localizado nos Pirenéus, na província de Huesca, em Aragão, na Espanha. A imagem acima mostra, neste parque, no Vale de Ordesa, o circo glacial de Soaso, uma espécie de bacia rochosa de formato semicircular e o Monte Perdido (ao fundo).
Em 1918, este vale foi declarado Parque Nacional por decreto do Rei da Espanha. Em 1982, houve uma reclassificação que incluiu o Monte Perdido e outros locais, sendo então criado o Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido. Em 1997, este parque foi incluído na Lista do Património Mundial da UNESCO, como "Pirineus - Sítio Monte Perdido".
Quanto à geologia, na região, destacam-se os relevos cársticos e os vales profundos, além de cânions de origem glacial. A extrema aridez dos altos planaltos calcários contrasta com os vales verdes arborizados e as cachoeiras. 
Os Pireneus constituem um cinturão orogênico alpino produzido pela colisão entre a Microplaca Ibérica e a Placa Europeia. Possui 435 km de comprimento, com tendência leste-oeste, separando a Península Ibérica do restante da Europa continental. Sua elevação aumenta gradualmente do Oceano Atlântico até sua porção central, onde é mais uniforme. Continua assim até brusca queda na topografia nas proximidades do Mar Mediterrâneo.
Devido à complexidade, a zona sul dos Pirenrus é subdividida em Serras Externas (ou Pré-Pirineus) e Serras Interiores. Nestas segundas, compostas principalmente por calcários, com importantes intercalações de arenitos e calcários margosos, do Cretáceo ao Eoceno, é encontrado o Monte Perdido, com 3.355 m de altitude. Neste maciço, empilharam-se dobras cavalgantes ao sul sobrepostas em sucessivos estratos deslizantes. 
Durante o último ciclo glacial, as geleiras do flanco sul dos Pirineus se estendiam por 20 a 30 km e desciam a altitudes mínimas de 800 m. No entanto, mesmo sendo menos intensas que as geleiras de outros flancos dos Pirineus, elas esculpiram vales profundos e cânions, especialmente no Monte Perdido, onde há rochas sedimentares mais facilmente erodidas.
O Monte Perdido, o mais elevado maciço calcário da Europa, é intensamente carstificado e, portanto, esculpido em profundos cânions. Geralmente, não é possível determinar, dentre as ações fluvial, glacial ou meramente cárstica, qual teria maior influência na formação destes cânions. Tanto na face norte como na face sul do Monte Perdido, observa-se uma sucessão ininterrupta de circos glaciais, como o Soaso (da imagem acima). A partir destes circos, as massas de gelo desceram em grandes cascatas com "seracs" (enormes blocos de gelo) para se concentrar nos vales, onde deixaram formas claras de calhas e modelaram algumas bacias de sobre-escavação, provavelmente de origem glaciocárstica.
No Monte Perdido, na altitude de 2.804 m está localizada a chamada "Passagem de Roland" ("Brèche de Roland" em francês e "breca Roldán" em aragonês), com 40 m de largura entre falésias com alturas de cerca de 100 m. Conta a lenda que esta passagem, que permite atravessar os Pirineus, entre a França e a Espanha, foi aberta, durante a batalha de "Roncevaux" ("Roncesvalles" em espanhol), no ano de 778. As forças bascas emboscaram o exército do rei dos francos e dos lombardos e futuro imperador romano Carlos Magno (742-814), que havia invadido a Península Ibérica. Um dos comandantes da tropa francesa, chamado Roland, sobrinho de Carlos Magno, foi transformado em "modelo de estado de espírito" para os futuros cavaleiros. Dentre as diferentes histórias contadas, uma delas diz que Roland bateu sua espada mítica contra as rochas para destruí-la de modo que ela não caísse em mãos bascas. Bateu repetidas vezes e com tanta força que acabou abrindo a famosa "Passagem de Roland". Os geólogos, no entanto, acreditam que ela é uma feição natural associada às falésias íngremes do circo glacial de Gavarnie.
(Crédito da imagem: Patrick Rouzet - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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21 de outubro de 2022

Notícias em 21/10/2022

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Os Penhascos de Grímsey
Grímsey, com 5,3 km², é uma ilha ao norte da Islândia, batizada de "Pérola do Círculo Polar Ártico". Nela, no verão, os dias de sol nunca terminam e a temperatura é amena para a região, variando de -1,1 a 8,3°C. É habitada por cerca de 100 pessoas, que vivem da pesca, e por mais de um milhão de aves marinhas.
Esta ilha foi criada por atividade vulcânica durante a separação das placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia. A própria Islândia está localizada no topo da Dorsal do Atlântico Norte. Ao sul de Grímsey, fica a dorsal de Reykjanes e, ao norte, a dorsal de Kolbeinsey. Entre estes locais há várias zonas vulcânicas e sísmicas, com áreas geotérmicas ativas. O fundo do oceano ao redor de Grímsey está cheio de fraturas, estando as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia flutuando em direções opostas, liberando energia através de todos os tipos de movimentos. Em 2018, foi sentido um enxame de sismos com epicentros a nordeste de Grímsey. Em setembro o de 2022, mais de 6.000 terremotos foram registrados, alcançando até 4,2 graus de magnitude. No entanto não há sinais de alguma erupção vulcânica prestes a ser iniciada.
A estrutura da ilha é constituída por basalto, por vezes colunar principalmente no sul e no oeste. Na enseada Basavik, no noroeste, ocorrem estratos espessos de arenitos. Grimsey é o que resta de uma ilha maior, que foi e continua sendo desgastada pelo mar.
As falésias estão presentes ao longo da costa de Grímsey, exceto na parte sul. Elas abrigam milhares de pássaros, como araus e papagaios-do-mar. Pelo menos 60 espécies de aves se reproduzem por ali ou ficam para o verão. As baleias fazem visitas frequentes e podem ser vistas das falésias. O ponto mais elevado da ilha tem 105 m de altitude. Ursos polares também são assíduos visitantes, trazidos pelos fluxos de gelo à deriva desde a Groenlândia. 
Mesmo sem árvores, a superfície da ilha é verde, devido às gramíneas, aos musgos e aos pântanos.
Contam que esta ilha foi colonizada por um fazendeiro chamado Grímur, oriundo da Noruega. Diz a lenda que, quando o fazendeiro chegou, a ilha era povoada por gigantes e trolls. Todos foram abatidos por Grímur, menos a filha de um deles, que se tornou sua noiva. Hoje é um destino turístico, onde os visitantes recebem um certificado por terem atravessado o Círculo Polar Ártico.
(Crédito da imagem: MosheA - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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18 de outubro de 2022

Notícias em 18/10/2022

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O Mosteiro Suspenso
Este mosteiro, também conhecido como Xuan Kong Si (ou 悬空寺) se prende à face rochosa do Monte Heng, nas proximidades do Vale Jinlong, 5 km ao sul do condado de Hunyuan, na província de Shanxi, na China. 
O Monte Heng (ou Hengshan) faz parte do cinturão Hengshan-Wutai-Fuping, situado no segmento médio do Orógeno Trans-Norte da China. Este cinturão está associado a colisões continentais do Paleoproterozoico e, ao longo dele, os blocos Oriental e Ocidental se fundiram para formar o Cráton do Norte da China. Hengshan, que é uma das cinco "Montanhas Sagradas" da China, é constituído por gnaisses pertencentes à raiz de um arco magmático do Neoarqueano-Paleoproterozoico.
Xuan Kong Si consiste de um aglomerado de pagodes com paredes vermelhas e azulejos cinzas. Eles se prendem através de vigas de madeira encaixadas em buracos esculpidos na rocha. Estão lá a 75 m de altura já por 15 séculos. Os pagodes estão dispostos no penhasco em uma linha do sul para o norte, com mais de quarenta salões, salas e pavilhões subdivididos em três grupos. No primeiro grupo, mais à esquerda de quem olha, o prédio principal, denominado Sanguan, é destinado à oferendas de sacrifícios ao Taoísmo. O prédio principal, no grupo central, é o Sansheng, que consagra estátuas de Buda sentadas ladeadas por discípulos submissos. No último grupo, o mais elevado, o Sanjiao guarda estátuas de Confúcio, Laozi e Sakyamuni, fundadores respectivamente do Confucionismo, do Taoísmo e do Budismo. No mosteiro são encontrados todo tipo de inscrições, poemas e outras 78 estátuas das três doutrinas filosóficas ou espirituais citadas, feitas em cobre, ferro, barro e pedra, consideradas valiosos artesanatos culturais.
Conta uma lenda local que a construção de Xuan Kong Si começou com um único monge, chamado Liao Ran, no final da Dinastia Wei do Norte, por volta do século VI. Com o passar do tempo, ele foi recebendo ajuda de construtores taoístas. O objetivo foi construir um santuário onde os praticantes pudessem meditar em silêncio longe de todos. Ninguém imaginava que Xuan Kong Si se transformaria em uma atração turística muito frequentada.
(Crédito das imagens: Charlie Fong (superior) e Zhangzhuang (inferior) - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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17 de outubro de 2022

Notícias em 17/10/2022

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A Ilha Baranof
Baranof é uma ilha da parte norte do Arquipélago Alexander, na costa do Pacífico, no Alasca.
Esta ilha expõe rochas ígneas vulcânicas, sedimentares e intrusivas, do Paleozóico ao Cenozóico, que fazem parte de complexo de arco vulcânico. Este complexo consiste de rochas metavulcânicas e metassedimentares paleozóicas, em fácies de xisto verde a fácies anfibolito, sobrepostas por rochas metassedimentares e metavulcânicas do Triássico de baixo grau. São intrudidas por plútons cálcio-alcalinos do Jurássico.
Baranof faz parte de um bloco tectônico geologicamente coerente que é delimitado por falhas do Cenozoico. Este bloco inclui rochas atribuídas aos terrenos Chugach e Wrangellia. Este último consiste em rochas vulcanoclásticas, mármores e greenstones do Triássico, que se sobrepõem de forma discordante a anfibolitos, mármores e gnaisses. O terreno Chugach consiste em rochas sedimentares e vulcânicas.
Os efeitos estruturais da subducção ocorrida ao longo da margem do Pacífico, no Alasca, incluem feições geológicas como diques, plutons e terrenos metamórficos. No caso da Ilha Baranof, sua história geológica inclui:
(i) metamorfismo de fácies de xisto verde a fácies anfibolito no terreno Wrangellia,;
(ii) pluton do Jurássico inferior em rochas do Paleozoico e Triássico;
(iii) pluton do Jurássico médio no terreno Wrangellia;
(iv) metamorfismo de fácies xisto verde do Jurássico superior em rochas vulcânicas e sedimentares acrecionárias na margem oeste de Wrangellia
(v) falha Border Ranges do Cretáceo, que define o contato entre o arco vulcânico e o complexo acrecionário;
(vi) metamorfismo do Cretáceo médio em rochas do Jurássico superior no complexo acrecionário;
(vii) deposições do Cretáco médio e superior e Paleoceno no complexo acrecionário;
(viii) metamorfismo regional de fácies xisto verde a fácies anfibolito do início do Eoceno em parte do complexo acrecionário;
(ix) pluton do início do Eoceno em rochas metamórficos; e
(x) metamofismo local por pluton do Eoceno superior ao Oligoceno.
A imagem imagem acima mostra diques máficos encontrados em uma trilha que atravessa a Ilha Baranof.
Nesta ilha, por milhares de anos, o povo Tlingit viveu em paz até que, na virada do século IX, comerciantes russos tentaram se estabelecer na região. Eles buscavam lontras e focas para comercializar suas peles. Houve conflito entre os russos, liderados pelo comerciante e explorador Alexander Andreevich Baranov (1746-1819), e os nativos tlingits, que resistiram inicialmente. No entanto, em 1804, os russos foram vitoriosos e reivindicaram para si todo o Alasca, fazendo com que os tlingits se vissem obrigados a se retirar da região. Os tlingits retornaram em 1821, mas sem o controle soberano da ilha até que, em 1867, a Rússia vendeu o Alasca para os EUA por US$ 7 milhões. Em 1910, o Forte Tlingit, usado como defesa pelos tlingits durante os conflitos, foi transformado em monumento.
(Crédito da imagem: Jonathan.s.kt - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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7 de outubro de 2022

Notícias em 07/10/2022

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Serra da Bodoquena
Situada no sudoeste do MS, esta serra, estendendo-se por 200 km na direção norte-sul e elevando-se até 800 metros de altitude, faz parte do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000 com 76.481 ha.
Constituída por rochas do Grupo Corumbá, a Serra da Bodoquena, juntamente com outras unidades de relevos residuais da região, representa uma interposição com terrenos antigos entre a Bacia do Paraná e os Pantanais.
Entre 580 milhões e 540 milhões de anos atrás, as rochas do Grupo Corumbá se originaram da sedimentação de carbonato de cálcio produzida pela proliferação de formas primitivas de vida em oceanos resultantes das divisões do supercontinente Rodínia. Entre 530 milhões e 520 milhões de anos atrás, aqueles depósitos carbonáticos foram dobrados no fundo oceânico devido à aproximação das massas continentais. Uma elevada cadeia de montanhas, então, foi soerguida e exposta a processos erosivos, produzindo relevos residuais como a Serra da Bodoquena, no MS, e a Província Serrana, no MT.
O Grupo Corumbá é subdividido, de baixo para cima, nas formações Puga, Cerradinho, Bocaina e Tamengo. Esta última é formada por calcários calcíticos, por vezes brechados, com níveis oolíticos e abundante conteúdo fossilífero, além de intercalações de arenitos, siltitos e folhelhos. A Formação Bocaina possui calcários dolomíticos e calcíticos, por vezes silicificados com níveis oolíticos, intraclastos e raras estruturas estromatolíticas. A Formação Cerradinho é constituído por folhelhos, siltitos, arenitos, arcóseos, calcários, margas e dolomitos. E a Formação Puga apresenta paraconglomerados petromíticos com matriz argilo-sílticoarenosa e cimento calcífero.
As rochas do Grupo Corumbá são suscetíveis à dissolução pelas águas das chuvas, o que possibilitou, na Serra da Bocaina, o desenvolvimento de relevo cárstico, com rios subterrâneos, dolinas, lapiás, cavernas e outras feições típicas deste ambiente. 
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena possui também áreas de campos alagados, cerrados, floresta estacional e o maior trecho da Mata Atlântica no MS. Sua fauna inclui principalmente arara azul, vermelha e canindé, gavião real, raposa, lobinho, lobo guará, jaguatirica, suçuarana e onça pintada.
A imagem acima mostra o Rio Salobra visto do mirante no alto da Fazenda Boca da Onça.
(Crédito da imagem: Mari Presrlak - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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3 de outubro de 2022

Notícias em 03/10/2022

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Rincão do Inferno
Estas formações rochosas estão localizadas na Região da Campanha, no Alto Camaquã, na divisa dos municípios de Bagé (distrito de Palmas) e de Lavras do Sul (1º distrito), no RS. É um dos geossítios que fazem parte do Geoparque Guaritas-Minas do Camaquã.
São constituídas por um maciço rochoso com cerca de 3 km² e aproximadamente 245 m de altura em seu ponto mais elevado, com morros testemunhos, mesas, mesetas, paredões, lajeados, fendas, furnas, blocos e matacões. Este maciço resulta do soerguimento e da erosão de rochas sedimentares conglomeráticas e areníticas da Formação Serra dos Lanceiros, do Grupo Santa Bárbara. São rochas de ambientes deltaico e fluvial entrelaçado do Pré-Cambriano, inseridas na Província Estrutural da Mantiqueira. 
Uma estrutura tectônica vertical corta o maciço na direção NE-SW por cerca de 1,5 km, formando um cânion (imagem acima) por onde corre o Arroio Camaquã Chico (afluente do Rio Camaquã), que marca parte da divisa entre Bagé e Lavras do Sul. 
O nome desta área, pertencente ao Quilombo de Palmas, deriva do fato se expor em extenso afloramento rochoso de ambiente hostil caracterizado pela ausência de solo e pela vegetação esparsa. É uma região péssima para a agricultura, porém ótima para montanhismo, escaladas, trekking, hiking e até canoagem.
Alguns locais e formações no Rincão do Inferno (que também é conhecido como Rincão do Franco) receberam nomes como Pedra do Pulo, Lagoa do Peixe, Praia do Salso, Pedra Amarela, Pedra do Bicho, O Apertado, Lombada da Pedra Grande e Toca do Sapateiro.
O local serviu de refúgio para afrodescendentes que tentavam escapar do regime de escravidão da época.
Junto aos afloramentos rochosos são encontradas cactáceas Cerus e Opuntia, além de plantas espinhosas como a Unha-de-gato e bromeliaceas conhecidas como Gravatá ou Caraguatá.
(Crédito da imagem: Cássio Gomes Lopes - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6)

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30 de setembro de 2022

Notícias em 30/09/2022

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Geoparque Yehliu
Este geoparque, com uma área de 23,8 ha, está localizado em um promontório na costa nordeste de Taiwan, no distrito de Wanli.
O promontório avança por 1,7 km em direção ao oceano e é resultante de soerguimento e posterior erosão da Montanha Datun.
A área é repleta de concreções, chaminés de fada (como a "cabeça da rainha"), tafoni e outras feições (como o "Sapato da Fada"), resultantes de diferentes processos geomorfológicos que atuaram sobre os estratos sedimentares da Formação Daliao do Mioceno. Em zona subtropical, com clima temperado e úmido, o vento, a água e as variações de temperatura agiram atacando as porções menos resistentes. A cada ano, o local está sob a influência das monções do Nordeste e da erosão das ondas por mais de seis meses.
As feições como as da imagem acima são formadas por erosão diferencial em duas etapas. Primeiramente, uma concreção mais resistente no topo protege a área e o material circundante é desbastado. Com o avançar do processo, à medida que a água do mar flui ao redor da concreção, no topo, forma um círculo em baixo relevo circundando-a, parecendo uma bacia onde a concreção é mantida.
Durante a maior parte do século XX, Yehliu era uma fortaleza militar fechada ao público. Somente em 1962, sua paisagem natural foi apresentada ao mundo através de fotos do fotógrafo taiwanês Huang Tse-Hsiu (1930-2014). Em 2012, foi fundado o Yehliu Nature Center para administrar o local.
(Crédito da imagem: pxhere - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

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23 de setembro de 2022

Notícias em 23/09/2022

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Permafrost em degelo
Permafrost (ou pergelissolo) é um solo (incluindo gelo, rocha e matéria orgânica) que permanece a temperaturas abaixo de 0 grau por mais de dois anos consecutivos. Ocorre em ambientes periglaciais, ou seja, em grandes latitudes e altitudes, cobrindo cerca de 20% da superfície da Terra. É encontrado principalmente no Ártico (partes de Sibéria, Alasca e Groenlândia), mas também no Planalto Tibetano, nas Montanhas Rochosas, nos Andes e nos Alpes do Sul. É mais raro na Antártida, onde há mais oceano e menos terra. 
Um permafrost mais antigo, com centena de milhares de anos, pode alcançar profundidade de até 1,5 mil metros. Os mais jovens têm, em média, apenas alguns centímetros de espessura. A camada que congela e descongela anualmente é chamada de "camada ativa". Ela depende da profundidade máxima de degelo no final do verão. O solo perenemente descongelado por mais de um ano em ambiente de permafrost recebe o nome de "talik". A espessura deste e, consequentemente, a degradação do permafrost, é controlada pela disponibilidade de energia (incidência solar e calor advectivo), pela capacidade de transmissão desta energia (condutividade térmica) e pela presença e espessura da camada de neve. Um permafrost é muito sensível às mudanças climáticas, principalmente aqueles classificados como descontínuos ou esporádicos.
Mais de 30% dos permafrosts da Terra está para degelar ou está em fase de degelo. Nesta fase, são liberados gases de efeito estufa para a atmosfera. Isto ocorre porque há metano contido no permafrost, formado a partir da decomposição anaeróbica das porções orgânicas, como vegetação e restos de animais.
No Ártico, o degelo do permafrost libera gases há milênios, mas quando (ou se) o impacto destas emissões será (ou já está sendo) sentido não está claro. Acontece que temperaturas mais quentes tornam o Ártico mais verde e, com mais plantas, há mais captura de carbono, que é armazenando em parte no solo. Não se sabe se ou quando o carbono liberado superará o absorvido. É preciso considerar também que, quando o permafrost descongela, as depressões que se formam viabilizam a deposição de sedimentos, o que pode provocar uma estabilização no processo. Também é preciso considerar que o estudo do permafrost é dificultado porque ele se encontra em regiões remotas e frias. Assim, muitas das medições têm de se basear em imagens de satélite.
Na imagem acima, observa-se o descongelamento do permafrost da Ilha Herschel, no mar de Beaufort, na costa de Yukon, no noroeste do Canadá.
(Crédito da imagem: Boris Radosavljevic - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

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15 de setembro de 2022

Notícias em 15/09/2022

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Cachoeira Sentinela
Esta cachoeira está localizada no município de Diamantina, no Parque Estadual do Biribiri, em MG. Este parque faz parte da porção central da Serra do Espinhaço, região reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera. Foi criado em 1998 com área de 16.999 ha e é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), sendo um dos grandes atrativos naturais da região de Diamantina, incluindo cachoeiras, mirantes e sítios arqueológicos pré-coloniais com pinturas rupestres.
Na região ocorrem rochas metassedimentares do Mesoproterozoico do Supergrupo Espinhaço, com as formações São João da Chapada, Galho do Miguel e Sopa-Brumadinho. Na área da Cachoeira Sentinela ocorrem rochas da Formação Sopa-Brumadinho, predominando quartzitos com filitos subordinados.
O Parque Estadual do Biribiri está inserido no bioma do Cerrado, com fauna e flora diversificada. Muitas de suas espécies estão ameaçadas de extinção tanto na fauna, como o lobo-guará, a sussuarana e o veado, quanto na flora, como as sempre-vivas, as orquídeas, as bromélias e as canelas-de-ema. Nos locais de afloramento rochoso, com altitude acima dos 900 metros, destaca-se a fitofisionomia de campos rupestres.
O nome "Biri" em tupy-guarani significa "buraco" e "biribiri" significa "grande buraco" e está associado à ocorrência de grande acidente geomorfológico na região.
No século XIX, escolhendo um local com potencial hidráulico na região, o Bispo de Diamantina Dom João Antônio Felício dos Santos (1818-1905) fundou a fábrica de tecidos Biribiri para empregar moças pobres da região de Diamantina. Em 1876, as construções foram iniciadas, incluindo armazém e escola. Na década de 1950, no auge, havia 1.200 funcionários trabalhando. A Arquidiocese de Diamantina controlava a fábrica e a vila de Biribiri, que teve açougue, bar, quadra de esportes, refeitório, consultório médico, dentista, clube social, pensionado e casas para operários, além de uma igreja. Em 1970, a fábrica foi desativada, mas ainda funciona a Estamparia S.A que é administra a Vila de Biribiri. Em 1998, a vila foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA) de MG.
(Crédito da imagem: Rodrigo.Argenton - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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14 de setembro de 2022

Notícias em 14/09/2022

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Parque Nacional de Timanfaya
Este parque faz parte de uma das Reservas da Biosfera das Canárias da Espanha. Está localizado no sudoeste da Ilha de Lanzarote, que é a ilha mais oriental do Arquipélago das Canárias.
O nome desta ilha tem origem no século XIII, quando recebeu a visita do primeiro europeu, o navegador genovês Lancelotto Malocello (1720-1336). Bem mais tarde, em 1974, foi criado o Parque Nacional de Timanfaya, com uma área de 51 km2, estendendo-se desde a cidade de Yaiza até a Montaña de Timanfaya, abrangendo parte dos municípios de Yaiza e Tinajom.
Uma região de erupções vulcânicas cobre um quarto da área do parque. O núcleo principal das erupções, com 25 crateras, está localizado nas chamadas Montañas del Fuego, no oeste da Ilha. O nome "Timanfaya" (também escrito "Chimanfaya") justamente tem este significado ("Montanhas do Fogo") na língua Guanche dos nativos de Lanzarote.
O processo eruptivo, que deu origem à paisagem atual, ocorreu principalmente entre 1730 e 1736 e, com menor impacto para a população, em 1821, quando foram formados os últimos cones:
Tao, Chinero e Tiguatón.
As feições geomorfológicas, associadas ao vulcanismo da área incluem:
(i) tubos vulcânicos (quando o teto destes tubos desmorona, formam-se buracos chamados "jameos"),
(ii) derrames de lavas basálticas dos tipos aa e pahoehoe,
(iii) cones de cinzas, correspondendo à fase estromboliana das erupções,
(iv) anomalias geotérmicas, como o Islote de Hilário, e
(v) "hornitos" ("pequenos fornos"), que são bocas eruptivas secundárias.
O mais famoso deste "hornitos" é o Manto de la Virgen (imagens acima) que assume a forma de um manto negro.
As erupções se concentraram em uma linha nordeste-sudoeste, que corresponde a uma zona de fraturas vulcânicas que atravessa Lanzarote. Os vulcões são do tipo havaiano. Formaram grandes colunas de cinzas durante as erupções, compondo lapilli ou pozolana. As cinzas foram levadas pelo vento cobrindo vastas áreas a partir das crateras, produzindo uma região inóspita, característica da Ilha de Lanzarote.
O diário de um padre de Yaiza, chamado Andrés Lorenzo Curbelo, descreve os eventos de 1730:
"Em 1º de setembro, nove horas-dez horas da noite a terra se abriu de repente perto de Timanfaya duas léguas de Yaiza. A primeira noite uma enorme montanha de rosa a partir das entranhas da terra e seu topo escapou das chamas que continuaram a queimar por dezenove dias. Poucos dias depois, um novo abismo foi formado e uma torrente de lava correu Timafaya, em Rodeo e parte da Mancha Blanca".
A área coberta pelas lavas era totalmente dedicada à agricultura, com produção de cereais, que abastecia o consumo próprio e de outras ilhas. Havia também pastoreio e colheita de outros produtos, como a orquila, um líquem de onde se obtém um corante. Em 1730, o primeiro episódio vulcânico afetou profundamente os ilhéus, que foram pegos totalmente de surpresa. A lava devastou inicialmente as aldeias de La Mareta e Santa Catalina e, posteriormente, mais outras trinta aldeias. A população teve que se mudar para Fuerteventura ou procurar novas terras na zona central de Lanzarote. Nos intervalos de calmaria vulcânica, no entanto, sempre havia retorno de grande parte da população para os locais de origem, onde a cobertura de lapilli propiciava grandes e boas colheitas. O vulcanismo, inicialmente catastrófico, deu início a grande desenvolvimento econômico para a Ilha de Lanzarote, com o surgimento de novos núcleos populacinais. Uma das áreas de cultivo, com forte desenvolvimento após o ciclo vulcânico é La Geria, cujo nome corresponde a uma aldeia que havia no mesmo local antes das erupções. A produção de vinhos desta região é muito apreciada na Europa. Atualmente o parque abrange diversas aldeias, como Chimanfaya, Boiajo, La Mareta, Chupadero, Santa Catalina, Malas Tapias e Peña Palomas.
Nas zonas costeiras vivem e reproduzem-se espécies valiosas de vertebrados, especialmente aves marinhas. Embora praticamente desapercebidos, há répteis e invertebrados adaptados a condições adversas. Em 1994, o parque foi declarado Área de Proteção Especial para Aves devido à sua importância como área de reprodução e refúgio de certas espécies. A história geológica da ilha permitiu que inicialmente apenas os líquens reinassem. Cerca de 150 espécies deles lentamente atacam a rocha, criando terras férteis para que outras plantas, como certos juncos, possam prosperar.
(Crédito das imagens: jkb (superior) e Gernot Keller (inferior) - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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