"O presente é a chave para o passado"
James Hutton

31 de julho de 2022

Notícias em 31/07/2022

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Cachoeira Multnomah
Esta cachoeira está localizada próxima ao extremo oeste do desfiladeiro Columbia River, no Oregon, EUA. Tem quase 190 m de queda d'água, sendo uma das mais altas da América do Norte. É alimentada por águas de nascentes de Larch Mountain (ao sul do desfiladeiro Columbia River) e cai em rochas basálticas da Formação Grande Ronde, do Mioceno Inferior ao Médio, pertencente ao Grande Grupo Basáltico Columbia River. No penhasco da cachoeira, estão expostas seis camadas de rochas, correspondentes a fluxos de lava basáltica empilhadas como capítulos da história geológica da região. Nos últimos 25 milhões de anos, o Rio Colúmbia tem migrado para o norte, ao ser empurrado por fluxos de lava como estes. Quando o derrame basáltico transbordou do arco vulcânico Cascade, o antigo canal do rio se encheu e novos foram sendo esculpidos por ele na borda norte daqueles fluxos de lava. Atualmente o desfiladeiro Colúmbia River está repleto de seções transversais testemunhando as antigas rotas do Rio Colúmbia. Na imagem acima, pode ser vista a Ponte Benson, uma característica distintiva da cachoeira onde os turistas experimentam a sensação de spray das águas que caem. Ela foi construída em 1914 pelo empresário norueguês, naturalizado norte-americano, Simon Benson (1851-1942) e é a peça de arquitetura mais fotografada do Oregon. Entre as duas cascatas de Multnomah, logo abaixo da ponte, há uma piscina natural que era aberta público até que, em 1995, uma pedra do tamanho de um ônibus despencou ferindo algumas pessoas, inclusive vários convidados de um casamento que estava sendo festejado ali. Uma triste lenda do povo Multnomah confirma a perigosa associação de casamentos com a Cachoeira Multnomah. Você não precisa continuar a ler. Certa vez, a única filha do Chefe daquele povo se apaixonou por um jovem corajoso. Durante o casamento, as pessoas começaram a adoecer e morrer. Os conselheiros mais sábios explicaram que o Grande Espírito estava contrariado com tudo aquilo e, para salvar o povo, deveria haver o sacrifício de uma jovem donzela, filha de um líder daquele povo. Muitos lideres estavam presentes, mas o Chefe disse que não haveria nenhum sacrifício e que o povo precisava enfrentar bravamente a doença. A filha do Chefe, no entanto, assumiu a responsabilidade e, durante a noite, fugiu e se atirou do grande penhasco. Na manhã seguinte, todos os doentes começaram a melhorar. Então, o Chefe, sabendo da morte da filha, clamou aos céus para que fosse enviado um sinal de que ela vivia em paz com os espíritos. Logo as águas começaram a descer pelo penhasco caindo aos pés do Chefe. Até hoje a Cachoeira Multnomah confirma este sinal, indicando que o sacrifício da donzela foi feito com amor pelo seu povo, e ainda salpica spray em quem aparece por lá.
(Crédito da imagem: Geology and Ecology of National Parks - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
petróleo, produção, justiça, energia alternativa, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia e outros.

30 de julho de 2022

Notícias em 30/07/2022

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A geologia de Brasília
Brasília, com uma área de 5.779 km², é a capital federal do Brasil e a sede do governo do Distrito Federal (DF), que tem uma área de 50 mil km². Faz parte do Planalto Central, no centro-oeste do país, e está localizada nas cabeceiras do Rio Maranhão, afluente do Rio Tocantins, do Rio Preto, afluente do Rio São Francisco, e dos rios São Bartolomeu e Descoberto, afluentes do Rio Paraná. A região é predominantemente plana, com 1.000 m de altitude média, e seu ponto mais elevado é o Pico Roncador, com 1.341 m, na Serra do Sobradinho. Em grande parte, a estrutura geológica do Brasil Central é herdada da orogênese Brasiliana, estabelecendo uma rede de faixas de dobramentos, correspondentes a bacias sedimentares mesoproterozoicas e neoproterozoicas, separadas por crátons. A Faixa Brasília, cobrindo partes de TO, GO e MG, compreende um cinturão de dobramentos de idade neoproterozoica que ocorre na borda ocidental do Cráton do São Francisco. Na região do DF ocorrem rochas dos grupos Paranoá, Canastra, Araxá e Bambuí. Abrangendo 60% da área do DF, as rochas metapsamo-pelíticas e carbonatadas do Meso/Neoproterozoico do Grupo Paranoá são subdivididas em seis unidades: metassiltito, ardósia, metarritmito arenoso, quartzito médio, metarritmito argiloso e psamopelito-carbonatado. As rochas do Grupo Canastra constituem um conjunto amplamente dominado por filitos variados com contribuição restrita de quartzitos, calcifilitos, mármores finos e filitos carbonosos. Ocorrem em 15% da área do DF, nas porções centro-leste e meio-norte. O Grupo Araxá, em 5% da área do DF, é composto essencialmente de xistos variados e, subordinadamente, de quartzitos. Em cortes de estrada são facilmente encontrados boudins de quartzo. Os sedimentos pelíticos do Grupo Bambuí, na porção oriental do DF, afloram em drenagens e raros cortes de estradas, sendo sua maior área recoberta por uma espessa camada de latossolos vermelhos. Na porção centro-sul do DF ocorrem metapelitos do Grupo Bambuí, de muito baixo grau de metamorfismo, alterados com cores rosadas e ricos em cubos de pirita limonitizada. No século XIX, nem todas estas informações eram conhecidas, mas, já em 1823, José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838), para garantir a segurança do país, propôs a construção de uma nova capital no interior do Brasil e sugeriu o nome: Brasília. Em 1892, foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil que, em 1894, apresentou relatório com topografia, geologia, clima, flora, fauna e recursos materiais. No século XX, baseando-se nestas informações, em 1954, o então presidente João Fernandes Campos Café Filho (1899-1970) escolheu o local. Surgiu o nome de Vera Cruz para a capital, mas não vingou. Em 1955, foi delimitada uma área de 50 mil km² para o DF. Em 1956, sob o comando do então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), foi iniciada a construção da cidade com o projeto urbanístico de Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima Costa (1902-1998), tendo seu característico formato de avião (imagem acima, junto ao Lago Paranoá), e com os principais projetos arquitetônicos de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho (1907-2012). Em 21 de abril de 1960, a estrutura básica de Brasília foi inaugurada na área do DF. Esta área é totalmente ocupada pelo Cerrado. A região, conhecida como savana, abriga diversas espécies de plantas e há também mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios, além de políticos. Brasília é a sede dos três poderes do governo federal.
(Crédito da imagem: Coordenação-Geral de Observação da Terra / INPE - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

Assuntos do dia
mineração, barragem, petróleo, mercado, energia alternativa, geologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, conhecimento e outros.

29 de julho de 2022

Notícias em 29/07/2022

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As Falésias Pintadas da Maria
Estas falésias ficam no Parque Nacional da Ilha Maria, na costa da Tasmânia, Austrália. A Ilha Maria tem 20 km de comprimento por 13 km de largura. Quando a maré está baixa e o mar calmo, é possível ter acesso às Falésias Pintadas (Painted Cliffs) constituídas pelo arenito do Triássico do Grupo Upper Permain Parmeener. Os sedimentos que deram origem a esta rocha macia, há cerca de 200-250 milhões de anos, foram trazidos por grandes rios e depositados em camadas profundas em amplas planícies de inundação. Estes arenitos estão expostos ao longo da costa e são sobrepostos por um dolerito do Jurássico que também cobre a maioria dos picos da Tasmânia. Na Ilha Maria, este dolerito está presente em colinas proeminentes conhecidas como Bishop and Clerk e Monte Maria. A pintura dos arenitos se deve a padrões (conhecidos como "Bandas de Liesegang" ou "Anéis de Liesegang") que foram revelados pela erosão formando bandas e anéis alaranjados e amarelados, tendo origem na presença de óxido de ferro. Nos últimos 10 milhões de anos, a Tasmânia experimentou um clima de monções e as chuvas extremas contribuíram para lixiviar o ferro a partir do dolerito sobrejacente rico em ferro. Sendo o arenito das falésias uma rocha macia, o ferro se infiltrou com facilidade por onde encontrou caminho ao longo de fraturas ou juntas e na estratificação do arenito. O tempo úmido foi seguido por períodos secos e a água se foi, deixando o óxido de ferro para trás. Neste cenário, mais tarde, as tribos aborígines batizaram a ilha com o nome de Wukaluwikiwayna. Em 1642, o navegador, explorador e comerciante neerlandês Abel Janszoon Tasman (1603-1659) deu-lhe o nome de Ilha Maria em homenagem a Maria Van Diemen, esposa do governador da Batávia (região histórica dos Países Baixos). De 1825 a 1832, a Ilha Maria foi uma colônia penal e, de 1842 a 1850, foi usada como estação de estágio para condenados. As antigas estruturas dos prédios onde ficavam os condenados ainda podem ser vistas nas proximidades da velha cidade de Darlington. A Ilha Maria já abrigou uma fábrica de cimento e posteriormente foi ocupada por pequena comunidade agrícola e piscatória. Em 1971, foi oficialmente declarada Parque Nacional. Sua vida selvagem é variada, incluindo wombats comuns, demônios da Tasmânia, gansos-do-cabo, cangurus florestais, wallabies de Bennett e 125 espécies de pássaros. 
(Crédito da imagem: cprevot - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5)

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petróleo, produção, mercado, fiscalização, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, asteroides, eventos e outros.

28 de julho de 2022

Notícias em 28/07/2022

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Parque Nacional de Kalbarri
Este parque fica próximo da foz do Rio Murchison, ao norte de Geraldton, na Australia Ocidental. Os sedimentos que deram origem ao Arenito Tumblagooda, encontrado na região, foram depositados em planícies de maré há cerca de 400 milhões da anos. São camadas finas, vermelhas e brancas, com marcas de ondulação, vistas através da maior parte do desfiladeiro do rio e no sopé da praia de Red Bluff. A imagem acima mostra a conhecida Nature's Window ("Janela da Natureza", com dimensões máximas de vão de cerca de 2 m de largura e 1,5 m de altura), modelada pela erosão eólica no Arenito Tumblagooda. Os registros fósseis mais antigos deste arenito são de rastros de artrópodes indicativos de eurypterids do Ordoviciano inicial a médio. Nos últimos 400 milhões de anos, o Rio Murchison (na imagem acima, ao fundo) esculpiu os desfiladeiros que alcançam desníveis de até 150 m e começam no limite sul do Parque, seguindo por 13 km até a praia de Red Bluff, ao sul da cidade de Kalbarri. O Parque se estende por 85 km em direção ao oceano, abrangendo uma área de 1.830 km2. Abriga 21 espécies de plantas endêmicas encontradas principalmente nos topos da falésias costeiras e na região dos desfiladeiros, como a erva perene Kalbarri catspaw. A região é conhecida por suas flores silvestres que enfeitam as charnecas, como bankias e grevilleas. Kalbarri também é rico em pássaros e outros animais, como cangurus cinzentos ocidentais e emas. As falésias na praia e os desfiladeiros são sobrevoadas por águias.
(Crédito da imagem: Julien Carnot - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
mineração, mercado, fiscalização, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, ensino, eventos e outros.

27 de julho de 2022

Notícias em 27/07/2022

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Itabirito da Serra da Piedade
A Serra da Piedade está situada no Quadrilátero Ferrífero (QF), no centro-leste de MG, na divisa entre os municípios de Sabará e Caeté. É um patrimônio geológico e paleontológico do Brasil reconhecido pela Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP). Possui afloramentos de uma Formação Ferrífera Bandada (Banded Iron Formation - BIF) identificada como Itabirito (imagem acima), pertencente à Formação Cauê. O QF possui grande importância econômica em razão do minério de ferro de alto teor e é caracterizado por três grandes associações de litotipos: duas arqueanas, representadas por terrenos granito-gnáissicos e pelo greenstone belt Rio das Velhas, e uma paleoproterozoica (sobretudo entre 2,5 bilhões e 2,0 bilhões de anos) constituída por uma sequência metassedimentar contendo BIFs do tipo "Lago Superior", pertencente ao Supergrupo Minas. Esta sequência possui laminação milimétrica a centimétrica, resultado da precipitação química rítmica de ferro e sílica (e/ou carbonato), devido ao aumento do oxigênio na paleoatmosfera. São associadas a chert, dolomito, quartzito, argilito e rochas vulcânicas e ocorrem com muitos corpos de minério de hematita compacta de origem hidrotermal. Nas BIFs, a lixiviação promoveu enriquecimento ferrífero que aconteceu simultaneamente com as mudanças na composição da paleoatmosfera iniciadas na passagem do Arqueano para o Proterozoico. Na Serra da Piedade afloram rochas do Supergrupo Minas, caracterizadas por sequências plataformais de mar raso e profundo. Este supergrupo inclui os itabiritos da Formação Cauê (Grupo Itabira), com grande espessura, e os filitos da Formação Cercadinho (Grupo Piracicaba), rochas estas separadas por discordância erosiva. A Serra também é importante local da história do interior do Brasil, associada ao bandeirismo, presente nos relatos do botânico e naturalista francês Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire (1779-1853), do naturalista alemão Johann Baptist Spix (1781-1826), do médico, botânico e antropólogo alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) e do geólogo, geógrafo, arquiteto e metalurgista alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855). Em meados do século XVII, recebeu expedições em busca de metais nobres e pedras preciosas. O Pico da Serra da Piedade serviu de orientação para aqueles que por lá passaram. Durante algum tempo, a Serra da Piedade recebeu o nome de Sabarabuçu, corruptela do nome indígena Itaberabuçu ("ita" = "pedra", "bira" = "reluzente" e "uçu" = "grande"). Tem semelhante etimologia a palavra "itabirito", que foi cunhada por Eschwege no início do século XIX. Em 1956, a região teve parte do conjunto paisagístico e arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
(Crédito da imagem: Dionisio Tadeu de Azevedo - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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26 de julho de 2022

Notícias em 26/07/2022

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Pirâmide de Ball
Este pináculo marinho faz parte do Parque Marinho da Ilha Lord Howe, um Patrimônio Mundial da Unesco, na Austrália. Está localizada 20 km a sudeste da Ilha Lord Howe, sendo banhada pelo Mar da Tasmânia, a sudoeste do Oceano Pacífico. Em 1789, o oficial britânico Arthur Phillip (1738-1814) publicou o livro "The Voyage of Governor Phillip to Botany Bay with an Account of the Establishment of the Colonies of Port Jackson and Norfolk Island" ("A viagem do governador Phillip para Botany Bay com um relato do estabelecimento das colônias de Port Jackson e Norfolk Island"). Neste livro há a seguinte descrição: "A Ilha Lord Howe foi descoberta pelo Tenente Henry Lidgbird Ball, Comandante do Abastecimento de Sua Majestade, em 17 de fevereiro de 1788, e foi assim chamada por ele, em homenagem ao Honorável Lord Howe. Ao mesmo tempo, ele observou uma rocha piramidal notavelmente alta a uma distância considerável da ilha, que foi chamada de Pirâmide de Ball". Esta "pirâmide" é considerada a ilha vulcânica mais alta do mundo (proporcionalmente), tendo 562 m de altura, 1.100 m de comprimento e 300 m de largura. É o remanescente erodido da borda de um vulcão em escudo que entrou em erupção há cerca de 7 milhões de anos. Faz parte do Grupo de Ilhas Lord Howe. Este grupo constitui o topo do planalto subaquático Lord Howe Rise, considerado parte do continente submerso da Zelândia. A Pirâmide de Ball foi formada pelos fluxos de lava basáltica quase horizontais originados de uma das várias aberturas do vulcão que chegou a 30 km de diâmetro e uma altitude máxima de 1 km. Aproximadamente, há 6,3 milhões de anos a área ao redor da abertura principal desabou, sendo preenchida por fluxos horizontais de lava, que variaram de 1 a 30 m de espessura. Formou-se uma plataforma de cerca de 20 km de comprimento e 10 km em média de largura. A Pirâmide de Ball está situada no centro desta plataforma e é o lar de uma pequena população de insetos-pau (Dryococelus australis), extintos no restante do mundo. Com 15 cm de comprimento, estes insetos são conhecidos como "lagostas terrestres" ou "salsichas ambulantes".
(Crédito da imagem: PotMart186 - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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25 de julho de 2022

Notícias em 25/07/2022

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Dobras caledonianas
Estas dobras são encontradas em Saltstraumen, um pequeno canal natural nas proximidades de Bodø, no norte da Noruega. Elas pertencem ao Grupo Bodø e são constituídas predominantemente por biotita xistos quartzo-feldspáticos que gradam, ao aumentar a quantidade de calcita, para mármores impuros. Elas são cortadas por veios tardios de quartzo e pegmatito. O Grupo Bodø sofreu vários períodos de deformações que produziram complexos dobramentos durante a Orogenia Caledoniana. Há 490-390 milhões de anos, esta orogenia foi produto da colisão das placas tectônicas Laurentica, Avalonia e Báltica, ou somente Laurentica e Báltica no caso da Escandinávia. Houve uma colisão acrecionária como a que acontece na costa do Chile atualmente. Assim, a subducção da placa Laurentia, após o fechamento do Oceano Iapetus, produziu uma área com rochas metamórficas conhecida como Cinturão de Dobras Caledoniano. A cunha acrecionária, entre Laurentia e Báltica, consistiu principalmente de areia e lama. Na subducção, formaram-se também outros sedimentos, como calcários a partir de bancos de calcita ao largo da costa. Alguns destes sedimentos sofreram metamorfismo de fácies xisto azul, sob baixas temperaturas e altas pressões. Outros foram afetados por metamorfismo de fácies xisto verde, com temperaturas mais elevadas e pressões relativamente mais baixas. Quando a colisão chegou ao final e a subducção cessou, ocorreu metamorfismo de fácies anfibolito. A cunha acrecionária foi comprimida e contorcida e as rochas derreteram através de anatexia, processo metamórfico que acontece com elevadas temperaturas em grandes profundidades. Algumas delas, altamente metamorfisadas, foram espremidas de volta à superfície, sofrendo metamorfismo regressivo. Na imagem acima, a estratificação proeminente foi causada por erosão diferencial, quando provavelmente houve dissolução das camadas ricas em mármore. Como a vida imita a arte (desta vez, a arte geológica), nas proximidades de Bodø, uma corrente é produzida pela maré que é considerada a muito forte do mundo causa redemoinhos na água do canal de Saltstraumen. Formam-se turbilhões muito semelhantes às dobras caledonianas.
(Crédito da imagem: Battleboy - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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24 de julho de 2022

Notícias em 24/07/2022

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Ilha Tory
Tory é a ilha habitada mais remota da Irlanda, distando 14 km da costa oeste do condado de Donegal. Tem aproximadamente 4 km de comprimento e 1 km de largura com, aproximadamente, uma centena de moradores residindo em duas pequenas aldeias, uma em cada extremidade da ilha. Além deles, no extremo leste reside uma formação rochosa na forma de crista (na imagem acima) com 50 m de altura, em média, e 400 m de comprimento. É a crista An Eochair Mor ("A Grande Chave", nome dado por causa de sua forma dentada como uma chave), que se projeta em direção norte no Oceano Atlântico. Ao final dela, com 70 m de altura, fica o cume An Tor Mor ("A Grande Torre"), também conhecido como Tormore ("Tormento") ou Anvil ("Bigorna"). A Ilha Tory faz parte de um corpo ígneo que se estende desde o continente, sendo constituída pelo granito Thor, com algumas intrusões de dolerito, e pelo Quartzito Ards. Na porção leste, este quartzito, pela sua resistência à erosão, eleva topograficamente a ilha e é responsável pelas falésias que se estendem também para a costa norte. An Eochair Mor e An Tor Mor são constituídos predominantemente de quartzitos, enquanto a história da Ilha Tory é constituída predominantemente de mitos e lendas. Acredita-se que os colonos nemédios, originários de Cítia (uma antiga região da Eurásia), tenham sido seus primeiros habitantes. Após, os mitológicos formorianos invadiram a ilha, removeram os nemédios e construíram a Túr Ri ("Torre do Rei"). É daí que vem o nome Tory. Ainda hoje em uma parte mais elevada da ilha, é possível ver os restos de uma fortaleza provavelmente da época entre o final da Idade do Bronze e início da Idade do Ferro, conhecida como Dún Bhalóir ("Forte de Balor"). Pois, dizem que o rei formoriano Balor era um temível gigante ciclope que carregava duas profecias sobre seus ombros. Ele só seria derrotado se fechasse seu único olho ou se fosse enfrentado por um neto. Para vencer o destino, Balor nunca fechava o olho e prendeu sua única filha Eithne em uma torre de cristal no alto de An Tor Mor. Assim, ela nunca se casaria e, principalmente, não poderia ter filhos. Ao longo de An Eochair Mor, Balor colocou guardas que, até hoje, estão lá na forma de pilares de rocha. Não adiantou, com a ajuda do druida Birog, o chefe dos Tuatha Dé Danann ("Povos da deusa Danu", que viviam no continente), chamado Cian, conseguiu alcançar An Tor Mor. Nove meses depois, nasceram trigêmeos. Balor matou Cian e jogou os trigêmeos no mar. Não adiantou. Lúgh, um dos trigêmeos salvo por Birog, cresceu e matou Balor. E pensar que tudo isto aconteceu porque Balor roubou uma vaca de Cian, que, enquanto atacava Tory por vingança, acabou se apaixonando por Eithne. É o destino. Hoje, indiferentes a isto tudo, as falésias de Tory abrigam colônias de aves marinhas, como fulmar, pardela-de-tempestade, gaivota comum, bico-de-barba, guillemot e puffin. Gralhas e Falcões peregrinos também nidificam no local e, por sorte, não geram netos para Balor.
(Crédito da imagem: Stair na hÉireann - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6)

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23 de julho de 2022

Notícias em 23/07/2022

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A maior pedra preciosa do mundo
Jasper Knob (ou Jasper Hill) é uma colina localizada na parte sudeste da cidade de Ishpeming, no condado de Marquette, no norte da Península Superior de Michigan, EUA. Ela é totalmente constituída por jaspilito, uma Formação Ferrífera Bandada (Banded Iron Formation - BIF) com bandas alternadas de chert vermelho (jaspe), hematita vermelha e hematita especular cinza-prateada. Fazendo parte da Cordilheira Marquette Iron, o jaspilito de Jasper Knob é uma rocha que sofreu leve metamorfismo e apresenta deformações que expõem diversos e caprichosos dobramentos ressaltados pelo seu colorido. Pertence à Formação Ferrífera Negaunee (Grupo Menominee superior, Supergrupo Marquette Range) do Paleoproterozoico médio (entre 2,11 bilhões e 1,874 bilhão de anos). A Formação Negaunee, além de jaspilito, inclui outras rochas com graus variados de metamorfismo, como quartzito ferruginoso, ardósia ferruginosa, sílex ferruginoso e taconito. Tem sido explorada desde 1844, quando foi descoberta. Inicialmente, a mineração se concentrou no minério de hematita e magnetita aflorante. Mais tarde, durante o século XIX, depósitos de hematita foram extraídos por mineração subterrânea e praticamente se esgotaram em meados de 1900. Durante a década de 1950, a mineração produziu um concentrado/pellet de ferro com relativamente baixo conteúdo de sílica e características físicas e químicas favoráveis à produtividade da fundição. Negaunee é uma das formações ferríferas que ocorrem na bacia paleoproterozoica Animikie juntamente com outros depósitos classificados como BIFs do tipo Lago Superior. Ao contrário de outras BIFs, Negaunee é extremamente variável quanto à fonte de ferro, ao transporte, ao ambiente de deposição, à alteração diagenética e ao grau de metamorfismo. Esta formação era, originalmente, constituída por sílex de carbonato de ferro que sofreu oxidação supergênica e enriquecimento ferrífero. Este enriquecimento fez com que a cidade de Ishpeming também enriquecesse associada aos depósitos superficiais de minério de ferro. Tudo começou quando um nativo chamado Madji-Gesick levou o explorador Philo Everett a uma colina de minério com 55 m de altura. Era Jasper Knob, que passou a ser conhecida como "a maior pedra preciosa do mundo". A cidade se desenvolveu e prosperou devido à mineração de ferro ao redor de Jasper Knob. A colina, por causa do seu relativo baixo teor deste metal, felizmente tem conseguido sobreviver para a alegria de fotógrafos e pesquisadores.
(Crédito da imagem: James St. John - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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22 de julho de 2022

Notícias em 22/07/2022

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Monte Tabor
Esta elevação, também conhecida como Morrão do Capão, está localizada no município de Palmeiras, BA, no Parque Nacional da Chapada Diamantina. É um morro testemunho situado no centro da anticlinal do Pai Inácio, como remanescente desta anticlinal juntamente com o Morro do Camelo e o Morro do Pai Inácio. Com altura de 210 m e altitude é de 1.418 m, o Monte Tabor foi esculpido pela erosão que se condicionou por fraturas subverticais e pelo contato das rochas da Formação Tombador (do Grupo Chapada Diamantina) com as da Formação Guiné (do Grupo Paraguaçu). Na sua porção superior, ocorrem arenitos rosados, com estratificação cruzada, marcas onduladas e planos de estratificação ondulados ou inclinados, pertencentes à Formação Tombador. Abaixo são encontrados lamitos, siltitos e arenitos da Formação Guiné. As rochas do Monte Tabor fazem parte das Coberturas Mesoproterozoicas presentes na Chapada Diamantina. Este monte fica no distrito de Caeté-Açu (do município de Palmeiras), também conhecido como Capão ou Vale do Capão. Daí vem o nome Morro do Capão. Caeté-Açu, em tupi, significa "mata verdadeira grande" (ka’a = "mata", eté = "verdadeiro" e gûasu = "grande"). Este distrito, assim como o Monte Tabor, também é um remanescente de algo do passado. Ele cresceu, como muitos da Chapada, dependente do comércio de diamante e ouro e da indústria da cana e do café.
(Crédito da imagem: Jeilson Andrade - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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21 de julho de 2022

Notícias em 21/07/2022

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Am Buachaille
Esta pilha marinha está localizada em Highland, na Escócia, na costa noroeste de Sutherland, na ponta do promontório Rubh' a Bhuachaille, a oeste da baía de Sandwood. As rochas da região fazem parte principalmente do conjunto de rochas identificadas pela denominação de O Torridoniano, termo cunhado em 1892. Este conjunto é constituído por arenitos e conglomerados bem estratificados. Sua origem nos remete ao final do Pré-Cambriano, entre 1 bilhão e 750 milhões de anos, no noroeste do que é hoje Highland. Naqueles tempos, o Gnaisse Lewisiano teve provavelmente seu último ciclo erosivo. Acumularam-se, então, sedimentos na bacia foreland Caledoniana que, posteriormente, transformaram-se em O Torridoniano. Em Highland, estas rochas sedimentares são comumente avermelhadas ou marrom-avermelhadas, originadas de depósitos em ambientes fluviais ou, mais raramente, lacustres rasos, com acúmulos locais de seixos-brechas. Sua grande espessura e os indicadores paleoambientais sugerem que aqueles sedimentos se acumularam em bacias submersas, provavelmente definidas por falhamentos na forma de riftes. Falhamentos estes considerados de estágio inicial do evento que mais tarde produziu o Oceano Iapetus, separando as placas tectônicas Laurentia e Báltica. Em O Torridoniano é encontrada uma discordância onde rochas de idade de cerca de 960 milhões de anos (identificadas como Torridoniano Inferior ou Grupo Stoer) estão em contato com outras de idade de cerca de 770 milhões de anos (do Torridoniano Superior ou Grupo Torridon). As paleolatitudes destas rochas diferem em aproximadamente 45º. Como o Grupo Stoer foi amplamente erodido, frequentemente o Grupo Torridon tem contato direto com gnaisses do embasamento, conforme acontece na costa noroeste de Sutherland. Nesta região, O Torridoniano forma falésias com até 90 m de altura e também pilhas marinhas como Am Buachaille ("O Pastor" em gaélico escocês), que tem 65 m de altura. Ela foi escalada pela primeira em 1968 vez pelo montanhista, médico e escritor escocês Tom Patey (1932-1970) e pelo montanhista britânico Ian Clough (1937–1970).
(Crédito da imagem: Manico - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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20 de julho de 2022

Notícias em 20/07/2022

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Playa de las Catedrales
A Praia das Catedrais, também conhecida como Playa de Augasantas ("Praia de Água Benta", em galego) está localizada na região geomorfológica chamada Rasa Cantábrica (ou Rasa Costeira), em Ribadeo, na província de Lugo, na Galícia, Espanha, entre o Mar Cantábrico e o sopé das montanhas. Há 444 milhões de anos, a região do atual Ribadeo se situava no hemisfério Sul, no Gondwana. Durante o Ordoviciano, uma grande glaciação aconteceu e depósitos de varves de origem fluvio-glacial chegaram aos lagos locais. Formaram-se grossas camadas de areia no verão e finas camadas de argila no inverno. Durante a Orogenia Hercínica, estas camadas se transformaram respectivamente em quartzitos e ardósias (filitos) devido a um metamorfismo de baixa intensidade. Os fluídos hidrotermais preencheram veios e lacólitos com quartzo em associação com arsenopirita enriquecida em ouro. Com o desmembramento do Pangea, a região do atual Ribadeo finalmente se mudou para o hemisfério norte. No Mesozoico, esta região sofreu forte erosão marinha, mas resistiram os quartzitos e as ardósias da Série Los Cabos, oriundos dos sedimentos do Ordoviciano, e surgiu a Rasa Cantábrica. Esta superfície aplanada e ligeiramente inclinada para o mar conseguiu manter seu topo a uma altitude de 30 m. Há cerca de 2.000 anos, os romanos chegaram à região e localizaram depósitos primários de ouro. O minério foi explorado e moedas de ouro foram cunhadas. Hoje, a Praia das Catedrais é declarada Zona Especial de Conservação, onde ocorre o endemismo atlântico, como a Flora vascular e a Angélica pachycarepa. Nesta zona foram identificados 21 tipos de habitats naturais. Entre as aves, encontram-se o gavião e o cormorão de crista, que estão em situação de risco, além do virapedras, do pilar escuro e das aves migratórias. As lontras são regulares visitantes das águas da praia. Outro destaque natural são as formações rochosas da Praia das Catedrais que evoluíram geomorfologicamente em quatro etapas: (i) desenvolvimento de fraturas onde a erosão marinha atua de forma mais fácil e intensamente; (ii) formação de furnas ou grutas obedecendo a orientação das fraturas da rocha; (iii) desabamento de porções da rocha por ligação de vazios; e (iv) formação de arcos rochosos.
(Crédito da imagem: Andy Roberts - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6)

Assuntos do dia
projeto, petróleo, produção, mercado, fiscalização, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, eventos e outros.

19 de julho de 2022

Notícias em 19/07/2022

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Ponta de São Lourenço
Esta península constitui o extremo oriental da Ilha da Madeira, situada 900 km a sudoeste de Portugal. A Ponta de São Lourenço é dominada por estruturas onde se destacam um denso enxame de diques e um padrão de fraturas que controlam os acidentes geográficos da área. Estas estruturas indicam um campo de tensão distensivo que sugere um modelo rifte-hotspot semelhante aos dos vulcões-escudo do tipo havaiano. Assim foi o vulcanismo intraplaca formador da Ilha da Madeira. Esta ilha se encontra na porção oceânica da placa Africana, no extremo sul da crista de Tore-Madeira, tendo o edifício vulcânico que a construiu se projetado a partir da chamada planície abissal da Madeira. Foram produzidos diversos tipos de materiais vulcânicos, como derrames basálticos e depósitos piroclásticos com idades que variam entre 5,2 milhões e 0,9 milhões de anos. Neste contexto, a Ponta de São Lourenço comporta uma grande variedade de litologias pertencentes às unidades do Complexo Vulcânico Principal, da Formação do Porto da Cruz e do Vulcanismo Moderno. Em função destes diversos tipos litológicos, esta península tem sofrido erosão diferencial que produz uma geomorfologia distinta daquela do restante da ilha. Seu clima seco favorece à observação geológica, sendo encontrados no local múltiplos sítios de interesse. Sua forma de península longa e estreita é ainda prolongada em seu final por duas pequenas ilhas, o Ilhéu da Cevada e o Ilhéu do Farol. Diz a lenda que seu nome foi atribuído na época da descoberta da Ilha da Madeira. Um marinheiro que fez parte da expedição, cansado de percorrer a península teria exclamado: "Ó São Lourenço, chega!".
(Crédito da imagem: Holger Uwe Schmitt - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
projeto, mineração, petróleo, produção, mercado, política, justiça, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, asteroides, conhecimento, vagas e outros.

18 de julho de 2022

Notícias em 18/07/2022

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Cachoeira do Cervo
Esta cachoeira está localizada no município de Paraúna, GO, a aproximadamente 60 km da sede da cidade. Abastecida pelo Rio Couro do Cervo, ela constitui um complexo de saltos com quedas de até 12 m de altura e 25 m de largura sobre o arenito da Formação Aquidauana. As rochas permo-carboníferas desta formação, além do arenito que aflora na área da cachoeira, incluem conglomerados de seixos de quartzo. A maioria destas rochas são de cor vermelho tijolo. Os leitos de arenito são friáveis com algumas inclusões de feldspato e apresentam estratificação cruzada. Também são encontrados níveis silicificados locais com arenitos espessos brancos, bem como conglomerados (diamictitos) seguidos por siltitos e argilitos em camadas finas e folhelhos vermelhos a verde-acinzentados. Ritmos formados por níveis finos de argilito, siltito e arenito fino também são observados na Formação Aquidauana. O município de Paraúna está contido no Planalto Setentrional da Bacia do Paraná, em altitudes que variam de 600 a 890 metros. Sua vegetação natural é constituída por Cerrado. O nome da cidade é formado pelos radicais tupi-guarani "para" ("rio") e "una" ("preto"), em referência ao Rio Turvo com suas águas escuras que corre nas proximidades. Paraúna teve origem no povoado "Bota Fumaça" ou "Fumaça", cuja denominação se deve à fumaça que os moradores liberavam pelas narinas especialmente em dias frios. Agora, quanto à origem do nome "Couro do Cervo", procuro alguém que saiba.
(Crédito da imagem: Prefeitura Municipal de Paraúna - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

Assuntos do dia
barragem, petróleo, mercado, energia alternativa, meio ambiente, paleontologia, terremotos, vulcanismo e eventos.

17 de julho de 2022

Notícias em 17/07/2022

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Pico de Ana Ferreira
Esta formação rochosa faz parte de uma antiga pedreira localizada em Porto Santo, uma ilha do Arquipélago da Madeira, 1.010 km a sudoeste de Portugal. A Ilha do Porto Santo foi formada durante o Mioceno por lavas basálticas que foram cortadas por volumosas intrusões e diques. Eles configuram a maioria das cristas e elevações da ilha, que sofreu forte erosão, restando somente um terço da sua superfície original. Quem viveu alguns anos neste cenário, na Ilha do Porto Santo, foi Cristóvão Colombo (1451-1506), onde planejou sua viagem de descoberta da América. Dizem que, atualmente em noites iluminadas pela Lua, o navegador é visto a passear na praia vagueando sobre as areias douradas. Vez por outra ele para e lança seu olhar em direção ao horizonte. Ao nascer do sol, sua figura se dissipa. O que não se dissipa é o Pico de Ana Ferreira, com seus 1.100 m de extensão e 288 m de altitude. Ele corresponde a um relevo residual, resultado da erosão diferencial que atuou sobre um dique de mugearito. Esta rocha é um traquiandesito basáltico do Mioceno Médio, com 12,7-12,5 milhões de anos, que se formou a partir de um magma de composição intermediária localizado abaixo da atual crista. As rochas encaixantes foram facilmente erodidas. Elas correspondem a depósitos vulcanoclásticos submarinos (hialoclastitos) e lavas submarinas pertencentes à Unidade Inferior (fase de montanha submarina). A disjunção prismática do Pico de Ana Ferreira faz com que ele se apresente com colunas de seção principalmente hexagonais ou pentagonais. Estas estruturas, de cor cinza clara, foram originadas pelas tensões de contração produzidas durante o lento resfriamento do magma no interior do conduto vulcânico. Contracenando com isto tudo, há uma flora tipicamente macaronésia. Esta palavra vem do grego através da junção de makáron ("felicidade") com nésoi ("ilhas") e se refere à área biogeográfica constituída pelos arquipélagos de Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde. Em Porto Santo é encontrada uma cobertura herbácea dominada por plantas anuais e bienais xerófilas. Quanto à fauna, são encontradas lagartixas (Teira dugesii) e tarântulas (Hogna schmitzi), além de cagarras (Calonectris diomedea borealis), roque-de-castro (Oceanodroma castro), alma-negra (Bulweria bulwerii) e pintainho (Puffinus assimilis).
(Crédito da imagem: Rui S. Marcos - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6)

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mercado, fiscalização, energia alternativa, meio ambiente, paleontologia, terremotos, vulcanismo e outros.

16 de julho de 2022

Notícias em 16/07/2022

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A Terra Antiga em Jack Hills
Esta formação rochosa está localizado ao norte de Perth, na Austrália Ocidental. É um cinturão com aproximadamente 80 km de extensão com rochas supracrustais dobradas e metamorfizadas, derivadas principalmente de sedimentos siliciclásticos de granulação fina, sedimentos químicos e rochas máficas/ultramáficas menores. A porção siliciclástica teria sido depositada em ambientes aluviais fan-delta com base na repetição de sequências ascendentes consistindo em conglomerado basal, arenito de grão médio e arenito de grão fino. A presença de andaluzita, cianita e cloritóide sugere que as rochas siliciclásticas experimentaram metamorfismo desde fácies de xisto verde até fácies de anfibolito inferior. Atualmente, as rochas avermelhadas com estratificação subvertical são encontradas erodidas em uma região remota e árida (imagem acima) com paisagem de vegetação esparsa. Jack Hills faz parte do Terreno Narryer do Arqueano, que ocupa uma área de 30.000 km² no canto noroeste do Cráton Yilgarn do Arqueano na Austrália Ocidental. Narryer é um das maiores porções intactas de crosta continental antiga da Terra, com suas rochas ígneas metamorfizadas com datações que chegam a 4,404 bilhões de anos, a idade do zircão de Jack Hills. Na verdade, as rochas de Jack Hills são do Arqueano, tendo cerca de 3,4 bilhões de anos. Esta idade é indicada pela borda dos cristais de zircão, que representam um crescimento posterior em elevadas temperaturas de um cristal cuja parte interna tem 4,404 bilhões de anos e constitui o material mais antigo já encontrado na Terra. A topografia baixa e esculpida pela erosão de Jack Hills não é tão impressionante quanto a de outras cordilheiras da Terra, o destaque fica por conta das datações realizadas em suas rochas e cuja história pode ser resumida assim. Em 1983, foram descobertos quartzitos de fácies granulito contendo zircões detríticos com idade de 4,150 bilhões de anos. Em 1986, trabalhos subsequentes encontraram, em fácies de xisto verde, grãos de zircão com idade de 4,276 bilhões de anos. E uma reinvestigação nos zircões desta mesma rocha identificou um grão que cristalizou há 4,404 bilhões de anos. Além disto e o mais interessante é que estudos de isótopos de oxigênio indicam crescimento dos cristais de zircão em rochas previamente submetidas à interação com água líquida superficial. Isto levou à hipótese de uma Terra primitiva fria e úmida. Estas informações parecem contradizer as teorias de que os primeiros 500 milhões de anos da Terra foram violentos e caóticos, com um vulcanismo sem fim em uma superfície borbulhante de magma bombardeada por meteoros. Afinal, o nome Hadeano foi inspirado em um cenário de violência associado a Hades, o deus grego do submundo. Para um Hadeano mais gentil naquela Terra primitiva, as questões levantadas dizem respeito à existência precoce de oceanos e de movimentos de placas tectônicas. Dados de lutécio-háfnio são consistentes com o protólito de Jack Hills ser uma rocha ígnea intermediária a máfica, podendo ter sido formada a partir da consolidação de um oceano de magma há 4,45 bilhões de anos.
(Crédito da imagem: Shire of Murchison - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6 - fonte7)

Assuntos do dia
mineração, mercado, cooperação, energia alternativa, meio ambiente, geologia, mineralogia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, ciência espacial, eventos e outros.

15 de julho de 2022

Notícias em 15/07/2022

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Formação Ferrífera Bandada
Os termos "ironstone" ("rocha ferrífera") e "iron formation" ("formação ferrífera") são empregados frequentemente como sinônimos. Há autores, porém, que usam "formação ferrífera" para designar rochas ricas em ferro pré-cambrianas, deixando "ironstone" para as menos antigas. Também há quem prefira usar "formação ferrífera" como padrão para rochas anomalamente ricas em ferro, descartando o termo "ironstone" sempre que possível. As "formações ferríferas", quanto às feições texturais primárias, podem ser "formações ferríferas granulares" ("granular iron formations" - GIFs) ou "formações ferríferas bandadas" ("banded iron formations" - BIFs). As BIFs se formaram com a oxigenação da atmosfera terrestre quando os oceanos se "enferrujaram", no Arqueano, sendo raras com idades mais jovens que 2,5 bilhões de anos. O ambiente ideal deveria ser enriquecido em ferro bivalente e em silício, para que estes fossem transportados por correntes ascendentes, a partir de fontes hidrotermais submarinas, e o ferro precipitasse ao interagir com águas superficiais. Havendo enriquecimento suficiente, formam-se corpos de minério de ferro. As BIFs são rochas sedimentares ou metassedimentares químicas ou vulcanoquímicas finamente estratificadas, que, em escala milimétrica a centimétrica, alternam ritmicamente camadas de óxidos, carbonatos ou silicatos de ferro com camadas diferentes destas (quartzosas, anfibólicas, quartzo cloríticas ou ainda outras). Em geral, as bandas ricas em ferro são de cor cinza escuro a preto e as pobres apresentam cores avermelhadas. As BIFs são altamente anisotrópicas. Ao sofrer pressão paralela à estratificação, deformam-se com dobras angulares a arredondadas, dobras do tipo kink ("kink bands") ou dobras de caixa ("box folds"). As BIFs podem conter siderita, silicatos de ferro, magnetita e hematita e, em geral, apresentam quatro fácies distintos: de óxido, de carbonato, de silicato e de sulfeto. São reconhecidos três tipos principais de BIFs: (i) Tipo Algoma, onde predominam os fácies de óxido, de carbonato e de sulfeto, ocorrendo geralmente no Arqueano, tendo pequena espessura e sendo associadas a sequências vulcânicas e sedimentares (grauvacas e xisto) em ambiente tectonicamente instáveis, com ferro e sílica derivados de fontes hidrotermais; (ii) Tipo Lago Superior, onde predominam os fácies de óxido, de carbonato e de silicato, com idades entre 2,5 bilhões e 1,8 bilhões de anos, tendo níveis espessos e contínuos depositados em ambientes pericontinentais (indicação dada pela associação cherts dolomitos-folhelhos carbonosos), com ferro provavelmente derivado do intemperismo de rochas ricas neste elemento; e (iii) Tipo Rapitan, onde predominam fácies de óxido, com idades neoproterozoicas, em ambiente marinho raso ao longo de margens continentais e, em geral, associadas a depósitos glaciais. Algumas BIFs recebem os nomes de Itabirito ou Jaspilito. O primeiro, cujo nome tem origem em Itabira, MG, no Brasil, possui bandas principalmente de hematita e silicáticas. O ferro ocorre em finas camadas de hematita, magnetita ou martita e constitui minério de alto teor de ferro. O Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de MG, no Brasil, é uma das principais províncias minerais onde afloram estas BIFs, sendo as da Formação Cauê consideradas do tipo Lago Superior. O Jaspilito inclui quartzitos ricos em ferro, jaspe intercalado e óxidos de ferro. Geralmente formam minério de ferro de baixo teor, porém são responsáveis pelas maiores concentrações deste elemento na Terra. No Brasil, BIFs com intercalações de jaspe podem ser encontradas na Província de Carajás, no centro-leste do PA. Como os registros fotográficos de afloramentos brasileiros são escassos, o da imagem acima é de uma BIF da Austrália Ocidental, de idade sideriana, localizado na Cachoeira Fortescue do desfiladeiro Dales, no Parque Nacional Karijini.
(Crédito da imagem: Graeme Churchard - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6 - fonte7)

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petróleo, mercado, gestão pública, infraestrutura, justiça, energia alternativa, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, tecnologia, ciência espacial, asteroides e eventos.

14 de julho de 2022

Notícias em 14/07/2022

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Pedra do Sino de Ilhabela
A Pedra do Sino está localizada na Praia de Garapocaia (ou Praia do Sino), na costa norte de Ilhabela (ou Ilha de São Sebastião), no litoral norte de SP. A história geológica de Ilhabela está associada a sucessivos eventos magmáticos da época da abertura do Atlântico Sul, no Mesozoico. Seu embasamento granito-gnáissico tem, no entanto, evolução geológica mais antiga, datando do Pré-Cambriano. A região se situa no contexto do Cinturão Orogênico Ribeira, que faz parte da Província Mantiqueira, um sistema orogênico neoproterozoico resultante da amalgamação do paleocontinente Gondwana Ocidental, durante o Ciclo Brasiliano-Pan-africano. Além dos depósitos sedimentares recentes, a Ilha se compõe de rochas metamórficas e ígneas pré-cambrianas (principalmente gnaisses, migmatitos, metagranitoides diversos e possíveis charnockitos) e rochas ígneas mesozoicas (desde rochas ultramáficas até hololeucocráticas de composição ultrabásica, básica, intermediária e alcalina). A Pedra do Sino é constituída por um essexito, que se encaixa na categoria de nefelina monzodiorito. Este afloramento de rocha alcalina especial tem a particularidade de produzir sonoridade semelhante a de um sino quando percutido. São matacões sob intensa abrasão marinha, de coloração cinzenta escura, granulação média, com destaque para cristais de mica biotita. Outro destaque é a lenda que conta que, em 1647, a tranquila população de Ilhabela foi acordada pelos sons de um sino. Os habitantes correram em direção ao local da origem dos sons e, ao chegar lá, viram em frente à praia um caixão passar com quatro velas. Colocaram-se de joelhos e rezaram enquanto o caixão era levado pela correnteza. Mais tarde encontraram em Iguape uma imagem que até hoje é venerada como Bom Jesus da Cana Verde. O historiador Calixto explica esta história. Em 1647, o navio de guerra do militar e mercenário alemão Sigismund Von Schkoppe (a serviço dos holandeses no Brasil) pôs à pique um navio português que transportava aquela imagem destinada à uma igreja do estado de PE.
(Crédito da imagem: Camila Se Garcia - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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mineração, petróleo, mercado, política, energia alternativa, meio ambiente, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, asteroides, eventos e outros.

13 de julho de 2022

Notícias em 13/07/2022

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Loch Ard Gorge
Esta parte do litoral oeste de Victória, na Austrália, pertence ao Parque Nacional de Port Campbell. As falésias de cerca de 30 m de altura e as cavernas costeiras de Loch Ard estão sob constante ataque da erosão eólica e marinha. São constituídas pelo calcário Port Campbel, um calcário marinho macio e poroso do Mioceno. As cavernas marinhas também apresentam características cársticas, sendo provável que a erosão marinha tenha alcançado vazios cársticos pré-existentes e os tenha ampliado. As duas principais cavernas, Pearce e Carmichael, contêm numerosos espeleotemas de calcita e a câmara final da Caverna Pearce é particularmente bem decorada com estalactites curtas, algumas colunas e pisos de flowstone. Um córrego subterrâneo flui na parte de trás da Caverna Pearce e deságua na praia. O acesso à Caverna Carmichael  não é possível na maré alta.  Ela possui estalactites de calcita, prateleiras e estalagmites compostas por areia cimentada. A areia cimentada também ocorre sob os fluxos de calcita na Caverna Pearce e como prateleiras nas paredes. Durante o Mioceno, aproximadamente há 20 milhões de anos, esta costa marinha ficava cerca de 100 km mais para o interior da posição atual. Esqueletos de animais marinhos, principalmente moluscos e algas ricas em cálcio, foram sendo depositados no fundo do mar daquela época. Aproximadamente 5 milhões de anos atrás, no Plioceno, o mar baixou e expôs seus sedimentos em uma vasta planície que se estendeu de Victória à Tasmânia. Mais recentemente, as águas voltaram a subir, cobrindo parcialmente a planície, e as rochas que se formaram foram esculpidas, sendo modeladas as falésias que são vistas na costa atual. A água da chuva também tem colaborado para moldar a paisagem ao entrar nas rachaduras das rochas e contribuir com a ação do mar. O local recebeu o nome do navio Loch Ard que naufragou em 1878, ao encalhar na vizinha Ilha Muttonbird. Ele estava quase no final de uma viagem da Inglaterra a Melbourne com 54 passageiros e tripulantes. As duas das principais cavernas locais, citadas, levam os nomes dos únicos sobreviventes deste naufrágio, o aprendiz de navio Tom Pearce, com 15 anos, e uma irlandesa que emigrava com a família, Eva Carmichael, com 17 anos. Eles conseguiram se abrigar nas cavernas de Loch Ard, após Pearce conseguir socorrer Carmichael e até que pastores locais conseguissem realizar o resgate final.
(Crédito da imagem: Diliff - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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12 de julho de 2022

Notícias em 12/07/2022

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Entablamento
Entablamento ("entablature" em inglês), na arquitetura clássica, é uma estrutura horizontal constituída (de cima para baixo) por cornija (moldura decorativa), friso (espaço intermediário) e arquitrave (viga que repousa sobre colunas). Em geologia e, mais especifica e principalmente, em derrames de lavas basálticas, entablamento é uma feição estrutural onde a rocha, com granulação extremamente fina e abundante matriz vítrea, encontra-se intensamente seccionada por densa rede de juntas primárias. É típico nos derrames basálticos do Grupo Rio Colúmbia (EUA). Eventualmente, são encontrados no Brasil na Formação Serra Geral. Exemplos ocorrem no município de Ribeirão Preto (SP) e nas rochas da usina hidrelétrica de Nova Ponte (MG). O conceito de entablamento geológico se inspira naquele da arquitetura clássica, mantendo até mesmo seu posicionamento sobre colunas. Uma diferença consiste na possível ocorrência geológica de colunas também acima do entablamento, ainda que em menor proporção. Na geologia, as colunas correspondem ao fenômeno chamado disjunção colunar (ou prismática). Este fenômeno ocorre principalmente em derrames, sills e diques de rochas básicas a intermediárias e se deve à contração que acontece durante a consolidação das massas magmáticas. O resfriamento mais lento provoca diaclases (disjunções) que formam prismas, geralmente com seção hexagonal, em virtude da regular distribuição de tensões orientadas por direções preferenciais associadas ao gradiente térmico de resfriamento. Na porção onde há entablamento, verifica-se, além da intensa rede de juntas primárias, evidências de resfriamento mais rápido da lava, provavelmente influenciado por fatores paleo-ambientais. Acredita-se que, no entablamento, a infiltração de água nas rachaduras, à medida que se formam, acelere o resfriamento e interrompa a formação das perfeitas disjunções colunares. É o que aconteceu na Irlanda do Norte na famosa Calçada dos Gigantes. Hoje, grandes pedaços de rochas do entablamento, que se desprenderam, são vistos caídos em locais mais baixos (imagem maior, no canto inferior direito). Neste ponto, é preciso desprender-se do geológico e cair no campo do lendário. A formação deste entablamento talvez tenha sido um descuido causado pelo cansaço do gigante Finn MacCool após arrancar 40 mil blocos para construir a tal calçada. Ele tinha o objetivo de, através dela, chegar à Escócia e resolver suas diferenças com outro gigante, seu inimigo Finn Gall. O cansaço fez Finn MacColl desistir. Disfarçou-se de criança, para evitar o confronto, e adormeceu. Ao encontrá-lo assim, Finn Gall imaginou estar vendo o filho do inimigo e, se o filho era daquele tamanho, imaginou o tamanho do pai. Então, decidiu retornar para a Escócia e, para que Finn MacColl não o perseguisse, destruiu aquele caminho entre a Irlanda do Norte e a Escócia. Para provar que isto tudo é verdadeiro, lá para onde retornou Finn Gall, na Escócia, na caverna marinha que recebeu o nome de Caverna de Fingal, é possível ainda observar o entablamento na sua posição original acima das colunas basálticas (imagem menor). É o mesmo tipo de rocha, com a mesma datação: 60 milhões de anos. Além do descuido dos gigantes, o entablamento precisou de água para perturbar a disjunção colunar, conforme pensam os geólogos. Esta água veio do grande dilúvio. Quando as águas deste evento começaram a recuar, justamente neste momento aconteceu o vulcanismo que produziu o material necessário para estas formações naturais. O único problema desta hipótese é que o registro bíblico diz que o grande dilúvio aconteceu há 4.500 anos, enquanto que a geologia define a idade destes derrames basálticos em 60 milhões de anos. É uma questão em aberto.
(Crédito da imagem maior: José Leonardo Silva Andriotti - Crédito da imagem menor: Luk - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4 - fonte5 - fonte6 - fonte7 - fonte8)

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11 de julho de 2022

Notícias em 11/07/2022

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Draaikrans
A imagem acima mostra o afloramento Draaikrans, em um penhasco de 61 m de altura localizado em Noorspoort, em Steytlerville, na África do Sul. Ele faz parte do Cape Fold Belt (CFB), uma estrutura que se estende por 250 km da costa sul da África até a Bacia do Karoo ao norte. A história geológica do CFB ainda permanece controversa apesar da pesquisa existente. Compreende metassedimentos neoproterozoicos-cambrianos do Orógeno Pan-Africano, outros inliers tectônicos e ainda rochas do Supergrupo do Cabo, do Paleozoico Inferior a Médio, e de parte do Supergrupo Karoo, do Paleozoico Superior ao Mesozoico Inferior. Falhas de empurrão com espessuras de centenas de metros são as principais características do CFB. Elas explicam as espessuras anormalmente grandes dos quartzitos do Supergrupo do Cabo que predominam densos e espessos nas cadeias montanhosas mais elevadas do CFB. A principal deformação desta estrutura aconteceu há aproximadamente 250 milhões de anos afetando metassedimentos proterozoicos e uma cobertura paleozoica sobrejacente. O CFB está provavelmente associado a eventos geológicos desde superficiais até profundidades de cerca de 10-15 km. Foi formado em resposta à compressão de subducção durante o Paleozoico e o Mesozoico, ao longo da margem sudoeste do Gondwana, quando do rompimento deste supercontinente, removendo evidências de uma zona de colisão. Como resultado, foi a formada a bacia foreland acoplada CFB-Karoo. As rochas de Draaikrans foram retorcidas há cerca de 60 milhões de anos, na época em que o atual deserto de Karoo estava no fundo do mar de Algoa. Em uma profundidade de 4 a 7 km, a temperatura foi suficiente para deixar aquelas rochas flexíveis e sofrer dobramentos praticamente sem se quebrar.
(Crédito da imagem: safarinow - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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10 de julho de 2022

Notícias em 10/07/2022

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Praia do Espelho
No nordeste brasileiro, as falésias do Grupo Barreiras são encontradas em vários trechos do litoral. Um exemplo é a Praia do Espelho (imagem acima), que fica nas proximidades de Trancoso, no sul da BA. As rochas deste grupo se estendem desde o AP até o RJ com grande regularidade geomorfológica. Elas testemunharam grandes movimentos eustáticos do Mioceno, provavelmente entre 22 milhões e 17 milhões de anos, quando as diferenciadas deposições de seus sedimentos começaram a acontecer. Estas deposições se estenderam ao Pleistoceno, segundo alguns autores e, entre as principais hipóteses para que ocorressem, encontram-se as seguintes: (i) ação do intemperismo químico no embasamento, em clima úmido, e desagregação mecânica e transporte fluvial, em clima semi-árido; (ii) eustasia e deposições a partir de complexos sistemas e cones aluviais, canais fluviais e planícies de marés; e (iii) soerguimento continental progressivo, com abatimento de áreas litorâneas contíguas. A literatura atribui ao Grupo Barreiras ambientes de deposição que vão desde sistema fluvial entrelaçado, associado a leques aluviais, fluvial meandrante a estuarino, até ambiente com influência marinha na porção mais distal. São observadas no sul da BA diversas litofácies, onde são encontrados principalmente arenitos e argilitos. Os arenitos podem ter níveis conglomeráticos, podem ser maciços ou laminados e ainda ter estratificações planoparalelas ou cruzadas. As cores destas rochas variam entre creme, avermelhadas, esbranquiçadas e cinza-claro. Provavelmente, a coloração esbranquiçada se deva à matriz caulínica. A presença de fósseis marinhos e restos de vegetação costeira indicam que o ambiente de deposição do Grupo foi também marinho, assim como marinha foi a inspiração para o nome do Grupo Barreiras. Ele tem origem na visão dos navegadores portugueses quando avistaram uma parte da costa brasileira e a acharam semelhante a barreiras naturais. O escrivão português Pero Vaz de Caminha (1450-1500) escreveu: "Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos". As barreiras brancas podem ser vistas, por exemplo, na Praia do Espelho.
(rédito a imagem: Cristiano Lourenço - fonte1 - fonte2 - fonte3 - fonte4)

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petróleo, garimpo, energia alternativa, geologia, terremotos e vulcanismo.

9 de julho de 2022

Notícias em 09/07/2022

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Table Cape
Table Cape é um plug vulcânico extinto que domina a costa noroeste da Tasmânia, nas proximidades da cidade de Wynyard. Suas falésias de até 179 m de altura se elevam acima do nível do mar no Estreito de Bass. Seu solo basáltico, assim como o das áreas circundantes são férteis e fortemente cultivados. A Fazenda Table Cape Tulip enfeita o topo do plug, que explode em cores do final de setembro até meados de outubro. A região é conhecida pelo festival anual de tulipas. Os taludes íngremes e rochosos de Table Cape, no entanto, permanecem praticamente intocados pela atividade humana e são cobertos por cerrados densos. A Área de Conservação de Table Cape de 1,26 km² se estende ao longo da costa desde Boat Harbour Beach, passando pela Reserva Estadual Table Cape, até Freestone Cove nas proximidades de Fossil Bluff. O plug vulcânico tem 12-13 milhões de anos e já conteve um lago de lava. Sua rocha é uma tesquenita (um basalto granulado claro) do Neógeno. Tufos e brechas da antiga cratera têm sido recortados pela erosão marinha durante as mudanças do nível do mar, preservando o plug sólido como um promontório. Sua altura original teria sido três vezes maior que a atual. O corpo rochoso que restou contém veios pegmatóides e incorpora xenólitos e xenocristais ultramáficos de origem mantélica, especialmente nos seus níveis inferiores. Depósitos piroclásticos de até 5 m de espessura afloram na margem sul de Table Cape. São subjacentes à tesquenita e contêm uma série de fragmentos do manto e da crosta inferior. A suíte Table Cape é um dos dois únicos sítios de xenólitos de manto garnetíferos conhecidos na Tasmânia. Table Cape tem a forma aproximadamente circular e seu topo é plano como uma mesa, daí seu nome. Foi nomeado em 1798 pelo navegador britânico Matthew Flinders (1774-1814), quando ele e marinheiro e cirurgião George Bass (1771-1803) circunavegaram a Terra de Van Diemen (agora chamada Tasmânia). Table Caple pertencia ao território do clã Tommeginer. Estes aborígenes eram hábeis em construir armadilhas de pedra para peixes, que acabavam presos por causa das alterações do nível do mar durante as marés. Estas armadilhas ainda são visíveis em Freestone Cove.
(Crédito da imagem: Van Diemen Quality Bulbs - fonte1 - fonte2 - fonte3)

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projeto, mineração, produção, mercado, fiscalização, política, justiça, energia alternativa, geologia, paleontologia, terremotos, vulcanismo, arqueologia, ciência espacial, asteroides e eventos.

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