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18 de novembro de 2019

As três primeiras minas brasileiras de cobre nos séculos XIX e XX: impactos ambientais

Por Marco Gonzalez

A mineração deve buscar a minimização do custo/benefício em todos os aspectos, inclusive os relacionados aos impactos ambientais, que são inerentes a ela. Não fogem deste contexto as primeiras minas brasileiras de cobre no Brasil:
  • Mina de Pedra Verde, no Ceará;
  • Minas do Camaquã, no Rio Grande do Sul; e
  • Mina da Caraíba, na Bahia.
Instalações da Mineração Caraíba na década de 1990 (cortesia da Mineração Caraíba)

Seguem algumas considerações sobre impactos ambientais relacionados a estas três minas.

Mina de Pedra Verde

Serra de Ibiapaba, Ceará (fonte: Cláudio Oliveira Lima)

Em 1987, com paralisação das atividades da Mina de Pedra Verde, localizada na base da Serra da Ibiapaba, as pilhas de rejeito, inadequadamente acomodadas, liberaram carbonato hidratado de cobre através de agentes intempéricos que erodiram aquelas pilhas contaminando os recursos naturais a jusantes.


Vista do GoogleMaps mostrando, ao centro, a Mina de Pedra Verde na mancha clara. Ao clicar em "View larger map", diminuindo o zoom, a cidade de Viçosa do Ceará pode ser visualizada à sudeste.

Entretanto, análises realizadas na região da Mina de Pedra Verde concluíram que a possibilidade de
contaminação do lençol freático é baixa. Apesar do longo período de exposição aos rejeitos da mineração de cobre, as espécies arbóreo/arbustivas ao redor da mina não acumularam elevados teores do metal em suas folhas. Outro indicativo positivo foi obtido pelo uso da água da mina no cultivo da bananeira na região. Embora tenha sido elevada a concentração de cobre nos frutos, neste caso, os valores não excederam os limite diários de ingestão de Cu2+.

Minas do Camaquã

Rio Camaquã, ao sul das Minas do Camaquã, em 1978, no Passo do Cação (fonte: Gonzalez)

Embora tenha havido impactos ambientais na região das Minas do Camaquã com a geração de depósitos de desmonte de rochas e de material fino, abertura de galerias no subsolo e da abertura da cava a céu aberto, não há indícios de que a qualidade da água no município tenha sido afetada pela longa exploração mineral.


Vista do GoogleMaps mostrando cava da mina a céu aberto, à oeste e a barragem de rejeitos, à sudeste.

Estudo de 2018 indicou que não há impacto ambiental quanto a possíveis remanescentes da mineração da área e, em 2019, a barragem das Minas do Camaquã foi uma das interditadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), porém a Defesa Civil, em visita ao local, constatou não haver risco de inundação por colapso na estrutura.

Atualmente, vivem na vila das Minas do Camaquã cerca de 200 famílias, a maioria de trabalhadores
aposentados, com a esperança de que a lavra seja retomada ou que o local seja transformado em um polo de turismo. As águas do Rio Camaquã, inclusive, parecem trazer aspectos positivos até mesmo para o turismo, pois já foi constatado que elas estão preservadas após 126 anos de mineração.

Mineração Caraíba

Pés de algaroba, típicos da caatinga no semiárido da Bahia (fonte: Glauco Umbelino)

Em 2007, a Mineração Caraíba, no semiárido da Bahia, passou a substituir, no tratamento do minério, o processo pirometalúrgico pelo bio-hidrometalúrgico, que minimiza a emissão de gases poluentes. Antes disto, já utilizava instalações e técnicas operacionais que buscavam mitigar os impactos ambientais. Também tinha um modelo de lavra que devolvia os rejeitos da concentração à mina. Apesar destes pontos positivos, a empresa teve problemas com desequilíbrio ambiental, como a contaminação de corpos de água, a derrubada de árvores para ampliação de estrada e o transbordamento de uma bacia de contenção de rejeitos de cobre. O aspecto atenuante veio de um estudo, realizado através de análises laboratoriais, que concluiu que o rejeito era "inerte e não corrosivo".

Vista do GoogleMaps mostrando, a oeste, a cava da mina a céu aberto e, a leste, a barragem de rejeitos.

Medidas para compensar os danos foram tomadas, como o reflorestamento com eucalipto da área da barragem de rejeitos, inciado em 2010, e a adoção de nova disposição do rejeito, desde 2015, preenchendo as cavas já exauridas.



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