29 de setembro de 2017

Fatos. Aquecimento global: uma revisão (parte III)

Por Marco Gonzalez

Frequência de furacões no Atlântico Norte (por Science News)

Certezas e incertezas

Enquanto firmamos conhecimento e decidimos se realmente entramos em uma nova época geológica, o Antropoceno, não há como negar que as temperaturas do planeta continuam aumentando. Entretanto há ainda muito que confirmar e descartar a respeito do aquecimento global. Vejamos...

As temporadas de furacões, por exemplo, têm marcado suas presenças habituais, porém tem sido questionada a associação entre eles e o aquecimento global. Alguns especialistas dizem que sim, que esta associação existe. Outros sustentam que as evidências não são conclusivas. De qualquer forma, para se ter uma posição definitiva será necessária uma maior quantidade de dados.


Furacão Irma (por NOAA)

Neste sentido, um relatório de avaliação do IPCC da ONU atribui baixo grau de confiança para a associação de quaisquer contribuições humanas a mudanças na atividade de ciclones tropicais. Isto é reforçado pelo fato de que, embora tenham ocorrido neste ano grandes tempestades, tivemos 12 anos amenos.

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience não desconsiderou o risco da mudança climática no meio ambiente, mas sustentou que o perigo talvez não seja tão grande quanto se imaginava. É possível que o aquecimento global esteja acontecendo mais lentamente.

Há também pelo menos uma outra boa notícia. Um artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences informou que as plantas estão conseguindo se adaptar e têm acelerado seu consumo de carbono retirando-o em maior quantidade da atmosfera.


No entanto não basta ficarmos aguardando por boas notícias, temos que provocá-las e, para tanto, precisamos de mais informações. Uma delas consiste em sabermos se a atividade humana tem peso significativo no aquecimento global ou se ele seria predominantemente resultado de variações naturais. Para se ter certeza sobre isto, alguns cientistas dizem precisar de pelo menos 27 anos de dados. 


Variação do calor oceânico (por NOAA/NESDIS/NODC)

As causas naturais das variações de temperatura incluem (a) forcas externas ao sistema climático, como erupções vulcânicas e ciclo solar, e ainda (b) flutuações internas, como monções, El Niño, La Niña e ciclos decadenciais. Estas diversidades e complexidades tornam difícil a identificação do sinal, separando-o do ruído nas medições. 

Estudo publicado recentemente, por cientistas britânicos, na Nature Geoscience mostrou que, se as antigas previsões estivessem corretas, a temperatura do planeta deveria agora ser 1,3 ºC maior do que a média da metade do século XIX. Os dados mostram que ela está entre 0,9 ºC e 1 ºC acima daquela média. Esta pesquisa indica que ganhamos algum tempo extra para encontrar soluções e agir. 

Outro estudo da Nature Geoscience sugere que limitar o aquecimento global a 1,5 ºC ainda pode ser possível pois teria sido subestimada a quantidade de carbono a ser emitida antes de se alcançar tal nível de aquecimento. Além disso, as quantidades de dióxido de carbono produzidas no mundo, particularmente na China, foram reduzidas. Como consequência, as temperaturas aumentaram a uma taxa mais lenta do que havia sido previsto. 

Política e soluções

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que as alterações climáticas são inevitáveis, não podem ser controladas e não são causadas pela atividade humana. Ele argumentou que o aquecimento global iniciou quando ainda não estavam presentes os fatores antropogênicos que poderiam influenciá-lo.

O presidente americano, Donald Trump, acredita que a preocupação sobre a mudança climática é um engano caro e deu início ao processo formal para os EUA abandonarem o acordo climático de Paris.

O ditador norte-coreano Kim Jong-un reagiu afirmando que Trump estará sendo egoísta ao retirar os EUA do acordo de Paris pois o aquecimento global é um dos mais graves desafios da Humanidade atualmente.

É difícil tomar partido?

Paralelamente a tais opiniões, para tentar propor novas soluções efetivas para o problema do aquecimento global, pesquisadores de diferentes áreas, da física às ciências sociais, em março deste ano reuniram-se em Washington, EUA. Essas novas soluções propostas se encaixam no conceito de geoengenharia, ciência que estuda os meios de manipulação do clima através da tecnologia. Um exemplo de proposta seria a liberação de aerossol na estratosfera, para arrefecer o planeta. Outro exemplo seria tornar as nuvens mais brancas, para refletir com mais eficiência a luz solar de volta para o espaço. A geoengenharia, entretanto, ainda é tratada como ficção por uma grande maioria de cientistas.

De qualquer forma, chegou-se ao consenso geral de que é imprescindível a existência de um sistema de informação climática integral e abrangente com a finalidade de entender com clareza as mudanças climáticas e principalmente aquelas que são causadas pelo homem.

O setor mineral

No Brasil, a lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009, institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Aqui podem ser lidas breves considerações sobre esta lei. A PNMC estabelece, como compromisso do governo brasileiro, a redução das liberações de gases de efeito estufa do País entre 36,1% e 38,9%, projetadas até 2020.

Em Inventário de Gases de Efeito Estufa do Setor Mineral, de 2010, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) acredita que faltam informações e sobram desinformações a respeito do tema. Também se preocupa com o fato de que a PNMC descreva a redução dos gases de efeito estufa como uma ação voluntária.

II Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa na Mineração, de 2014, trata do tema com foco em 18 bens minerais: Areia, Brita, Bauxita, Calcário, Carvão Mineral, Caulim, Cobre, Estanho, Ferro, Fosfato, Manganês, Nióbio, Níquel, Ouro, Potássio, Rochas Ornamentais, Gipsita e Zinco. Este inventário conclui que "a participação deste setor nas emissões totais do Brasil é pouco significativa, se for considerado o limite operacional restrito às atividades das frentes de lavra e beneficiamento físico dentro da mina – decapeamento, abertura de frente de lavra, extração, beneficiamento físico, transporte interno, recuperação de áreas abertas e encerramento de unidade de extração".

Mesmo assim, o painel sobre mudanças climáticas, no 24º World Mining Congress, de 2016, enfatizou que as empresas de mineração devem ser as primeiras a agir para a redução das emissões de carbono. Esta determinação, de acordo com aquele painel, deve ser estendida às práticas sustentáveis relacionadas também às pequenas mineradoras.

Fatos. Aquecimento global: uma revisão (parte II)

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