23 de setembro de 2017

Fatos. Aquecimento global: uma revisão (parte II)

Por Marco Gonzalez

Glaciar Perito Moreno (por Christof Berger)

Previsões e reações

O documentário de Al Gore, em 2006, alertou sobre os riscos do aquecimento global. Através de gráficos e estatísticas atmosféricas, ele revelou uma verdade inconveniente: "cada um de nós é uma causa do aquecimento global". Afirmou que o aumento da temperatura do planeta era ininterrupto e iria se intensificarPreviu que, dentro de uma década, aconteceriam diversas catástrofes: (a) não haveria mais neve no topo do Kilimanjaro, (b) ocorreriam tempestades mais frequentes e intensas, (c) o gelo do Ártico poderia sumir e (d) os ursos polares estariam ameaçados. Essas catástrofes não se confirmaram. Quanto à frequência e à intensidade das tempestades, alguns especialistas dizem não dispor de dados suficientes para associá-las ao aquecimento global, mas outros...


Um artigo publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences previu, com probabilidade de 1 em 20, que 2,2 trilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera terrestre causariam uma mudança climática mortal até 2100. Tais eventos poderiam ser desencadeados se houvesse um aumento de 5 ºC na temperatura do planeta.


Urso polar testa seu peso no gelo (por Christopher Michel)

Importantes cientistas do clima acreditam que um aumento global de 2 ºC já seria suficiente para colocar em risco a vida na Terra e eles têm pouca esperança de que este aumento seja evitado.

Um estudo do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade de Yale, em Connecticut, e do Instituto de Oceanografia Scripps da Universidade de San Diego, na Califórnia, ambas nos EUA, indicou que as alterações climáticas poderiam fazer com que o hemisfério Norte entre na Idade do Gelo daqui a 300 anos.

Diversas reações, em virtude dos anúncios catastróficos, surgiram no mundo todo. Muitos desses anúncios e as próprias reações têm causado polêmica, principalmente quando são revestidos de viés ideológico. 

Recentemente, no Reino Unido, a Independent Press Standards Organization (IPSO) censurou o jornal Mail on Sunday por tentar influenciar negativamente as tratativas decorrentes do acordo climático de Paris. A IPSO justificou a censura afirmando que a notícia publicada estaria sugerindo que os dados da US National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma das principais fontes de referência mundiais de pesquisa climática, teriam sido tratados de forma a revelar uma tendência exagerada no aquecimento global.

Efeitos notados

Indiferente a tudo isso, um dos maiores glaciares da Terra, o Kaskawulsh, no noroeste do Canadá, derreteu tão rapidamente na primavera de 2016 que, em apenas quatro dias, causou o desaparecimento de um rio. 


Glaciar Kaskawulsh (por Max Pixel)

A água que derrete do glaciar Kaskawulsh escoa originalmente para o rio Slims e, posteriormente, para o rio Yukon e este deságua no mar de Bering. Em 2016, o derretimento foi tão rápido que a água escoou na direção oposta, para o rio Alsek, que deságua no Oceano Pacífico.

A NOAA anunciou que a temperatura média na superfície terrestre e oceânica, em 2016, foi a mais alta desde 1880, no terceiro ano consecutivo de recordes do aquecimento global. 

Uma pesquisa da Universidade Delft de Tecnologia, da Holanda, e da Universidade de Leuven, da Bélgica, indicou que uma cratera na Antártica, anteriormente atribuída ao impacto de um meteorito, na verdade teria sido causada pelo derretimento polar. Esse tipo de formação pode ser observada normalmente na Groenlândia, nunca tendo sido vista em uma plataforma de gelo.

Efeitos não notados

Nos anos posteriores à estreia do documentário "An Inconvenient Truth" de Al Gore, os pesquisadores que analisam o clima do planeta obtiveram grandes avanços realizando observações mais frequentes e tendo disponível maior poder computacional para simulações climáticas. Como consequência desses avanços, foi possível compreender melhor o funcionamento interno do planeta e ter uma imagem mais clara sobre as mudanças climáticas da Terra.

Então, revisando as previsões de Al Gore, verificam-se algumas falhas. Passou-se a década prometida e o Kilimanjaro ainda tem neve, não houve aquecimento global significativo de 1999 a 2015, o Árctico não desapareceu em 2013 e o Polo Norte ainda tem gelo.

Neste período, pesquisadores da Universidade Lakehead, do Canadá, não encontraram evidências de que os ursos polares tenham sido afetados pela crise climática. Entretanto...

Uma nova época

Jogamos 100 milhões de toneladas de plástico no Oceano Pacífico e provocamos a extinção de milhares de espécies de animais. Os impactos que o homem tem causado à Terra são enormes.

Tudo indica que o Holoceno acabou e que a humanidade promoveu o início de uma nova época geológica, o Antropoceno (termo introduzido em 2000 por Paul Crutzen). Confirmando-se, este fato deve ser aceito como uma consequência natural da influência que temos sobre o nosso planeta. Mas seria ele a comprovação da nossa culpa como principais causadores do aquecimento global? 

Se o Antropoceno chegou, vamos tentar mantê-lo (juntamente com a própria Terra) por no mínimo alguns milhões de anos. Desta forma, estaria justificada e confirmada esta nova época geológica, pelo menos quanto a uma das características típicas de outras épocas: o período de duração.

Fatos. Aquecimento global: uma revisão (parte I)

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