Por Marco Gonzalez
Ilustração artística (fora de escala) mostrando, além da Lua (à direita), o Sol amarelo, enviando sua colossal energia, e a Terra azul, tratando de sobreviver a este relacionamento ao mesmo tempo acolhedor e mortal.
(Crédito: copernicus_iStock, 2024).
O balanço energético do sistema terrestre é afetado por reflexões, absorções ou reenvios da radiação de ondas eletromagnéticas solares que chegam à Terra determinando sua temperatura global.
1. Balanço energético da Terra
A energia solar move o sistema climático da Terra aquecendo o nosso planeta, impulsionando a fotossíntese, estimulando a evaporação e derretendo a neve e o gelo. Do Sol, chegam ao topo da atmosfera terrestre 340 watts/m² de radiação
que pode ser, então, refletida, absorvida e reenviada por meio de ondas eletromagnéticas.
Duas leis da física fundamentam o entendimento sobre a radiação emitida pelo Sol e pela Terra:
- A lei de Stefan-Boltzmann, que foi descoberta experimentalmente, em 1879, pelo físico e matemático austro-esloveno Jožef Stefan (1835-1893) e derivada na teoria da termodinâmica, em 1884, pelo físico austríaco Ludwig Boltzmann (1844-1906). De acordo com esta lei da física, todos os corpos com temperaturas acima do zero absoluto (0 K ou -273 °C) emitem radiação a uma taxa proporcional à sua temperatura.
- A lei do deslocamento de Wien, que foi desenvolvida, em 1893, pelo físico alemão Wilhelm Carl Werner Otto Fritz Franz Wien (1864-1928). De acordo com esta segunda lei da física, quanto maior a temperatura de um corpo, mais rapidamente as moléculas vibrarão e menor será o comprimento da onda eletromagnética da radiação correspondente.
Assim, o Sol emite radiação em comprimentos de onda mais curtos (ultravioleta,
visível
e uma pequena porção infravermelha
do espectro eletromagnético)
enquanto a Terra (mais fria que o Sol) emite em comprimentos de onda mais longos (infravermelha).
Representação esquemática do balanço energético da Terra mostrando transferências de energia.
As proporções são aproximadas.
(Imagens adaptadas de: science.nasa.budget, 2023 e baseadas em: NASAbudget; science.NASA; IPCC.ar4.wg1; RWU; NASAknows).
Na figura acima:
- Dos 100% da radiação do Sol para a Terra (A),
- 30% é refletida pelas nuvens (B) e pela superfície terrestre, principalmente pelo gelo e pela neve (C), e
- 70% é absorvida, parte pela Terra após atravessar a atmosfera, essencialmente por solo, água e vegetação (D), e parte pela atmosfera, por gases, poeira, outras partículas e vapor de água (E).
- Os 100% de radiação que retorna para o espaço
- são transferidos após reflexão (B e C) e
- após terem sido absorvidos (E e D), enviados pela atmosfera (F) e pela superfície terrestre (G).
- A radiação absorvida pela Terra (D) é
- transferida para o espaço (G) e
- para a atmosfera (I), onde é absorvida temporariamente.
- Também é transferida para a atmosfera sendo enviada por evaporação, incluindo o calor latente (J) e por convecção (K).
- Entre a atmosfera (devido aos gases de efeito estufa) e a superfície terrestre há troca de calor (H), quando a mesma energia entra neste ciclo várias vezes.
- A radiação da superfície terrestre, que sobe (H↑), é superior à da atmosfera, que desce (H↓), sendo a diferença igual à soma das irradiações para o espaço (G) e para a atmosfera (I, que é uma porção que não retornará para a Terra, sendo reenviada para o espaço incluída em F).
O balanço energético da Terra equilibrado mantém a temperatura da superfície estável e o nosso planeta habitável. Ao longo dos tempos, as desestabilizações deste balanço podem ser causadas por:
- alteração da quantidade de calor que entra no sistema climático terrestre devido à variação da intensidade da radiação solar;
- alteração da defasagem de tempo de retenção do calor entre a absorção da radiação pelo sistema climático terrestre e seu envio para o espaço; e/ou
- alteração da quantidade de calor que sai do sistema climático terrestre, ao refletir o que seria absorvido e vice-versa.
Referências:
[Rosenthal, 1992; nasa.gsfc, 1999; Schwartz, 2007; science.nasa.energy, 2009; Hansen et al, 2011; Schuttenhenlm, 2016; ipcc_chapter1, 2018; Lucas, 2019; Arpansa, 2020; Atkinson, 2021; Galindo, 2023; noaa.atmosphere.energy, 2023; WMO, 2023; ces.fau.nasa.radiation, 2023; ces.fau.nasa, 2023; Denchak, 2023; science.nasa.anatomy, 2023; science.nasa.radiation, 2023; Webb, 2023; Cruse, 2024; noaa.energy, 2024; theconversation, 2025; science.nasa.intro, 2025; Icnirp, 2026; UGC, 2026; UGCheat, 2026; noaa.measure, 2026]






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