| Por Marco Gonzalez | (Atualização em 05/08/2026) |
O Sol, um dos principais agentes do pulsar da Terra, em seu ciclo solar 20 (o vigésimo desde 1755 [spacetoday, 2005]) com uma das maiores erupções solares já registradas
Em um Universo onde os objetos giram em seus eixos e ao redor de outros objetos, parece lógico esperar que muitos ciclos de diversas naturezas e dimensões sejam encontrados [Cañizares, 2011; Halpern, 2014; Durrani, 2025].
Na lista de ciclos da natureza podem ser considerados o ciclo geológico e outros que extrapolam o nosso planeta. O ciclo geológico, em sentido restrito, é um sinônimo para o ciclo das rochas, mas, em sentido mais amplo, inclui as interações complexas dos materiais que constituem a Terra, além dos ciclos tectônico e das rochas. São processos que se influenciam mutuamente, como os ciclos biogeoquímicos, ou seja, os ciclos químicos afetados pela atividade biológica [Worsley et al, 1986; Schröder et al, 2016; Peloggia, 2018; Dien et al, 2020; geoetc, 2020; Ha e Schleiger, 2024; Brainard e Henderson, 2026].
Estes ciclos biogeoquímicos descrevem os caminhos por onde os elementos químicos se movem na Terra através dos compartimentos bióticos (da biosfera) e abióticos (da atmosfera, hidrosfera e litosfera) [Pérez-Guzmán et al, 2010].
Além destes, há ainda ciclos naturais que estão ao nosso redor através de eventos como marés, glaciações e manchas solares. É possível identificar ciclos em diferentes escalas no tempo (desde os que se estendem por eras até os que se repetem a cada poucos segundos) e no espaço (desde o interior da Terra até bem fora dela) [geological_digressions, 2026].
1. Ciclos biogeoquímicos
Entre os ciclos biogeoquímicos, podem ser citados o ciclo da água e os ciclos de diversos elementos, como ferro, carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e fósforo.
Estes ciclos biogeoquímicos descrevem os caminhos por onde os elementos químicos se movem na Terra através dos compartimentos bióticos (da biosfera) e abióticos (da atmosfera, hidrosfera e litosfera) [Pérez-Guzmán et al, 2010].
Além destes, há ainda ciclos naturais que estão ao nosso redor através de eventos como marés, glaciações e manchas solares. É possível identificar ciclos em diferentes escalas no tempo (desde os que se estendem por eras até os que se repetem a cada poucos segundos) e no espaço (desde o interior da Terra até bem fora dela) [geological_digressions, 2026].
1. Ciclos biogeoquímicos
Entre os ciclos biogeoquímicos, podem ser citados o ciclo da água e os ciclos de diversos elementos, como ferro, carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e fósforo.
1.1. O ciclo da água
Das reservas de água na Terra, 97,5% é salgada. Da água restante, mais de 99% é subterrânea ou gelo. Menos de 1% está presente em lagos e rios [Fowler et al, 2013].
A água da Terra está sempre em movimento e mudando de estado entre líquido, gasoso e sólido. O ciclo da água, ou ciclo hidrológico, descreve seus movimentos e as alterações de estado, acima e abaixo da superfície da Terra. Em média, a água da atmosfera é renovada a cada 16 dias, a do solo a cada ano, a água das áreas úmidas é substituída a cada 5 anos, a dos lagos a cada 17 anos e a água subterrânea é renovada, em média, a cada 1.400 anos [NOAA_hydrology, 2012; USGS_WCS, 2023].
Principais processos do ciclo da água.
(Crédito: notasgeo).
O ciclo da água se viabiliza através da energia do Sol, que aquece os oceanos e outros corpos de águas superficiais, além do gelo, e os transforma em vapor. Estão incluídos no ciclo da água os seguintes processos [Costa e Pauliquevis, 2009; NOAA_hydrology, 2012; Fowler et al, 2013]:
- Evaporação – diversos fatores, como temperatura do ar, pressão de vapor, vento e pressão atmosférica, afetam a quantidade de evaporação natural que leva a água para a atmosfera. No caso da água em forma de gelo, o processo se chama sublimação.
- Condensação – é causada pelo resfriamento do ar ou pelo aumento da quantidade de vapor no ar até o ponto de saturação.
- Precipitação – em nuvens altas e frias, quando as gotas de água atingem um tamanho crítico ao formarem cristais de gelo caem arrastando gotas próximas. Como chuva ou como neve, a precipitação chega à superfície da Terra, alcançando solo e plantas. Em regiões tropicais, não havendo gelo, as gotas maiores se envolvem com as menores e crescem até vencer a resistência do ar.
- Escoamento – pode ser superficial, através de canais na superfície formando bacias hidrográficas (ou de captação) ou acontecer em águas subterrâneas. O escoamento superficial é uma das principais formas pelas quais minerais e elementos, como carbono, nitrogênio, fósforo e enxofre, são reciclados. A água subterrânea flui sob a influência de pressão e gravidade e, eventualmente, é descarregada na superfície através de nascentes ou por infiltração em córregos, rios, lagos ou zonas úmidas.
- Infiltração no solo – é governada pelas condições do solo, como porosidade e permeabilidade, e pela quantidade de água na superfície. Neste caminho a água pode ser absorvida pelas raízes das plantas.
- Percolação – consiste no movimento da água através do solo, pela gravidade e por forças capilares. As rochas podem servir como reservatórios subterrâneos naturais (aquíferos) para armazenamento de água. Toda a água subterrânea está em movimento ainda que lentamente.
- Transpiração – processo biológico que acontece quando a água do interior das plantas é transferida para a atmosfera como vapor de água, com dois objetivos: movimentar os nutrientes para a parte superior das plantas e resfriar as folhas expostas ao sol. A vegetação geralmente retarda a evaporação do solo.
1.2. O ciclo do ferro
Estima-se que o ferro constitua 88,8% da massa do núcleo do nosso planeta. Porém, ele é também bastante abundante na crosta, sendo encontrado como óxido em rochas. O ferro é o quarto elemento mais abundante na crosta terrestre e compõe mais de 30% da massa da Terra estando onipresente na atmosfera, na biosfera, na litosfera e na hidrosfera [Pérez-Guzmán et al, 2010; Frey e Reed, 2012; Cavassa et al, 2013].
No início da formação da Terra, o ferro correspondia a aproximadamente um terço dos constituintes dela e, por ter densidade maior que a dos outros elementos, formou, juntamente com o níquel, o núcleo do planeta [Cavassa et al, 2013].
A história da geobiologia do ferro reflete a coevolução da vida e de seu ambiente no nosso planeta. Seu papel central na biologia moderna é provavelmente um legado da Terra primitiva, quando a atmosfera arqueana era essencialmente desprovida de oxigênio e os oceanos com carência de oxigênio dissolvidos continham abundante ferro disponível na cadeia alimentar marinha. Minerais de sulfeto de ferro podem ter fornecido energia para os primeiros organismos terrestres. Formações ferríferas bandadas documentam a evolução da fotossíntese oxigenada [Schröder et al, 2016; Arósio e Bou-Abdallah, 2026].
O ferro continua a desempenhar um papel proeminente como micronutriente e em reações de oxirredução mediadas por micro-organismos, provavelmente facilitadas pelo desenvolvimento de sideróforos [Li et al, 2023; Arósio e Bou-Abdallah, 2026].
(Crédito: notasgeo).
- Intemperismo químico e biológico – minerais que contêm ferro são destruídos, liberando-o em solução aquosa.
- Transporte e distribuição – podem ser gerados complexos dissolvidos, coloides ou fases minerais pouco solúveis. Com sulfetos dissolvidos, podem ser produzidos sulfetos de ferro (pirita) insolúveis.
- Movimento de partículas de poeira – longe da costa, estima-se serem a principal fonte de ferro para os oceanos.
- Derretimento de geleiras e icebergs – em regiões glaciais, o fluxo de ferro bio-disponível fornecido pode ser semelhante ao do fluxo eólico.
- Emissões de sistemas hidrotermais – no fundo do mar, podem constituir outra fonte de ferro.
- Fluxo de fluídos de poros de rochas sedimentares – fonte ainda pouco quantificada de ferro ferroso nas margens continentais. O ferro pode chegar às plataformas continentais ou migrar para bacias profundas e ser imobilizado como pirita.
- Transporte como cinzas vulcânicas – este material pode chegar ao oceano onde partículas grosseiras afundam e as demais viajam mais longe aumentando a quantidade de ferro biodisponível.
- Redução – óxidos de Fe3+, como hematita e magnetita, e argilas ricas em Fe, como esmectita, podem ser reduzidos por microorganismos.
1.3. Outros ciclos biogeoquímicos importantes
Carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e fósforo constituem os blocos de construção de todas as principais macromoléculas biológicas, incluindo proteínas, ácidos nucleicos, lipídios e carboidratos [Falkowski e Godfrey, 2008].
Estes cinco elementos estão dispersos na atmosfera, no solo, na água e nas rochas e, além de serem afetados pela energia do sol, sofrem a ação de processos geológicos, como intemperismo, erosão, drenagem de água e subducção de placas tectônicas. Este fluxo de energia e nutrientes é a base dos ciclos biogeoquímicos [Bear eet al, 2022].
Fluxo de energia e nutrientes.
(Imagem traduzida e adaptada de: OpenStax).
O carbono pode ser armazenado por longo tempo na atmosfera, em corpos de água, em sedimentos oceânicos, no solo, nas rochas, em fósseis e no interior da Terra. No ar, existe em grande parte como dióxido de carbono, que se dissolve na água podendo produzir bicarbonato. O nível de dióxido de carbono na atmosfera é influenciado pelo reservatório de carbono nos oceanos e vice-versa [Marinov e Sarmiento, 2004; NASA_carbon, 2011; Mathis et al, 2024; rotel_carbon, 2024; EPA_acidification, 2026].
Grande parte do dióxido de carbono globalmente liberado foi armazenado no manto quando a Terra se formou. Rochas carbonáticas atualmente constituem importante reservatório de carbono [columbia_carbon, 2013].
O ciclo do carbono compreende dois circuítos interconectados [Hayes e Waldbauer, 2006; NASA_carbon, 2011; Martinelli e Augusto, 2022; Diaz e Namekawa, 2026]:
- Circuíto biológico – é rápido e constituído pela série de trocas de carbono entre organismos vivos.
- Circuíto biogeoquímico – é lento e realizado por processos geológicos que só se completam em milhões de anos.
Principais processos do ciclo do carbono.
(Crédito: notasgeo).
Os processos do ciclo do carbono são os seguintes [NASA_carbon, 2011; UCAR_cycles, 2011; columbia_carbon, 2013; Fowler et al, 2013; Narayanan, 2022; NOAA_carbon, 2025]:
- Fotossíntese – plantas, algas e bactérias utilizam energia da luz solar para combinar o dióxido de carbono a partir da atmosfera com água para formar hidratos de carbono, que armazenam energia. O oxigênio é um subproduto liberado na atmosfera.
- Respiração – consumidores como animais, fungos e bactérias obtêm assim sua energia do excesso de biomassa. O oxigênio da atmosfera é combinado com carboidratos para liberar a energia armazenada. Água e dióxido de carbono são subprodutos. Ao longo do tempo geológico, houve mais oxigênio liberado na atmosfera e dióxido de carbono removido pela fotossíntese do que o inverso.
- Intemperismo – processo ativado quando dióxido de carbono e outros gases atmosféricos dissolvem-se nas águas superficiais com consequente reação com minerais provocando alteração química e decomposição.
- Infiltração no solo e decomposição – o carbono pode ser armazenado no solo como carbono orgânico, resultado da decomposição de organismos vivos, ou como carbono inorgânico proveniente do intemperismo de rochas e minerais terrestres.
- Sedimentação – águas superficiais podem levar dióxido de carbono dissolvido e, após, formar compostos como o carbonato de cálcio, um dos principais componentes das conchas de organismos marinhos. Estes organismos são a origem da formação do calcário, onde o carbono pode ser mantido longe do ciclo por um longo tempo.
- Fossilização – o carbono pode se localizar mais profundamente em combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, que são também reservatórios de carbono.
- Metamorfismo – sedimentos do fundo do oceano com carbono são capturados nas profundezas da Terra por subducção.
- Ascensão – em zonas de subducção, após o metamorfismo especialmente de carbonatos, há alimentação dos processos vulcânicos.
- Erupção – o carbono pode ser liberado como dióxido de carbono nas erupções vulcânicas ou através de fontes hidrotermais. O equilíbrio entre o intemperismo, a subducção de placas tectônicas e o vulcanismo controlou as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono ao longo dos períodos geológicos antes da Revolução Industrial.
- Queima de combustíveis fósseis – além da atividade vulcânica, mais recentemente, a queima de combustíveis fósseis traz o carbono de volta ao ciclo.
1.3.2. O ciclo do oxigênio
No início da evolução da Terra, o oxigênio era raro na atmosfera, mas atualmente ocorre livremente constituindo ≈21% dela. Também é encontrado preso à crosta terrestre em compostos químicos (incluído em carbono orgânico, o oxigênio fica armazenado em sedimentos) ou dissolvido na água. No corpo humano é o elemento mais comum [Aiyer, 2022; Zimmer, 2022; lsa_climate, 2024; Freire, 2025; lumenlearning_oxygen, 2025].
O oxigênio, sob a forma de ozônio, protege a vida na Terra filtrando os raios UV do Sol. Interconectado ao ciclo do carbono, o ciclo do oxigênio envolve os seguintes processos [Milideo, 2015; Kanzaki e Kump, 2017; Huang et al, 2018; Bayon et al, 2022; byjus_oxygen, 2022; Shang et al, 2022; Sachin, 2022; Zhao et al, 2023; Gro, 2025; NASA_ozone, 2025; evs_oxygen, 2026]:
- Fotólise – moléculas como a água atmosférica e o óxido nitroso são decompostas pela radiação ultravioleta proveniente do sol, liberando oxigênio livre;
- Fotossíntese – plantas produzem energia absorvendo dióxido de carbono da atmosfera e liberando oxigênio;
- Respiração – plantas e animais absorvem oxigênio da atmosfera e o utilizam para decompor carboidratos, liberando dióxido de carbono;
- Decomposição – invertebrados, incluindo fungos, bactérias e alguns insetos, decompõem matéria orgânica morta de restos de plantas e animais e consomem oxigênio;
- Oxidação (incluindo intemperismo) – metais como o ferro ou ligas metálicas sofrem oxidação quando expostos à umidade e ao oxigênio por um período prolongado e novos compostos de óxidos são formados pela combinação do oxigênio com o metal;
- Combustão – consumo de oxigênio por queima de matéria orgânica ou combustíveis fósseis;
- Soterramento – consumo de oxigênio no ciclo do carbono.
- Intemperismo de longo prazo – rochas profundas são expostas à erosão e se decompõem na superfície e, então, uma fração do oxigênio ligado à estrutura mineral é liberada de volta para o ciclo ativo.
1.3.3. O ciclo do hidrogênio
Os principais componentes do ciclo do hidrogênio nos ecossistemas (queima de biomassa, temperatura do solo, umidade do solo e cobertura de neve) são fortemente afetados pelo clima [Meredith et al, 2016].
O hidrogênio é um elemento importante na geosfera por diversas razões:
O nitrogênio é importante por constituir as proteínas e os ácidos nucleicos. ≈78% da atmosfera é composta por ele na forma do gás azoto (N₂). O ciclo do nitrogênio é dividido nas seguintes etapas [agro.genica, 2023; berkeley_nitrogen, 2026; legacyias_nitrogen, 2026]:
Os principais componentes do ciclo do hidrogênio nos ecossistemas (queima de biomassa, temperatura do solo, umidade do solo e cobertura de neve) são fortemente afetados pelo clima [Meredith et al, 2016].
O hidrogênio é um elemento altamente reativo e pode ser extraído do metano por meio de reação com vapor, quando também é produzindo monóxido de carbono [Trento, 2025].
Interconexão entre os ciclos de carbono, hidrogênio e oxigênio no metabolismo de plantas que realizam fotossíntese
(Imagem traduzida e adaptada de: Qniemiec)
- domina o comportamento de fusão e a reologia das rochas do manto [Sweeney, 1997];
- é o principal solvente para o metassomatismo na crosta e no manto [Mysen, 2022];
- sua concentração em minerais de silicato controla as taxas de difusão de outros elementos [Caracas e Panero, 2017] e
- sua abundância em silicatos fundidos influencia a cristalização fracionada [Mosenfelder et al, 2024; Chaudhari et al, 2025; Chabot, 2025].
O nitrogênio é importante por constituir as proteínas e os ácidos nucleicos. ≈78% da atmosfera é composta por ele na forma do gás azoto (N₂). O ciclo do nitrogênio é dividido nas seguintes etapas [agro.genica, 2023; berkeley_nitrogen, 2026; legacyias_nitrogen, 2026]:
- Fixação atmosférica – conversão (por descargas elétricas) do nitrogênio atmosférico (N₂) em amônia (NH₃) ou outros compostos nitrogenados, tornando-os utilizáveis pelas plantas.
- Fixação biológica – conversão realizada por microorganismos diazotróficos dando origem a NH₄⁺.
- Nitrificação – amônia (NH₃) é convertida em nitrito (NO₂⁻) e, em seguida, em nitrato (NO₃⁻).
- Assimilação – absorção de nitrato ou amônio do solo através das projeções das raízes.
- Amonificação – microrganismos como bactérias decompõem compostos ricos em nitrogênio provenientes de plantas e animais mortos em substâncias mais simples, como a amônia (NH₃).
- Desnitrificação – conversão de nitratos (NO₃⁻) em gás nitrogênio (N₂), removendo o nitrogênio biodisponível dos ecossistemas e liberando-o de volta para a atmosfera.
Ciclo do Nitrogênio.
(Imagem traduzida de: EssauMejia).
O nitrogênio na Terra, além da atmosfera e do solo, circula também nos oceanos, na crosta e no manto do planeta. Pequena quantidade de nitrogênio pode vazar do sistema biosfera-oceano e ser enterrada em sedimentos, como nitrogênio orgânico ou como amônio remineralizado incorporado em argilas durante a diagênese. As rochas com nitrogênio aos sofrerem metamorfismo, podem liberar uma fração significativa do nitrogênio à atmosfera. Através de convulsões tectônicas, intemperismo físico e químico e outros processos, os compostos nitrogenados, assim como outros nutrientes, podem se mover para o solo [Zerkle e Mikhail, 2017; Bourzac, 2018].
A liberação do nitrogênio no meio ambiente pode ocorrer também pela queima de combustíveis fósseis e pelo uso de fertilizantes artificiais na agricultura. O nitrogênio atmosférico está associado a vários efeitos nos ecossistemas da Terra, incluindo a produção de chuva ácida e efeitos de gases de efeito estufa [Fowler et al, 2013].
1.3.5. O ciclo do fósforo
O fósforo é um nutriente essencial para organismos vivos e é frequentemente necessário em ecossistemas aquáticos, particularmente de água doce [Fowler et al, 2013].
- Intemperismo e vulcanismo – liberação de fosfato na água, no solo e no ar (na forma de cinzas e aerossóis), onde se torna disponível para as redes terrestres de alimentos.
- O escoamento superficial – resultado da atividade humana e da lixiviação de rochas fosfáticas pela ação do intemperismo, sendo transportado para rios, lagos e oceanos.
- Formação de sedimentos – parte do fosfato que chega aos oceanos é incorporado na formação de sedimentos fosfatados originados principalmente a partir dos corpos de organismos marinhos e de suas excreções.
- Formação de rochas – os sedimentos são transportados para a terra ao longo do tempo geológico propiciando a formação de rochas, retornando ao início do ciclo eventualmente com intemperismo e vulcanismo.
Ciclo do fósforo.
(Imagem traduzida e adaptada de: Fowler et al, 2013).
Além dos ciclos biogeoquímicos na Terra, outros são também notáveis.
2. Os ciclos geológicos
Neste conjunto de textos sobre a Terra pulsante, foram vistos o Ciclo de Wilson, os ciclos dos supercontinentes e os ciclos das rochas. Há ainda outros ciclos geológicos importantes, como os ciclos das glaciações e das super marés.
2. Os ciclos geológicos
Neste conjunto de textos sobre a Terra pulsante, foram vistos o Ciclo de Wilson, os ciclos dos supercontinentes e os ciclos das rochas. Há ainda outros ciclos geológicos importantes, como os ciclos das glaciações e das super marés.
2.1. O ciclo das glaciações
As Glaciações também são cíclicas aparentemente com uma periodicidade de ≈100.000 anos, pelo menos nos últimos dois milhões de anos. A última glaciação começou há ≈110.000 anos e as camadas de gelo começaram a recuar há ≈18.000 anos. Esta ciclicidade pode ser comprovada principalmente por dados colhidos em testemunhos do gelo da Antártida [geological_digressions, 2026].
Ciclo das glaciações nos 450.000 anos antes de 1950 (ano zero no gráfico).
As variações de temperatura na Antártida (derivadas de medições isotópicas de deutério em testemunhos de gelo) são relativas à média do ano 1950.
O volume de gelo tem com base medições de δ¹⁸O (proporção entre os isótopos oxigênio-18 e oxigênio-16) em foraminíferos bentônicos em testemunhos de sedimentos distribuídos globalmente.
EPICA = European project for ice coring in Antarctica.
VOSTOK = Estação científica na Antártida.
(imagem traduzida de: Robert A. Rohde).
2.2. O ciclo das super marés
Estima-se que as contínuas alterações na configuração dos continentes, associadas aos ciclos dos supercontinentes, criam um ciclo de super marés. Na verdade, deve existir mais de um ciclo de super marés na formação de cada supercontinente, já que estão envolvidos nesta formação vários Ciclos de Wilson, com bacias se abrindo e se fechando em cada um deles [Green_a, 2018].
Uma super maré é uma oscilação na energia das marés globais a longo prazo associada ao ciclo de supercontinentes. À medida que as placas tectônicas se movem e formam ou fragmentam um supercontinente, a geometria dos oceanos muda, alterando as propriedades de ressonância das bacias oceânicas. São gerados picos de marés extremamente energéticas que duram alguns milhões de anos ao longo da história da Terra [Davies et al, 2020].
As alterações nas bacias oceânicas provavelmente têm um grande impacto nas marés ao longo de milhões de anos. Este movimento é amplamente controlado pela forma da bacia oceânica, pela sua profundidade e pelo tamanho do oceano. Se o comprimento de uma bacia for igual à metade do comprimento da onda, causa o fenômeno da ressonância e as marés podem se tornar muito grandes. Estima-se que atualmente estamos no início de um máximo de maré que, após, diminuirá de intensidade a medida que o próximo supercontinente se formar [Green_b, 2018].
Nesta análise de ciclos, além de ser necessário ter uma visão do tempo em escala geológica, é útil ter uma visão espacial, em escala orbital por exemplo, ou até mesmo extrapolar os limites da Terra.
3. Outros ciclos
Entre outros ciclos importantes, há os ciclos orbitais da Terra, o ciclo lunar e o ciclo solar.
3.1. Os ciclos orbitais da Terra
O geofísico e astrônomo sérvio Milutin Milankovitch (1879-1958) formulou a hipótese de que variações na órbita da Terra, através dos ciclos da excentricidade, obliquidade e precessão, são as principais responsáveis pelos padrões climáticos globais, impactando inclusive o avanço e recuo das geleiras. Os Ciclos de Milankovitch (CMs) fazem parte da Teoria Astronômica dos paleoclimas [Berger, 2012; Zhang et al, 2015; Johnson et al, 2015; Maslin, 2016; NASA, 2024; Berger e Yin, 2025].
Representações esquemáticas de excentricidade (traço azul) à esquerda, obliquidade ao centro, e precessão à direita.
(Crédito: NASA/JPL-Caltech).
Milankovitch formulou matematicamente estes três ciclos, mas a precessão já era conhecida pelo astrônomo grego Hiparco (190 aC-120 aC) e os antigos astrônomos chineses e indianos também já conheciam bem as oscilações astronômicas da Terra [geological_digressions, 2026].
O ciclo da obliquidade (com periodicidade de 41.000 anos) determina o ângulo (de ≈22 a ≈25°) do eixo da Terra em relação à sua órbita. Na maior inclinação, as regiões próximas aos polos recebem maior insolação e há maior variação entre a menor insolação no inverno e a maior no verão [Evans, 2025].
O ciclo da precessão (com periodicidade de 23.000 anos) pode ser entendido através da analogia com o giro de um pião. Refere-se à direção do eixo de rotação da Terra, que é afetada pelas forças de maré exercidas pela Lua e pelo Sol. Seus impactos são mais sentidos no periélio. Quando o Pólo Norte é direcionado para o Sol, o hemisfério norte experimenta um inverno mais frio e o hemisfério sul, estações mais amenas. Quando o Pólo Sul é direcionado ao Sol, experimenta as maiores variações sazonais [NASA_milankovitch, 2020; geological_digressions, 2026].
- o vulcanismo, com adição de poeira e aerossóis na atmosfera superior;
- mudanças nas correntes oceânicas e
- a atividade humana, com o balanço de gases como o dióxido de carbono e o metano no ciclo do carbono.
3.2. O ciclo lunar
A Lua gira em torno de si mais lentamente que a Terra. Ela leva 27,3 dias terrestres para completar sua rotação. Esta é a periodicidade do ciclo lunar, que compreende as diferentes fases da lua, vistas a partir da Terra. São elas [RiceUniversity, 2013]:
- Lua Nova: Lua entre a Terra e o Sol
- Lua Crescente: Lua saindo da posição entre a Terra e o Sol
- Lua Quarto-crescente: Lua crescente em um ângulo de 90º em relação à Terra e ao Sol
- Lua Crescente Convexa: Terra entrando na posição entre a Lua e o Sol
- Lua Cheia: Terra entre a Lua e o Sol
- Lua Minguante Convexa: Terra saindo da posição entre a Lua e o Sol
- Lua Quarto-minguante: Lua minguante em um ângulo de 90º em relação à Terra e ao Sol
- Lua Minguante: Lua entrando na posição entre a Terra e o Sol
As nove fases da Lua.
(Crédito: Orion 8).
A duração do dia terrestre é determinada pela velocidade com que a Terra gira em torno de si. Esta velocidade faz a duração do dia terrestre mudar cerca de um milissegundo ao longo de um ano. É uma variação tão pequena que só foi notada pela primeira vez pelo astrônomo e matemático britânico Edmond Halley (1656-1742) em 1695 [NASA_alldays, 2002].
Os ciclos lunares também alteram sua periodicidade [McClure, 2021; NASA_keplers, 2024; earthsky_perihelion, 2025]:
- Os mais longos ocorrem quando a Lua está se movendo mais devagar (perto do apogeu - o ponto na órbita elíptica da Lua mais distante da Terra) e a Terra está se movendo mais rapidamente (próximo do periélio).
- Os ciclos lunares mais curtos ocorrem quando a Lua está se movendo mais rapidamente (próximo ao perigeu - o ponto na órbita elíptica da Lua mais próximo da Terra) e a Terra está se movendo mais lentamente (perto do afélio).
Um ciclo solar é uma mudança periódica no Sol, com duração de ≈11 anos, caracterizada por variações no número e na intensidade das manchas solares, bem como pela inversão de seus polos magnéticos. Esta atividade, medida em explosões solares com diferentes intensidades, afeta o clima da Terra e causa prejuízos na eletrônica, na aviação e nos sistemas de comunicações via satélite. Felizmente, os eventos mais extremos são menos frequentes [Chapman et al, 2018; sciencedaily_climate, 2018; USGS_sunspot, 2025].
Ciclos de manchas solares.
(Imagem traduzida e adaptada de: USGS_sunspot, 2025).
As manchas solares são resultantes de fenômeno magnético. O material magnético dentro do sol está constantemente se esticando, torcendo e cruzando. O astrônomo e matemático suíço Johann Rudolf Wolf (1816- 1893) reconstruiu a histórica da atividade solar até os tempos do astrônomo, físico e engenheiro florentino Galileu (1564-1642). Rudolf definiu o esquema numérico atualmente adotado onde o ciclo 1755-1766 é tradicionalmente numerado como 1 [Fox, 2011; McNish, 2012].
Muitos cientistas estimam que os mínimos solares (menor energia solar) prolongados acabam resfriando a Terra. O período de atividade extremamente baixa, com poucas manchas solares entre 1645 e 1715, conhecido como Mínimo de Maunder, coincidiu com a Pequena Idade do Gelo. A correlação destes fenômenos do Sol e da Terra, entretanto, ainda não está devidamente comprovada [Luterbacher, 2001; Mann, 2002; Fox, 2011; Nkjwo, 2015; NASA_mini_ice, 2020; Anderson, 2025].
Numerosas culturas, dos antigos chineses aos maias, adotam a ideia do tempo como uma roda que gira, tendo os ciclos cósmicos uma longa tradição na filosofia e na religião. A cosmologia científica seguiu este caminho e logo se descobriu que o Universo se expandia, cumprindo seu ciclo de criação e destruição. Um Big Crunch seria seguido por um novo Big Bang em eterno pulsar de contrações e expansões [Halpern, 2014].
Gravura de autor desconhecido, impressa no livro "L'atmosphère: météorologie populaire", de 1888, de Camille Flammarion, com a legenda "Um missionário medieval conta que encontrou o ponto onde o céu e a Terra se encontram"
(Crédito: Flammarion).
Um deles é estabelecido pela teoria cíclica do Universo, uma alternativa radical ao cenário de Bigs Crunch-Bang. Em formulações mais recentes, este novo modelo cíclico se concretiza na teoria quântica de campos sem introduzir branas
ou dimensões extras. A principal inovação comum a todos estes modelos é a fase ecpirótica
[Lehners e Steinhardt, 2013; consensus_cyclic, 2019; Ladhani, 2023].
Nesta fase ecpirótica, com ou sem branas, é o momento ideal para finalizarmos esta parte IV da série de textos da Terra pulsante e colocarmos os pés mais próximos da superfície antes de corrermos o risco, ciclicamente, de encontrar o ponto onde o céu e a Terra se encontram.
Nesta fase ecpirótica, com ou sem branas, é o momento ideal para finalizarmos esta parte IV da série de textos da Terra pulsante e colocarmos os pés mais próximos da superfície antes de corrermos o risco, ciclicamente, de encontrar o ponto onde o céu e a Terra se encontram.
5. Reflexões
São constituídos ciclos ao ser esculpida a superfície da Terra na evolução da paisagem?
Há processos que procuram contrabalançar os movimentos verticais da superfície da Terra causados pela tectônica de placas e pela dinâmica do manto profundo?
Os modelos de evolução de paisagens evoluíram para um status de modelagem matemática?
A Terra pulsante - Parte I: O Ciclo de Wilson
A Terra pulsante - Parte II: Os ciclos dos supercontinentes
A Terra pulsante - Parte III: O ciclo das rochas
A Terra pulsante - Parte V: O ciclo geomorfológico


















Um comentário:
Há ciclisidade em tudo ... depende só da dimensão (espacial, temporal, ...) da observação e/ou análise!
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