2 de outubro de 2017

Fatos. O Brasil precisa discutir a relação com a mineração?

Por Marco Gonzalez


Com ou sem mineração?

Os "famosos" e uma parte da imprensa não hesitam em demonizar a indústria da mineração e tentam idealizar um mundo sem ela. 
"A indústria da mineração, se quiser permanecer no país, precisa provar que vai proteger o meio ambiente e as pessoas, e que isso vai trazer desenvolvimento."
Se chegarmos ao extremo de expulsar a indústria da mineração do país, quem extrairia o minério do subsolo brasileiro? E, tomada esta desatinada decisão, o que justificaria ficarmos 4% mais pobres, já que é esta a participação do setor mineral no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Isto sem considerar estimativas de que este valor logo chegará a 6%.

Sabemos que as mineradoras não receberam o minério de presente e, portanto, tem de dar a contrapartida cabível. Mas, seria sensato abrir mão cegamente do minério que, sem mineração, deixaria de existir e perder os benefícios decorrentes? Ou somente prejuízos é o que nos cabe nesta relação?


Sim, tudo indica que o Brasil precisa discutir a relação com a mineração tendo em vista algumas justificativas encontradas por aí para abrir mão de cobre, estanho, ferro, ouro, manganês, bauxita, areias e argilas. Eis uma dessas justificativas relacionadas ao PIB
"O Pará, onde hoje são exploradas as minas de Carajás, tem o 22º PIB entre os estados do país; em 1940, antes da mineração, ocupava a 8ª posição."
Então, cegamente, a indústria da mineração deveria ser expulsa do Pará? Vamos ver.

Mineração x PIB

Antes de tomarmos medidas extremas, é bom lembrar que a riqueza extraída pelas mineradoras tem reflexo no PIB da região. Também não se pode esquecer que muitos fatores afetam o valor do PIB, sendo um deles a variação do preço do minério de ferro, no caso da mineração no Pará.


Preço do minério de ferro de outubro de 2010 a outubro de 2015 (fonte)

No entanto, mesmo com a queda do preço do minério de ferro, o crescimento real do PIB do Pará, principalmente a partir de 2010, de acordo como IBGE, ficou acima da média brasileira, mas não o suficiente para melhorar sua posição em relação aos demais estados.


Crescimento real do PIB no Brasil e no Pará de 2006 a 2015 (Fonte)

Mineração x qualidade de vida

Ainda que, quanto ao PIB, o Pará ande na contramão da crise brasileira, é de se lamentar sua posição em relação aos demais estados da federação, quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Então cabe a dúvida: sem a mineração sua situação estaria melhor ou pior?

Neste sentido é interessante analisar os dados do censo demográfico de 2010, realizado pelo IBGE, em relação a algumas cidades do sudeste do Pará, região que tem importante atividade mineira. 


Rendimento nos demais setores e na mineração das pessoas ocupadas em 2010 (Fonte)

Nesta região do Pará há mais pessoas com melhores rendimentos no setor de mineração, em comparação com os demais setores nas cidades pesquisadas. Em Canaã dos Carajás, por exemplo, a porcentagem de pessoas que ganham 1 salário mínimo ou mais na atividade mineira é o dobro da porcentagem de pessoas com o mesmo rendimento nos demais setores. Na mesma cidade, embora a porcentagem de pessoas que atuam na mineração com rendimento menor que 1 salário mínimo (55,9%) seja grande, nos demais setores é ainda maior (78,2%). 

Qual o reflexo disto na qualidade de vida? 


Mapas do Pará com IDHM (fonte) e valor da produção mineral comercializada por município (fonte)

Nos dois mapas acima é possível encontrar uma correlação positiva entre os valores do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e os valores da produção mineral comercializada por município. Esta correlação fica clara quando se verifica que os municípios com IDHM baixo ou muito baixo concentram-se em áreas onde não há produção mineral comercializada. Além disso, Parauapebas, o município com IDHM classificado como muito alto, tem o valor da produção comercializada mais elevado. 

Há estudos que indicam que municípios com mineração têm melhor desenvolvimento humano. Um exemplo é o levantamento realizado pela Fundação João Pinheiro com dados de 2010.

Certamente o Brasil precisa deixar de ouvir os "famosos", colocar os dados reais sobre a mesa e discutir sua relação com a mineração.



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